Após recuar em nove dos últimos 10 pregões - acumulando retração de 4,76% -, o dólar sofreu realização de lucros nesta tarde de sexta-feira, e fechou em alta, com o real acompanhando seus pares - peso mexicano e dólar australiano - em meio à desvalorização de mais de 2% do petróleo. Contribuiu também para o movimento altista a cautela antes da próxima semana, quando o Banco Central decide o novo patamar da Selic.
No mercado à vista, o dólar terminou em alta de 0,49%, aos R$ 3,1424. O giro financeiro somou US$ 1,24 bilhão. Na mínima, a moeda ficou em R$ 3,1116 (-0,49%) e, na máxima, a R$ 3,1429 (+0,50%).
Segundo o diretor da corretora Correparti Jefferson Rugik, depois que o dólar atingiu o patamar dos R$ 3,11 com o anúncio de que o ingresso de investidores estrangeiros no País (IDP) em junho ficou acima do esperado (US$ 3,991 bilhões, acima da mediana de US$ 2,650 bilhões), os investidores, principalmente as tesourarias de bancos, viram oportunidade de recomposição de posição comprada. O operador da corretora Multimoney Durval Corrêa observou ainda uma corrida de importadores que avaliaram que o dólar estava com bom preço.
No entanto, foi somente durante à tarde que o movimento comprador ficou mais claro. Para um gerente de mesa de derivativos, o dólar estava muito baixo e isso gerou um ajuste no valor em função da cautela, com o investidor de olho na próxima semana.
Corrêa, da Multimoney, destacou que com o aumento efetivo dos preços nas bombas de gasolina, após a elevação do PIS/Cofins sobre os combustíveis anunciado ontem, houve uma mudança no parâmetro da inflação, com a previsão para o IPCA no ano passando de 3,0% para 3,5%. Embora não seja um aumento expressivo, segundo o operador, o mercado já começou a olhar para uma inflação mais acelerada e o "efeito cascata" que isso pode causar. Por causa disso, "o mercado está atento quanto ao próximo corte na Selic (na próxima quarta-feira), se será mesmo de 1 ponto porcentual ou quem sabe 0,5 ponto, prevendo que tenham mudanças pela frente", explicou Corrêa.
Além da realização e cautela, a trajetória de alta acompanhou também o exterior. O petróleo fechou em queda superior a 2%, pressionado pela expectativa de aumento da oferta da commodity pelos Estados-membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Diante disso, moedas ligadas à commodity, como o peso mexicano e dólar australiano, foram penalizadas, influenciando o comportamento do real.
No mercado futuro, o dólar para agosto subiu 0,66%, aos R$ 3,1480. O volume financeiro movimentado somou US$ 12,78 bilhões. Durante o pregão, a divisa oscilou de R$ 3,1170(-0,33%) a R$ 3,1505 (+0,74%).
Bovespa
O Índice Bovespa teve nesta sexta-feira, 21, sua terceira queda consecutiva, mais uma vez determinada pelo desempenho negativo das commodities. Assim como ocorreu nos últimos pregões, o indicador chegou a ensaiar uma alta pela manhã (máxima de +0,30%), mas não se sustentou à tarde, quando a liquidez se tornou ainda mais escassa. Ao final dos negócios o indicador marcou 64.684,18 pontos, em baixa de 0,39%. Os negócios somaram R$ 5,3 bilhões, menor volume da semana.
Com o resultado de hoje, o Ibovespa encerrou a semana com perda acumulada de 1,15%. Profissionais consideram o porcentual bastante razoável, visto que o indicador vinha de cinco altas consecutivas na semana passada, com as quais ganhou 5,0%. Uma realização de lucros nesta semana não estava descartada. No mês, ainda há alta de 2,84%.
O principal motivo para a correção veio do desempenho das commodities, que alternaram altas e baixas, mas terminaram a semana com perdas. Hoje os contratos futuros do petróleo negociados em Nova York e Londres fecharam com quedas em torno de 2,5%, em meio a expectativas de aumento da oferta pelos Estados-membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). As ações da Petrobras seguiram à risca e fecharam com baixas de 2,49% (ON) e 3,13% (PN).
Comportamento semelhante teve o minério de ferro, que fechou em queda de 1,34% no mercado à vista chinês e enfrentou volatilidade ao longo do dia nos mercados futuros, com prevalência do sinal negativo. Assim, Vale ON e PNA perderam 0,77% e 0,96%, respectivamente.
"A semana teve fatores que não ajudaram a bolsa: petróleo não ajudou; minério não ajudou e aumento de impostos não ajudou. Mas tivemos uma queda pequena na semana, deixando um ganho remanescente perto de 3%. Podemos considerar apenas uma realização de lucros", disse um operador.
O aumento de PIS/Cofins sobre os combustíveis foi o principal evento da semana, esvaziada pelo início do recesso parlamentar. Os aumentos das alíquotas de gasolina, álcool e diesel, dentro dos esforços do governo para cumprir a meta fiscal do ano, dividiu analistas de renda variável ao longo da semana. Segundo cálculos do Credit Suisse, as altas nos preços dos combustíveis terão impacto de 0,53 ponto porcentual na inflação do IPCA do ano.
"O aumento já vinha sendo sinalizado pelo governo há tempos, e por isso não chegou a pesar tanto na bolsa. Mas como as estimativas são de que as medidas serão insuficientes, o temor é de que novos aumentos sejam necessários", disse Pedro Galdi, chefe de análises da Upside Investor.
Taxas de juros
Os juros futuros fecharam a sessão regular desta sexta-feira, com sinais distintos ao longo da curva. A parte curta terminou o dia estável, após operar em queda pela manhã, o trecho intermediário encerrou com leve alta, enquanto os longos fecharam com viés de baixa. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2018 (187.230 contratos) fechou em 8,535%, de 8,525% no ajuste de ontem; a taxa do DI para janeiro de 2019 (363.945 contratos) subiu de 8,34% para 8,40%; e a taxa do DI janeiro de 2021 (206.945 contratos) encerrou em 9,44%, de 9,47%.
Segundo profissionais da área de renda fixa, o mercado vinha tendo um rali de queda desde a semana passada e, diante de um ambiente externo hoje não tão favorável, e da falta de novidades no noticiário doméstico, houve uma pausa. Em contratos do trecho intermediário, houve alguma realização de lucros, como se viu também no dólar.
"O mercado já andou bastante e está em modo de espera", afirmou o economista da Guide Investimentos Ignácio Crespo, lembrando que o risco Brasil medido pelos contratos de Credit Swap Default (CDS) está "no zero a zero" e que o índice de volatilidade (VIX, na sigla em inglês), medidor de medo em Wall Street, está subindo.
O conteúdo do relatório bimestral de receitas e despesas, divulgado hoje, já havia sido antecipado ontem pela Fazenda, com destaque para a confirmação do aumento de impostos sobre os combustíveis, que deve elevar as receitas em R$ 10,4 bilhões, e o contingenciamento de R$ 5,9 bilhões no Orçamento de 2017. As medidas foram bem recebidas, na medida em que contribuem para que a meta de déficit primário este ano não estoure o limite de R$ 139 bilhões, e explicam o ligeiro recuo dos DIs longos.
Outro fator que influencia os vencimentos a partir de 2021 é o recuo das taxas dos Treasuries, em meio à piora da percepção sobre a governabilidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os yields bateram mínimas nesta tarde após o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, renunciar ao cargo. Às 16h31, a taxa da T-Note de dez anos estava em 2,236%.
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Moda americana recuou nos últimos 10 pregões