Cidades

Racismo precisa ser abordado em escolas e empresas para deixar de ser tabu, defendem ativistas sociais

Roda de conversa sobre racismo abordou temas como o isolamento do povo negro na cultura gaúcha

O educador social Wellington Fraga Pacheco e a assistente social Dinah Castro participaram de uma roda de conversa sobre racismo durante a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (SIPAT) do Correio do Povo
O educador social Wellington Fraga Pacheco e a assistente social Dinah Castro participaram de uma roda de conversa sobre racismo durante a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (SIPAT) do Correio do Povo Foto : Fabiano do Amaral

Enquanto outros povos oprimidos ao longo da História receberam indenizações financeiras, como foi o caso do povo judeu, que é reconhecido mundialmente enquanto vítima, pessoas no Brasil ainda pensam que chamar alguém de negro pode ofender. Da mesma forma, as cotas raciais implementadas pelo governo brasileiro nas universidades federais enfrentam resistência da população.

Essa foi uma das reflexões trazidas pelos ativistas sociais Wellington Fraga Pacheco e Dinah Castro durante a roda de conversa sobre racismo realizada durante a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (SIPAT) do Correio do Povo.

“Pensar sobre a cor da pele das pessoas não é errado, dizer que alguém é preto não é ofensivo. Quando a gente nega dizer, partindo do princípio que está ofendendo, isso também é racismo. Quantas vezes vocês tiveram vergonha de dizer ou nomear e falaram ‘aquele moreninho’?”, questionou a assistente social Dinah Castro.

Ainda de acordo com os ativistas sociais, a discussão sobre esse assunto precisa estar cada vez mais presente em empresas, escolas e ambientes de convívio, para que deixe de ser um tópico desconfortável.

"O Brasil foi o último país no mundo a abolir a escravidão (em 1888). Depois que aconteceu toda aquela pressão da Europa, de que não se concebia mais uma forma de trabalho desumana igual à escrevidão, então o Brasil também teria que abolir. Mas a estrutura foi trazida pela monarquia para atender à elite, depois da abolição quem mandava no país não construiu políticas públicas para dar trabalho seguro para aquelas pessoas que ficaram ao relento”, relembra Wllington Fraga.

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A assistente social Dinah Castro relembrou que apesar dos avanços, a população negra ainda sofre os impactos do racismo estrutural no Brasil, formando a maioria nas ruas, nas prisões e nos empregos de baixa renda. Ela relembra ainda que até a década de 1970 e 1980, pessoas negras ainda eram proibidas de entrar nos clubes sociais de lazer e cultura.

“As pessoas pretas hoje estão ocupando espaços, mas esse espaço ainda é limitado. A gente sabe que muitas vezes tem um colega que tem a mesma capacidade, mas que por ser branco está num lugar de coordenação, com a mesma qualificação de uma pessoa preta. A gente precisa pensar e poder dialogar com isso no nosso cotidiano, no ônibus, a caminho do trabalho, no trabalho”, defende a assistente social.