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Tripulações gaúchas e flores: como foram embarque e desembarque dos primeiros voos internacionais no Salgado Filho após enchentes

Passageiros e familiares relatam emoção do reencontro com seus entes queridos e com o aeroporto de Porto Alegre

Movimento de passageiros e familiares na retomada dos voos internacionais no Aeroporto Salgado Filho
Movimento de passageiros e familiares na retomada dos voos internacionais no Aeroporto Salgado Filho Foto : Ricardo Giusti

Os dois primeiros voos internacionais a alcançar o Aeroporto Salgado Filho em 227 dias tiveram tripulações gaúchas, escolhidas pela companhia aérea Copa Airlines como forma de homenagem ao Estado. No voo CM0820, que decolou à 1h35min desta quinta-feira e deve pousar na Cidade do Panamá pouco depois das 6h30min, o comandante Gabriele Santarossa e a primeira oficial Joseane Fabian são ainda um casal, pais do pequeno Eric, 4 anos. Ele é natural do Rio de Janeiro, mas tem pais gaúchos de Bento Gonçalves, enquanto ela é moradora de Novo Hamburgo, no Vale do Sinos.

“É um momento muito emocionante, além de ser o retorno dos voos, também é a primeira vez que meu filho vai voar comigo, portanto, também é um marco dele poder estar comigo”, comentou Joseane, que disse ter feito também a última decolagem do Salgado Filho em 3 de maio, horas antes do fechamento do complexo aeroportuário. “A gente saiu daqui 1h30min e às 8h o aeroporto já estava embaixo d’água. Estávamos ansiosos para esta volta”, acrescentou ela.

Já Santarossa salientou que sua primeira hora de voo foi no Salgado Filho, portanto é um aeroporto ao qual ele diz ter carinho. “Fazer parte deste primeiro voo acredito que seja um importante marco na minha carreira. É pura felicidade”, disse ele. “Ficamos em contato com nossa chefia para saber como estavam os avanços das obras no aeroporto, e não sabíamos quais seriam os planos da empresa. Por volta de outubro, novembro, quando começaram a reunir os nomes da tripulação, a Copa queria que fossem gaúchos, e calhou de serem eu e minha esposa hoje aqui”.

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Na área de embarque, a assistente administrativa Ana Paula Quevedo disse estar indo para Bogotá, na Colômbia. “É, com certeza, uma realização para todos aqui. Já tinha esta viagem programada, e poder fazer parte deste momento é muito bom mesmo. A estrutura do aeroporto também está muito boa”, comentou ela. O desembarque teve a presença de dezenas de familiares, amigos e conhecidos, que trouxeram cartazes e flores. À medida que o horário do reencontro se aproximava, a expectativa também aumentava entre os presentes.

A psicóloga Soraya Bandinelli, moradora de Imbé, no Litoral Norte, veio com parentes aguardar a chegada do filho, Lucas Bandinelli, e da nora, Julia Schafer, ambos gaúchos, de mesma profissão, e moradores de Nova York. Junto, veio a cachorra do casal, Tarsila. Eles passarão as festas de final de ano no Rio Grande do Sul. “Com certeza, para ele, principalmente, que há tempo não vem ao Brasil, será bastante emocionante. E eles vão retornar somente se eu deixar”, brincou ela. O momento do encontro no saguão foi de abraços e lágrimas.

“Estávamos morando dois anos fora do Brasil, e monitorávamos para saber quando poderíamos retornar. Chegar a Porto Alegre foi um momento muito bom, reencontrar os amigos, a família, e mesmo de longe, tentamos fazer o possível para ajudar”, disse Lucas. “Não podemos colocar flores em cima do que aconteceu, porém acho que toda esta situação trouxe a comunidade para mais próxima. Também se criou uma consciência de que devemos valorizar mais nossa casa, nossa terra. Foi muito angustiante ver o que estava acontecendo aqui”, comentou Julia.

Segundo o casal, houve palmas dentro da aeronave quando ela tocou o solo de Porto Alegre. A média Ionara Oliveira, moradora de São Leopoldo, veio aguardar a filha que vinha de Berlim, na Alemanha, e fez escala no Panamá. “Este retorno é muito bom, agora podemos ir mais facilmente aos destinos. E o aeroporto está muito bonito, dá um ânimo ver isso aqui funcionando de novo, voltando à atividade melhor do que antes”, comentou ela.

Uma das primeiras a desembarcar foi a professora Claudia Morales, colombiana, que veio ao Brasil encontrar o marido, o também professor Moacir Souza, que a aguardava com rosas. “Eu amo o Brasil, tudo está perfeito, muito legal”, comentou ela. “Ela estava na Colômbia desde março e agora nos reencontramos. Antes estava complicado, os voos levavam 17 horas de lá para cá, mas agora vamos tirar umas férias aqui e retornamos em janeiro”, completou o esposo.