O projeto de revitalização do Quadrilátero Central, no Centro Histórico de Porto Alegre, avança para as etapas finais. Previstas para serem concluídas em fevereiro, as obras que já duram mais de dois anos tiveram vários adiamentos e a conclusão postergada para o meio deste ano. Apesar do avanço, muitos trechos até mesmo revitalizados apresentam irregularidades – cenário que foi encontrado também em fevereiro deste ano.
Na rua dos Andradas, próximo à Praça da Alfândega, é possível observar blocos de concreto quebrados e buracos que, segundo relatos de pessoas que transitam com frequência na rua, já causaram até mesmo acidentes com queda. O mesmo é encontrado em outro trecho, na esquina da General Vitorino com a Vigário José Inácio, com buracos cobertos por cones.
Comerciantes que trabalham na rua dos Andradas reclamam sobre a demora na conclusão das obras, sobre a diminuição do movimento e, consequentemente, a queda do faturamento. A artesã Silvia Menezes, 62 anos, trabalha há 40 anos em uma banca na Praça da Alfândega e teme que a obra que ainda resta ser concluída na área próxima à General Câmara afaste os clientes.
"Depois da enchente já ficou muito difícil por causa do movimento. E agora, onde colocaram pedras novas, fizeram reforma, também já está tudo estragando, e a população sempre reclama com a gente a respeito disso", falou Silvia. O advogado Velmocir Lima, 68 anos, conta ainda que o piso está sempre com pedras soltas, que já foram até utilizadas como objetos para agressão física.
Obras do Quadrilátero
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O que diz a Secretaria de Obras
O Quadrilátero Central de Porto Alegre abrange a área entre as ruas Doutor Flores, Uruguai, General Vitorino e Voluntários da Pátria. Segundo a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi), nas demais vias, a funcionalidade já está completa, mas o trecho que compreende a rua dos Andradas ainda não está concluído.
“Nós estamos, nesse momento, instalando a iluminação pública. Já encomendamos, mas ainda não chegou, o mobiliário, que são os bancos, as floreiras e as lixeiras, que vão ficar ao longo da via. Instalada a iluminação pública e mobiliário, ela fica com a sua funcionalidade concluída”, afirma o secretário André Flores. Na manhã da última sexta-feira, dia 21, trabalhadores operavam em trechos pontuais na rua dos Andradas.
A previsão é de que se inicie, nos próximos dias, a obra do trecho restante, na extensão localizada na rua dos Andradas com General Câmara e o Largo dos Medeiros. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) revalidou no dia 14 de março o projeto de pavimentação e iluminação do trecho, que tem cerca de 80 metros quadrados.
“Essa aprovação tinha um prazo de validade. Essa validade venceu. Nós pedimos no final do ano passado a revalidação e somente há pouco mais de uma semana é que foi revalidado esse projeto para iniciar naquele trecho, que é feito com concreto moldado in loco, mais ou menos a mesma técnica usada na Esquina Democrática”, diz o secretário.
Os trabalhos nesse trecho devem ser concluídos em até 60 dias, projeta a pasta. De acordo com a secretaria, as pedras no estilo português serão mantidas, visto que a região é tombada pelo patrimônio histórico. Em relação aos trechos irregulares apontados, o secretário afirma que devem ser feitas reparações necessárias. “Se tem algo quebrado ali, nós vamos refazer”, completou.
Ele detalha que, no trecho que compreende a avenida Borges de Medeiros, rua dos Andradas e Uruguai, serão trocadas cerca de 70 placas, mas garante que o trabalho não deve interferir na transição de pedestres. Haverá, também, trocas de tampas que não ficaram bem niveladas com o pavimento, principalmente na rua General Vitorino. As ruas Vigário José Inácio e Otávio Rocha também estão contempladas no projeto de reparos pontuais.
A revitalização começou em maio de 2022, com conclusão inicialmente prevista para 2023. O aporte inicial da obra foi de R$ 16 milhões; após, foi orçada para R$ 24 milhões. O secretário detalha, porém, que o valor do final contrato não será utilizado em sua totalidade.