Cidades

Volta da chuva renova preocupação de moradores do Lami com alagamentos

Prefeitura afirma que área não é licenciada, restringindo obras públicas que podem ser feitas no local

Água invade ruas no bairro Lami, em Porto Alegre
Água invade ruas no bairro Lami, em Porto Alegre Foto : Camila Cunha

A continuidade da chuva na madrugada e manhã desta quarta-feira trouxe novo agravante para moradores do bairro Lami, no extremo sul de Porto Alegre. O avanço do Guaíba e falhas no escoamento da água a partir de banhados próximos fizeram com que a rua Dois, uma travessa de terra da estrada Otaviano José Pinto, que leva à praia do balneário, começasse a inundar mais uma vez, ainda que permitindo, por enquanto, a passagem de veículos.

Mas a recorrência do fato frustra os habitantes da área, que já estão pensando em sair. “Toda vez que chove, entra água na casa dos meus pais, que é mais antiga e mais baixa. Com a chuva que está marcando, provavelmente ficaremos com água de novo dentro de casa”, afirmou a dona de casa e empreendedora local Rafaela Cenci. “Meu marido também não consegue sair com o carro e minha filha não vai para a escola”, acrescenta.

A criança tem pouco mais de dois anos de idade. “Acumula terra dentro dos canos, e isto é o pior”. Os moradores afirmam que a área é um condomínio não regularizado na Prefeitura, porém alegam que a região têm água encanada do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) e energia elétrica da CEEE Equatorial. “É um lugar bem tranquilo, todos se conhecem”, comenta a moradora. “Acho que precisaria de encanamentos maiores, para dar vazão à água. Se fossem colocadas galerias na rua, ajudando a escoar, acredito que resolveria o problema”.

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Dos seis bloqueios e pontos de alagamento ainda vigentes na Capital na noite de terça em razão da chuva das horas anteriores, restava somente um na manhã desta quarta, abaixo do viaduto da rua Voluntários da Pátria com a avenida Sertório, na zona Norte, porém os carros conseguiam avançar sobre a água. A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) afirma que recuperou somente duas placas de veículos perdidas nas tormentas desde a semana passada.

Procurada para comentar a respeito da situação do Lami, a Prefeitura disse que a área não é licenciada pelo Plano Diretor, havendo, portanto, “uma restrição quanto às obras públicas que podem ser executadas no local”. “No âmbito da infraestrutura viária, seria necessário um projeto para desenvolver redes de esgoto cloacal, pluvial, bocas de lobo, meios-fios e pavimento”, salientou a Administração, reforçando que isto somente é possível após a regularização da via.

A Secretaria de Serviços Urbanos (SMSUrb) afirmou que a rua Manoel Vieira da Rosa, paralela à rua Dois, e que também sofre com constantes alagamentos, “está no cronograma periódico de conservação das vias”, e que, após a enchente de maio, o local recebeu patrolamento, aplicação de material e compactação. O processo de regularização deve ser iniciado por meio do Portal do Licenciamento, localizado no site oficial da Prefeitura.

Leia nota completa da Prefeitura

A Prefeitura informa que a rua Manoel Vieira da Rosa, com início na Estrada Otaviano José Pinto e fim na Rua Dois Estrada Otaviano José Pinto, não é licenciada pelo Plano Diretor. Portanto, há uma restrição quanto às obras públicas que podem ser executadas no local. No âmbito da infraestrutura viária, seria necessário um projeto para desenvolver redes de esgoto cloacal, pluvial, bocas-de-lobo, meios-fios e pavimento - e isso só é possível quando a situação da via estiver regularizada.

Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus), o trâmite deve ser iniciado por meio do Portal do Licenciamento. Já a A Secretaria de Serviços Urbanos (SMSUrb) informa que a rua Manoel Vieira da Rosa está no cronograma periódico de conservação das vias. Após a enchente de maio, o local recebeu serviços de patrolamento, aplicação de material e compactação.