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Uso de aquecedores e lareiras aumenta risco de acidentes no inverno: veja os cuidados necessários

Especialistas alertam para riscos de segurança na utilização de equipamentos e dão dicas de consumo consciente

As principais ocorrências envolvem uso de aquecedores, lareiras e fogões a lenha
As principais ocorrências envolvem uso de aquecedores, lareiras e fogões a lenha Foto : Camila Cunha

Com a chegada das baixas temperaturas, a população aumenta o uso de aquecedores, lareiras e outros equipamentos para deixar os ambientes mais quentes e confortáveis. No entanto, o uso incorreto pode causar queimaduras e incêndios. Especialistas alertam para cuidados com o uso das fontes térmicas, como manter a distância de materiais que possam ser inflamáveis e realizar a manutenção adequada, com o objetivo de garantir a segurança dentro de casa durante o inverno.

De acordo com dados do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS), houve um aumento de 8,5% nas ocorrências relacionadas ao uso de fontes térmicas entre 2024 e 2025 no Estado, passando de 1.196 para 1.298 registros. As ocorrências envolvem uso de aquecedores, lareiras e fogões a lenha. Até o dia 22 de junho deste ano, foram registradas 519 ocorrências.

A professora aposentada Márcia Rogeli Silva de Lima, moradora de Novo Hamburgo, já levou alguns sustos com lareira de metal, utilizada sempre no inverno, quando certa vez, pretendia descartar caixas de papelão pintadas com tinta de artesanato. “Resolvi queimar essa caixa na lareira, e a tinta provocou uma labareda muito forte. Começou queimar o forro da casa, a chaminé ficou totalmente em brasa. A gente não percebeu isso, quem nos chamou atenção foram os vizinhos”, relatou. O fogo só não se propagou porque Márcia colocou em prática orientações que já havia recebido do Corpo de Bombeiros.

Ela também passou por uma situação perigosa ao usar fogão a lenha e colocar madeiras de demolição para alimentar o fogo. “Acredito que ela era pintada com tinta óleo, e esse fogo também se espalhou, queimou a chaminé do fogão e o fogo caiu no no forro da casa. Nossa sorte é que o forro é anti-incêndio”, relatou a moradora.

Depois dos sustos, Márcia toma certos cuidados para evitar acidentes e ter mais segurança na residência. Ela não utiliza mais a lareira, e verifica com cuidado o tipo e a quantidade de lenha colocada. Também, não utiliza madeiras que possam ter tinta. “A lição que a gente tira disso é que o fogo nos aquece, e a gente se empolga ao colocar lenha no fogo ou material para queimar, mas precisamos tomar muito cuidado para não colocar qualquer material no fogo”, disse Márcia.

O tenente do Corpo de Bombeiros Militar do RS e porta-voz da corporação, Rafael Vieira, destacou que os acidentes mais frequentes envolvem o uso de lareiras ecológicas e estufas elétricas. No caso das lareiras ecológicas, o principal erro está na utilização de álcool não adequado, que é mais volátil e cria um tipo de nuvem de vapor próximo ao recipiente. “O pessoal está usando muitas vezes o álcool de posto de combustível, porque é mais barato do que o álcool etílico 92 e 96%, recomendado para esse tipo de equipamento”, explicou Vieira.

Os riscos de queimaduras são altos, do primeiro ao terceiro grau e podendo, muitas vezes, atingir até 70% do corpo. O tenente recomenda que o equipamento fique, no mínimo, um metro de distância de qualquer outro objeto que possa queimar. Já no caso de reaquecer a lareira, é recomendado deixar esfriar o recipiente metálico para colocar o álcool e acender novamente.

As estufas elétricas, apesar de pequenas, exigem uma alta amperagem da rede elétrica, puxando a luz. O tenente alerta que é necessário verificar se a fiação resiste à amperagem da estufa. Ainda, fazer uma revisão no aparelho a cada um ou dois anos para verificar se ainda está em condições e se as resistências estão integradas.

Um dos casos envolvendo a peça ocorreu na residência de uma moradora do morro Santa Teresa. "Ao mesmo tempo que ela queria aquecer a peça, também queria secar a roupa. Ela colocou o varal de roupa muito próximo da estufa. Resultado, pegou fogo no apartamento", relatou Vieira. O mesmo alerta da lareira vai para a estufa: uma distância de 1 metro por causa dos raios de calor que ela emite.

O tenente lembrou que a lareira a lenha produz gases e solta brasas, que também podem provocar incêndios. "O ideal é manter sempre uma fresta da janela aberta, um dedo ou dois, apenas para ter uma circulação de ar e manter os níveis de oxigênio normal por causa do monóxido de carbono", explicou. Ainda, não manter por perto objetos que possam queimar.

O analista de operações do Programa de Eficiência Energética da CEEE Equatorial, Jonatan Silva, também alerta para a frequência de acidentes que ocorrem quando equipamentos de maior potência acabam sendo utilizados em uma mesma tomada. Por exemplo, quando é utilizado um "T", em uma mesma adaptação. "Nesse caso, o circuito não comporta toda essa potência, e acaba ocorrendo um curto circuito e, provavelmente, um incêndio. A gente acaba observando mais ocorrências, principalmente durante o período do inverno, quando a gente utiliza, por exemplo, ar-condicionados na temperatura quente ou até mesmo estufas", explicou.

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O risco vale para qualquer equipamento que acabe utilizando alguma troca de calor e consumindo alta energia. "A gente pode colocar nesse mesmo pacote as chaleiras elétricas, fornos elétricos e estufa. Esses equipamentos acabam trocando de calor tanto do ambiente como também de algo que está sendo utilizado, como por exemplo, a água, e acabam consumindo muita energia".

"O ideal é que a gente utilize somente aquela tomada para aquele único equipamento, e não acabe compartilhando a tomada com equipamentos com grande potência. Além disso, a gente evita que esses equipamentos que acabam aquecendo o ambiente fiquem muito próximos de materiais combustíveis". O especialista também recomenda utilizar o equipamento no menor tempo possível.

A concessionária atua com o programa de eficiência energética, que dá dicas de consumo consciente e segurança, principalmente para pessoas em situação de vulnerabilidade. A corporação está atuando na campanha Inverno Seguro, que visa divulgar medidas mitigadoras para controlar e prevenir os casos de incêndios residenciais nesse período do ano. "Se a gente conseguir evitar, as pessoas não se queimam e não têm seu patrimônio perdido".

Cuidados com aquecedores e lareiras elétricas

  • Ligue aquecedores e lareiras elétricas diretamente na tomada;
  • Nunca utilize extensões ou adaptadores para equipamentos de alta potência;
  • Mantenha pelo menos um metro de distância entre o aparelho e cortinas, sofás, colchões ou outros materiais inflamáveis;
  • Não utilize os equipamentos para secar roupas ou cobertores;
  • Desligue os aparelhos ao sair do ambiente ou antes de dormir;
  • Verifique regularmente o estado dos cabos, plugues e tomadas;
  • Utilize álcool adequado para lareiras ecológicas.