Em uma reunião interna, o Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) elaborou o roteiro e as ações estratégicas para a greve marcada para a próxima sexta-feira. A paralisação ocorre em paralelo a uma semana decisiva de novas rodadas de negociação com a Prefeitura da Capital sobre o reajuste da data-base da categoria, que não recebe aumento real desde 2020, conforme a entidade. A reunião foi realizada na sede do sindicato em Porto Alegre.
O objetivo é pressionar a o executivo a apresentar uma proposta concreta que valorize o funcionalismo municipal, conforme defende a diretora-geral do Simpa, Marília Iglesias. “O que nós tivemos de proposta, até agora, é o pagamento em três anos. Iniciaria este ano o pagamento de um terço da data-base de 2023, ou seja, o governo já prometeu que iria iniciar o pagamento de valores que já estão desatualizados”, explica a representante sindical.
Em nota, a Prefeitura de Porto Alegre reafirmou o compromisso com o diálogo com o sindicato e afirmou que propôs a reposição de 4,26% no vale-refeição, corrigido pela inflação acumulada de 2025 e que “a atualização do complemento para servidores com vencimento básico inferior ao salário mínimo, com efeitos retroativos a janeiro de 2026”, afirma a nota. A proposta prevê o pagamento da primeira parcela da reposição de 2023, calculada em 1,54% para a folha de dezembro deste ano com reflexos no 13º salário.
Desde o início de 2026 já foram realizadas diversas reuniões para tratar das pautas sem acordo definitivo entre as partes. O Simpa encomendou um estudo, conduzido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que levou em consideração as receitas e despesas do município de Porto Alegre, que constam no portal de transparência da Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão.
O resultado do estudo revelou, segundo o sindicato, que a Prefeitura opera em superávit desde 2020, o que contraria a justificativa apresentada para a retenção do reajuste. “2025 encerrou com mais de 7% de receita e a dívida consolidada líquida é negativa, o que significa que a Prefeitura não tem dívidas tem dinheiro em caixa. Vem crescendo a receita e diminuindo a despesa e nunca gastou tão pouco com folha de pessoal”, destaca a sindicalista que questiona o posicionamento da gestão municipal.
Com relação a existência de recursos para corrigir a defasagem dos pagamentos, a o executivo municipal ressaltou ainda que “os efeitos do desastre climático de 2024 ainda impactam significativamente as finanças municipais, o que exige equilíbrio para assegurar a sustentabilidade das contas públicas e a continuidade dos serviços essenciais”, considera a nota sem refutar os achados do estudo apresentado pelo sindicato.
Durante a paralisação, nesta sexta-feira, uma nova reunião foi agendada com o prefeito, Sebastião Melo, para uma nova tentativa de acordo. A mobilização acontece na mesma semana em que iniciou a gestão terceirizada da administração de postos de Saúde, envolta por polêmicas e judicialização. Além da saúde, outra área amplamente afetada é a educação, em que o Simpa denuncia um sistema de gratificações que prevê descontos em folha, inclusive em ausências justificáveis, como licenças de luto ou afastamento por condição de saúde.