O primeiro lote de remoção de casas e estruturas da Vila Voluntários, bairro Farrapos, na zona Norte de Porto Alegre, para o término da construção da nova ponte do Guaíba, está concluído, e o segundo dos 16 lotes, que está paralisado, deve ser retomado na tarde desta segunda-feira e terminar em breve, restando a saída de três famílias desta área. A informação é dos moradores locais.
A demolição como um todo, executada pelo pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), iniciou em 12 de agosto. Uma das famílias remanescentes no segundo lote é a de Suzana Soares de Oliveira, dona de casa, cuja vizinhança é um monte de escombros, e que vive em sua residência humilde na área destruída com seu filho de dez anos de idade.
Ele descobriu uma doença óssea em fevereiro, e realiza tratamento na Santa Casa de Porto Alegre, tomando mais de dez comprimidos diariamente. “Os três apartamentos que escolhi para me mudar pelo Compra Assistida tiveram a vistoria negada”, contou ela. Hoje, a moradora aguarda o processo a ser realizado em outro apartamento, escolhido na região central da Capital, para ficar mais próxima das consultas do filho.
Desocupação da vila Voluntários na Zona Norte de Porto Alegre
“Tem mais movimento e passam mais ônibus ali”, justificou. Suzana afirmou também esperar o pagamento do benefício do Estadia Ponte, de R$ 1 mil, ou a contemplação no Compra Assistida. No entanto, os repasses estão atrasados, disse ela. Mas a moradora acrescentou que, mesmo não recebendo os valores, vai sair do local no próximo final de semana, por medo da insegurança e do medo de animais peçonhentos e insetos, juntando o dinheiro do marido para alugar uma casa por conta própria.
A residência atual, agora sem as casas próximas, também enche de água a cada chuva mais forte. “Não vou esperar se o dinheiro não cair até o próximo dia 15. Me foi dito que teria prioridade por conta da condição do meu filho, porém até agora nada. Sinto que fiquei para trás. Fui uma das primeiras moradoras daqui e fiquei por último. Outros moradores que chegaram depois de mim já estão vivendo em outro lugar”.
Por causa das dificuldades do filho, o apartamento a ser escolhido não pode ser superior ao 4º andar, e com elevador o condomínio é mais caro. “Eu vivo somente do Bolsa Família e do auxílio que ganho para ele. Meu marido também tem renda, porém não conto com ela porque ele tem outros problemas para resolver”, relatou.