Pelotas, no Sul do Estado, tem quase 21% de sua população formada por pessoas com 60 anos ou mais. Para entender como está a saúde física e mental dos idosos residentes na cidade, avaliando o seu declínio cognitivo e fragilidade física, a Universidade Católica de Pelotas (UCPel) começou a realizar uma pesquisa com mais de mil pessoas nesta faixa etária. As entrevistas estão sendo realizadas tanto com moradores de domicílios privados quanto aqueles que moram em instituições de longa permanência para idosos (ILPI's),
Segundo a professora do curso de Medicina, do programa de pós-graduação em saúde e comportamento e coordenadora do estudo, Maria Noel Rodrigues é necessário diferenciar o envelhecimento saudável dos idosos que passam por este processo, incluindo condições de fragilidade. "A repercussão disso é a perda progressiva de autonomia e independência. Com isto, o segundo grupo acaba ficando mais vulnerável e se isolando socialmente, deixando de ter a possibilidade de estar inserido no mercado de trabalho, demandando mais cuidado especializado, risco de hospitalização e até mesmo mortalidade", observa.
Ela conta que a depressão acaba acelerando o envelhecimento. " A fragilidade física impede atividades cotidianas, o limita até a fazer tarefas mais simples", completa. A pesquisa intitulada "Comportamento cognitivo em idosos com distintos graus de fragilidade: Associação com vulnerabilidade alimentar, níveis séricos de vitaminas, biomarcadores de neuro degeneração e de inflamação sistemática na população de Pelotas" é multidisciplinar e busca entender este envelhecimento.
As entrevistas começaram neste mês. Os idosos com mais autonomia estão sendo entrevistados na própria universidade, já os que têm dificuldades estão recebendo os pesquisadores em casa ou nas ILPIs. "Antes disso é necessário que a pessoa concorde em participar", destaca. A coleta de dados deverá ser realizada em dois anos, resultados parciais devem ser divulgados durante o período. A equipe é multidisciplinar, sendo formada por pesquisadores em áreas como neurociência, fisioterapia, medicina, odontologia e nutrição. O idoso passa por etapas de avaliação. No acolhimento, a pessoa será incluída no estudo. "Para isto é explicado os benefícios da pesquisa, os riscos, que são mínimos, em consentir participar. Caso o idoso tenha algum problema cognitivo, deve estar acompanhado de algum familiar nesta etapa", enfatiza.
A segunda etapa é a entrevista, com perguntas orientadas com o objetivo de saber se há algum declínio cognitivo. "Vemos os medicamentos que usa, sua condição de saúde geral, se caminha alguma distância, a questão de musculatura. Também é realizada uma coleta de sangue, onde são observados biomarcadores de envelhecimento cerebral", completa. Após obter os resultados, será avaliado de maneira ampla o relacionamento entre o envelhecimento físico e cognitivo e quais os fatores de risco ou associados a ocorrência desse processo de forma frágil. "Os resultados podem ser diferentes naquelas pessoas que passam por um envelhecimento saudável", comenta. Cada um dos entrevistados irá receber seus resultados individualmente, mostrando sua condição de saúde mental e física, para que possa buscar maneiras de iniciar um processo de cuidado que permita desacelerar o envelhecimento.
A professora afirma que, após a pesquisa, a própria universidade poderá incluir os idosos em ações de extensão relacionados a fisioterapia e medicina. "A pesquisa não traz um tratamento, mas a incorporação voluntária dos idosos em ações de extensão da universidade e o resultado nos dá um panorama no envelhecimento da população da cidade e tem um papel essencial na antecipação de riscos ao identificar de forma precoce os sinais de envelhecimento fragilizado", enfatiza. Ela confirmou que os resultados serão tornados públicos com os gestores de saúde, para que possam contribuir para a criação de . políticas públicas de saúde do idoso. "O que pode ajudar até mesmo para que se repense a rede de cuidado integral que o idoso precisa, integral e multi sensorial, sendo uma forma de estar conectado e ampliar a rede de cuidado à pessoa idosa", opina. Quem quiser participar da pesquisa pode ligar para o (53) 991584422. O agendamento pode ser realizado via telefone ou WhatsApp.