R$ 80 bilhões. Esta é a estimativa de custo para implantação da tarifa zero no transporte público em todos os municípios do Brasil. O dado é de um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade de São Paulo (USP) e divulgado nesta quarta-feira, 26. Ele foi apresentado pelo deputado federal e presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero, Jilmar Tatto (PT-SP), em uma audiência pública realizada nesta quarta na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre. Proposta pelo deputado estadual Miguel Rossetto (PT), o evento reuniu sindicalistas, vereadores de cidades da Região Metropolitana e parlamentares para discutir novos modelos de transporte na região.
No estudo, os pesquisadores propõem a substituição do sistema de vale-transporte por um outro tipo de financiamento inicialmente de empresas privadas e públicas a partir de 10 funcionários nas 706 cidades do país com mais de 50 mil habitantes. Na proposta, ao invés do empregador pagar a passagem diretamente ao funcionário, ele depositaria o dinheiro num fundo que iria subsidiar a tarifa zero.
Na audiência, o deputado Jilmar Tatto disse que o valor de R$ 80 bilhões “não é um absurdo”. “Se você deixa de pagar o ônibus ou o trem esse dinheiro reverte de 20 a 30% para a economia. O problema de instalar a tarifa zero não é recurso. Se pegar 10% do que o Governo Federal manda para as empresas, dá R$ 70 bilhões”, afirmou. O deputado também sugeriu outras formas de financiamento da tarifa zero, como a cobrança de carros pelo “uso excessivo das ruas”. Ele também disse que atualmente “viário não é democrático”, ou seja, as ruas e avenidas das grandes cidades são voltadas ao transporte individual.
Proponente da audiência, o deputado estadual Miguel Rossetto afirmou que hoje em dia um dos principais entraves é o pensamento municipalizado, onde não há integração entre os municípios e os modais de transporte. Somado a tudo isso, estão as tarifas caras e a baixa qualidade do serviço, conforme o deputado.
“Precisamos avançar a partir da possibilidade de consórcios. Eu tenho como referência a ideia de uma autoridade comum na Região Metropolitana para gerenciar todo o sistema de transporte, incluindo a Trensurb, incluindo o sistema de transporte de ônibus. Portanto, uma gestão pública coletiva de toda a Região Metropolitana”, explica o parlamentar, destacando que do jeito que está atualmente, é o trabalhador da periferia o maior prejudicado.
Também presente na mesa estava o presidente da Trensurb, Nazur Garcia. Ele apresentou alguns dados da operação do serviço atualmente e um cenário caso fosse implantada a tarifa zero. Conforme os dados, o aumento de passageiros poderia variar entre 30% e 400%, o que significa uma alta dos atuais 100 mil passageiros diários para 130 mil ou até 500 mil pessoas diariamente viajando de trem. Hoje em dia, a capacidade máxima da Trensurb é de 200 mil passageiros/dia. “Implantar tarifa zero e não garantir qualidade é tiro no pé”, afirmou o presidente.
Ele também disse que a ideia é conversar com o Ministério das Cidades para implantação de um projeto piloto de redução tarifária gradual até a tarifa zero, inicialmente aos domingos, quando acredita-se que não teria um aumento exponencial na demanda. No entanto, Garcia também defendeu a integração do trem com os ônibus e entre as cidades para o sucesso da ideia. “Tem que haver essa integração do sistema. Não dá para implantar uma tarifa zero nas condições que estão postas”, disse.