O risco de queda de uma laje do viaduto onde ocorreu o tombamento do caminhão, na BR 116, atrasou a retomada total do serviço da Trensurb na região Metropolitana. A informação é da própria empresa e foi divulgada na manhã desta terça-feira.
"A circulação dos trens ainda não voltou à normalidade devido à uma situação externa à Trensurb, relacionada a uma intervenção do DNIT no viaduto sobre a via férrea. Durante a execução da obra, uma laje que seria removida por guindaste apresentou rachaduras, gerando risco real de queda sobre a via”, diz o comunicado da Trensurb.
Por conta desta situação e para não colocar servidores e usuários em risco, a Trensurb seguiu com a operação parcial nos trens.
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O acidente
Durante a madrugada desta segunda-feira, um caminhão, carregado de material de construção, tombou na BR 116 enquanto cruzava o viaduto que corta a via férrea da Trensurb. O acidente ocorreu próximo à Refinaria Alberto Pasqualini.
Por conta do tombamento, parte do material que estava na caçamba do caminhão caiu na via férrea, danificando trilhos e fios que levam energia para as composições. A partir daí, a circulação dos trens ficou comprometida e restrita, inicialmente, entre as estações Mercado e Mathias Velho.
O trabalho de retirada dos módulos começou por volta das 4 horas e se estendeu até às 9 horas. A retirada só foi concluída com ajuda de um guindaste. O caminhão havia sido recolhido muito antes da chegada dos operários. Um dos trabalhadores da empresa contratada para realizar o serviço, Antônio Nascimento Abreu, informou que a carga pesa cerca de 25 toneladas. O caminhão havia saído da cidade de Canoas e seguia para Ivoti, quando tombou na rodovia.
A ocorrência alterou a rotina de milhares de pessoas que utilizam diariamente o transporte metroviário. O trânsito na BR 116, no sentido capital-interior, ficou lento durante toda a manhã como reflexo da falta de trens.
Transtorno segue com operação parcial
Nas primeiras horas da manhã desta terça, os usuários enfrentaram desafios semelhantes ao começo do dia anterior. A previsão de retomada dos serviços não foi cumprida e os passageiros encontraram operação restrita e falta de informação nas estações.
Na estação Rio dos Sinos, em São Leopoldo, a orientação repassada por funcionários na bilheteria, por volta das 6h20, era de que os trens estavam circulando apenas até Sapucaia. No mesmo horário, também comunicavam que ainda não havia ônibus de integração disponíveis para o trecho afetado, segundo relatos de usuários.
A Trensurb informou, naquele momento, que os ônibus estavam sendo acionados. Para quem chegou à Estação Rio do Sinos sem acompanhar os acontecimentos, porém, o cenário era de desinformação. Às 5h, horário de início da operação, o comunicado disponível no aplicativo e nas redes sociais ainda repetia a previsão do dia anterior, de que a circulação seria normalizada nesta terça, a partir das 5h.
No entorno da estação Sapucaia, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foi de caos pelo segundo dia consecutivo na manhã desta terça-feira. Passageiros da Transurb foram surpreendidos pelo fechamento repentino da estação por volta das 6h10; segundo a estatal de trens, pela instabilidade operacional após o acidente sobre os trilhos na madrugada da última segunda-feira.
Reclamações
Houve indignação e murmúrios entre os usuários do transporte ferroviário, que precisaram, em sua maioria, descer até a avenida Sapucaia, para embarcar em um dos ônibus que vai rumo à Capital. Enquanto alguns optaram pelo transporte de ônibus semidireto, pagando mais caro por isto e andando a pé, o que formou enormes filas logo após o fechamento da estação, outros preferiram aguardar a baldeação fornecida pela Trensurb, embora não se sabia o momento nem os intervalos em que ela chegaria.
“Todo mundo está esperando um ônibus para poder se locomover e ir trabalhar. Chegamos aqui esperando que houvesse trem hoje pela manhã. Mas ficamos sem uma resposta”, disse a auxiliar de limpeza Jaqueline Machado, que mora em Sapucaia do Sul e trabalha no Catamarã, entre Porto Alegre e Guaíba. Ontem e hoje, ela precisou embarcar no ônibus semidireto da empresa Central, chegando atrasada ao trabalho, devido à lotação do coletivo.
Já na Estação Novo Hamburgo, contava a informação de que os trens estavam operando somente até a Unisinos. No entanto, ainda não havia nenhum informativo sobre a baldeação com ônibus. A Estação também estava com passe livre. Apesar dos transtornos, trens estão operando com intervalo normal, de 8 minutos, entre cada partida da estação Novo Hamburgo até a Estação Unisinos.