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Queda de avião em Gramado: “Foi um erro levantar voo nessas condições”, avalia especialista

Para Gerardo Portela, engenheiro da Universidade Federal do Rio de Janeiro a aeronave que matou o empresário Luiz Galeazzi e a família

Acidente ocorreu na manhã deste domingo
Acidente ocorreu na manhã deste domingo Foto : Camila Cunha

Para o especialista em risco e segurança Gerardo Portela, engenheiro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o avião que caiu em Gramado e que matou o empresário Luiz Galeazzi e outras nove pessoas de sua família, logo após decolar do Aeroporto de Canela, não deveria ter levantado voo. “Foi um erro levantar voo nessas condições", ressalta Portela, devido às condições meteorológicas que não eram boas no momento da decolagem.

Portela explicou que um acidente assim nunca acontece por apenas um motivo. O aeroporto de Canela, ele lembra, não tem torre de controle, nem condições de orientar um voo por instrumentos. Ou seja, os aviões que decolam de lá precisam ter condições visuais de voo.

Pelas regras aeronáuticas, é preciso ter uma visibilidade de até 5 mil metros. Segundo Portela, a visibilidade neste domingo em Gramado, não passava dos 200 metros. O fato de estar sobrevoando uma cidade, uma área urbana densamente povoada, também é estranho, segundo Portela.

Quais eram as condições meteorológicas no horário do acidente

Imagens do momento da decolagem mostram que chovia e havia forte nevoeiro na área.

O presidente do aeroclube de Canela, Marcelo Sulzbach, explicou que as condições meteorológicas pioraram consideravelmente na decolagem. “O teto estava um pouco baixo, com nevoeiro. No momento que a aeronave iniciou o taxiamento, a meteorologia mudou”, explicou.

Segundo ele, Canela é uma cidade com um clima mais volátil, suscetível a mudanças rápidas. “[O clima] deu uma boa piorada. O nevoeiro engrossou após a decolagem”, disse Sulzbach.

De acordo com ele, do aeródromo de Canela, nessas situações, cabe aos próprios pilotos coordenar as manobras e decidir se as condições são seguras para a decolagem.

“A decisão de decolar ou não é do piloto. Agora, temos que esperar a investigação para elucidar os fatos”, reforçou o presidente do aeroclube.

Quais eram as condições da aeronave

Registro da aeronave na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostra que o veículo foi fabricado em 1990 e tinha 9 assentos. Não possuía restrições e tinha situação de aeronavegabilidade normal. A validade do chamado Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade venceria somente em 25 de março de 2025.

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