Foram iniciados na segunda-feira (4), os trabalhos da Subcomissão de Acompanhamento da Retomada dos Negócios após a Enchente de 2024 na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS). Criada a partir de requerimento do deputado Rodrigo Lorenzoni na Comissão de Economia, Desenvolvimento Sustentável e Turismo, a reunião recebeu representantes do poder público, entidades e empreendedores para debater os desafios enfrentados no processo de retomada econômica após a tragédia climática de maio do ano passado.
Presidente da subcomissão, Lorenzoni, destacou que a iniciativa surgiu de contatos com empresários e parlamentares que também integram o grupo. “Foi apresentada uma pesquisa do Sebrae que aponta que apenas 46% das pequenas empresas retomaram as suas atividades de forma plena, como era antes do processo das enchentes, e isso nos deixou muito preocupados”, afirmou. Ele salientou que o apoio governamental, até agora, se concentrou na reconstrução física, deixando de lado o processo de retomada econômica, que exige novas estratégias e políticas.
A pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), apresentada pelo gerente de competitividade Augusto Martinenco, entrevistou 1.058 empreendedores de regiões diretamente impactadas. Os dados revelam que 49% foram gravemente afetados, 23% moderadamente e 21% de forma leve, enquanto 7% não sofreram impactos. A queda no faturamento foi apontada por 79% dos entrevistados, seguida da interrupção das atividades por dificuldades de acesso (75%) e perdas de estoque (57%). O período médio de paralisação foi de 64 dias.
O levantamento ainda mostra que apenas 46% das empresas operam normalmente, 45% funcionam parcialmente, 7% ainda pretendem retomar e 2% encerraram definitivamente as atividades. “O desafio agora não é apenas reconstruir, mas fazer o cliente voltar”, pontuou Martinenco.
O coordenador de Relações da Fecomércio e do Sindhotel RS, Adriano Beuren, apresentou uma pesquisa que reforça a dificuldade de recuperação, especialmente no turismo. Segundo dados da Secretaria da Fazendo do Estado (Sefaz-RS), cerca de 700 empresas contribuintes de ICMS (8% do total) não retomaram qualquer atividade. Ele também destacou a importância de campanhas para recuperar a confiança dos turistas.
O presidente da Federação Varejista, Ivonei Pioner, alertou para o aumento do endividamento das pessoas jurídicas, que passou a crescer acima da média do mercado nacional desde a pandemia, mas que foi agravada pelas enchentes. “Mais empresas estão inadimplentes e, aquelas que já enfrentam dívidas, acabam aumentando o montante”, disse.
Representando a Fiergs, o ex-depurado Diogo Bier (Mano Changes), reforçou que o momento é oportuno para a instalação da subcomissão. Segundo ele, os prejuízos na indústria somam R$ 14 bilhões, com perdas expressivas nos setores de máquinas e equipamentos (R$ 1,5 bi), alimentos (R$ 1,3 bi), bebidas (R$ 1,2 bi) e produtos de metal (R$ 1,1 bi). Ele também citou que, mesmo com crescimento de 2,5% do PIB no primeiro trimestre de 2024, a indústria registrou deflação de 26% em maio.
Bier ressaltou o impacto no setor coureiro-calçadista, que emprega 85 mil trabalhadores no Estado e sofreu prejuízo de R$ 599 milhões, situação que pode ser agravada com a iminente queda nas exportações para o mercado americano, após o tarifaço anunciado pelo presidente Donald Trump.
Ele sugeriu que a subcomissão dialogue com o Tribunal de Contas do Estado para obter dados precisos sobre os recursos prometidos e efetivamente aplicados na recuperação.
As próximas reuniões da subcomissão serão realizadas em Alvorada (18/08), Guaíba (25/08), São Sebastião do Caí (08/09) e Lajeado (15/09), para permitir que empreendedores e entidades das regiões mais afetadas apresentem demandas e propostas para impulsionar a retomada econômica.