Com o objetivo de estabelecer cooperação institucional para promover inclusão socioeconômica de refugiados e populações em situação de deslocamento forçado no Brasil, um Memorando de Entendimento foi firmado entre o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e a Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS) nesta terça-feira, dia 27.
O objetivo é estreitar relações com empresas para facilitar o acesso de trabalho às populações, além de fortalecer a qualificação profissional. Participaram da assinatura Davide Torzilli, representante do ACNUR no Brasil, e José Scorsatto, diretor-presidente da FGTAS.
Scorsatto destaca o trabalho da ACNUR com o acolhimento de refugiados e migrantes e reforça a importância que têm no mercado de trabalho. "Eles absorvem uma mão de obra extremamente importante e necessária. Como deveriam estar desde o começo sendo bem acolhidos pelos empresários, precisamos incluí-los na sociedade como um todo, para que os seus filhos possam estar na rede de escolas bem acolhidos, e se inserir nas nossas culturas locais e regionais. Mas tudo começa pela oportunidade de trabalho", afirma.
Para o presidente, a parceria com a Acnur terá um papel de interlocução com empresários, trazendo segurança no processo documental e dando continuidade ao trabalho. "A FGTAS, que coloca a vaga de emprego nas agências, e a Acnur que tem esse trabalho de interlocução com os migrantes que aqui chegam, acrescenta para que nós possamos cada vez mais acolher melhor e ter perspectiva de mercado", salienta.
Para a Fundação, é importante não apenas oferecer funções, mas projetá-las em qualificações de cada um, de maneira que possam criar uma carreira. Com o acordo, deve ser discutido daqui para frente outros gargalos existentes, realizando interpolação com empresários e com o governo federal, estadual e municipal, projeta Scorsatto. "O trabalho resgata a dignidade do ser humano. Não é diferente para eles e para elas, é através do do seu trabalho que ganham seu salário, resgatam sua dignidade, vontade de viver e projetar um futuro melhor para os seus filhos dentro da sociedade gaúcha. Então a gente fica feliz por essa interlocução".
Representante da ACNUR no Brasil, Torzilli ressalta que pretende, conjuntamente, fazer a conexão entre as empresas gaúchas e a comunidade de refugiados imigrantes que querem começar uma vida nova no Rio Grande do Sul. "A gente quer sensibilizar as empresas para que possam contratar pessoas refugiadas e imigrantes. Eles trazem conhecimento, experiência, expertise, chegam também com conhecimento diferente, um idioma diferente, e que pode ser atrativo para muitas empresas", afirma. Ele acredita que a conexão com empresas deve facilitar a contratação de refugiados e imigrantes, facilitando a integração socioeconômica na sociedade gaúcha.
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Nova sede
Nesta segunda-feira, dia 26, foi inaugurada uma sede da ACNUR em Porto Alegre, sendo uma das sete distribuídas no Brasil. A agência atuou com mais permanência no estado desde 2024 com a resposta emergencial às enchentes. Com a nova sede, Torzilli estima seguir trabalhando com um estado que, acredita, tem potencial para integrar pessoas refugiadas. “Essa foi a razão principal que levou o ACNUR a abrir uma sede permanente aqui na em Porto Alegre para seguir trabalhando com as comunidades de refugiados e migrantes que seguem chegando”. afirma.
“O Rio Grande do Sul é um estado no Brasil que recebe um dos mais altos números de refugiados e imigrantes. Era fundamental para o ACNUR estar presente e articular esse trabalho com o estado, com os municípios, com as instituições gaúchas para facilitar esse trabalho de integração das pessoas refugiadas”, complementa.