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Repique do Rio Caí agrava enchente em Nova Santa Rita, na região Metropolitana

Famílias correram para retirar pertences das moradias nesta terça-feira

Rio Caí transborda no bairro Morretes, em Nova Santa Rita
Rio Caí transborda no bairro Morretes, em Nova Santa Rita Foto : Ricardo Giusti

A apreensão era o sentimento que predominava no bairro Morretes, em Nova Santa Rita, na região Metropolitana, na tarde desta terça-feira. Após o repique das águas do Rio Caí, o nível subiu e causou o agravo da inundação em áreas ribeirinhas do município. Moradores que haviam permanecido em casa na semana passada correram para retirar móveis diante da elevação da água.
Segundo o coordenador da Defesa Civil de Nova Santa Rita, Tiago Chuaste Silveira, o município acolhe atualmente 14 famílias desabrigadas no Centro Humanitário, totalizando 37 pessoas. O número de desalojados, porém, é maior, já que muitos foram levados para casas de parentes e vizinhos em locais seguros. “Calculamos cerca de 200 residências diretamente afetadas”, afirmou.

Reforço do monitoramento

Entre os bairros atingidos estão Morretes, Vila Esperança e Porto da Figueira. “Com o repique da noite passada, reforçamos o monitoramento, mas a força da água diminuiu antes de chegar com mais impacto”, explicou. No bairro Morretes, a moradora Angela Maria Lopes Butte viu a água invadir a residência nesta terça. “Na semana passada não entrou, mas agora está na altura do joelho”, disse.
Ela já havia retirado móveis pesados nos dias anteriores e buscou abrigo na casa da mãe. “Cada vez acontecem enchentes com mais frequência e força. Nem tive tempo de aproveitar a casa depois da última reforma”, lamentou. Outro morador, Deomar da Silva Motta, preferiu passar o dia no carro, de onde observava a enchente.

“Levantei o que deu dentro de casa e, agora só espero que não suba mais. Não posso dormir em casa, mas não saio daqui. Vou ficar reparando a minha residência e a dos vizinhos”, contou. Próximo dali, Auta de Souza e Adão de Paula recebiam ajuda dos filhos para esvaziar a casa. “É a terceira enchente em poucos anos. Não queremos mais ficar, vamos tentar vender. Não temos mais idade para continuar passando por isso”, desabafou Auta.

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Para Adriana Pacheco Ferrari, que há 26 anos vive na localidade, a rotina de retirada de móveis se repetiu. “Tirei o básico ontem à noite. As cobras e bichos podem aparecer para buscar locais secos, por isso a Defesa Civil pediu para sairmos. Isso não é mais vida, não tenho saúde mental desde o ano passado. Eu vou vender essa casa e procurar outra para morar”, relatou. No setor náutico da Prainha do Morretes, o empresário Fábio Fernandes retirou lanchas dos boxes para evitar prejuízos. “Se a água cobre o reboque, não tem como tirar mais. Já passei a noite aqui para acompanhar”, explicou o empresário que cuida de dez embarcações no local.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil, o município segue monitorando os níveis dos rios e estima que o retorno seguro dos moradores só deve ocorrer no fim da semana, quando as águas baixarem.