Economia

Após primeiras medidas, bolsa e dólar fecham em alta perto da estabilidade

Mercado acionário brasileiro teve um dia de cautela diante das incertezas do cenário político

A moeda americana fechou cotada a R$ 3,5740 no mercado à vista, em alta de 0,02%
A moeda americana fechou cotada a R$ 3,5740 no mercado à vista, em alta de 0,02% Foto : Mauro Schaefer / CP Memória
O mercado acionário brasileiro teve um dia de cautela diante das incertezas do cenário político e fechou praticamente estável nesta terça-feira, depois de alternar altas e baixas ao longo da sessão. O Índice Bovespa fechou aos 49.345,18 pontos, com ganho de 0,03%.

Foi a primeira alta em oito pregões e a segunda desde que Michel Temer assumiu a Presidência da República, no último
dia 12. O volume de negócios totalizou R$ 5,19 bilhões, montante bem inferior à média de maio (R$ 7,024 bilhões) e um indicativo de que o investidor está em compasso de espera.

Pela manhã, o Índice Bovespa chegou a subir 1,36% (aos 50.002 pontos), sustentado pelo bom humor no cenário internacional e pela expectativa positiva da divulgação das primeiras medidas econômicas do governo Temer. Após o anúncio do pacote, as ações perderam fôlego e passaram a refletir um sentimento mais cauteloso em relação à capacidade do governo de vencer os próximos desafios.

Causou certo mal-estar o imbróglio envolvendo a votação do Projeto de Lei que muda a meta fiscal, considerando o déficit fiscal de R$ 170,5 bilhões para 2016. A matéria não foi votada na Comissão Mista de Orçamento (CMO), o que levou a oposição a questionar a validade da votação em plenário.

O presidente em exercício Michel Temer e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciaram um pacote com três medidas para conter o déficit público. Entre elas, a única com efeito direto foi o anúncio da extinção do Fundo Soberano do Brasil (FSB), que conta atualmente com R$ 2 bilhões de patrimônio.

O fundo foi criado no governo de Luiz Inácio Lula da Silva como destino para os recursos do pré-sal. A medida depende apenas do Executivo para ser colocada em prática, sem necessidade de aval do Congresso.

O anúncio acertou em cheio as ações do Banco do Brasil, que operavam em alta e passaram para a coluna das maiores quedas do Ibovespa. Isso porque os papéis do banco representam 96,8% do patrimônio do Fundo Fiscal de Investimentos e Estabilização (FFIE), fundo privado que compõe o FSB e do qual a União é cotista única. Na carteira do fundo estavam 105.024.600 papéis do BB em abril. Em um movimento de antecipação de uma possível venda destes, Banco do Brasil ON fechou em queda de 5,39% e liderou as baixas do Ibovespa.

Dólar

No dia em que o governo Michel Temer anunciou as primeiras medidas econômicas, o dólar fechou muito próximo da estabilidade. A moeda americana fechou cotada a R$ 3,5740 no mercado à vista, em alta de 0,02%.

As medidas foram bem avaliadas em um primeiro momento, mas à tarde os receios em torno do cenário político fizeram o dólar virar para o positivo. Entre as preocupações, destaque para a proposta de nova meta fiscal para 2016 que não foi votada na CMO por falta de quórum e, até o fechamento do mercado, ainda não havia sido colocada em votação no plenário do Congresso.

Pela manhã, o sinal negativo para o dólar era justificado pela saída do senador Romero Jucá (PMDB-RO) do Ministério do Planejamento, após o vazamento de gravação na qual ele sugeria pacto para controlar a Lava Jato. A avaliação era de que o presidente em exercício, Michel Temer, agiu rápido ao tirar Jucá de sua equipe. No exterior, o dólar também cedia ante várias divisas, em função do avanço do petróleo tanto em Londres quanto em Nova Iorque.

Taxas de juros

Os juros futuros zeraram a queda no período da tarde desta terça-feira, e os principais contratos encerraram perto dos ajustes anteriores, com viés de alta no trecho intermediário. Digeridas as medidas fiscais anunciadas pelo Ministério da Fazenda pela manhã, o mercado operou na defensiva na etapa vespertina, na expectativa pela votação da nova meta fiscal, de R$ 170,5 bilhões para o Governo Central, no plenário do Senado.

Ao término da negociação regular da BM&FBovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 indicou 13,685%, de 13,695% no ajuste de ontem. O DI janeiro de 2018 fechou em 12,87%, de 12,83% ontem. O DI janeiro de 2019 terminou a 12,68%, de 12,63%. Nos longos, o DI janeiro de 2021 fechou em 12,61%, de 12,62% no ajuste da segunda-feira.

A proposta seria votada primeiramente na CMO, mas, assim como ontem, não houve quórum. Desse modo, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), buscou colocar a votação diretamente no plenário. Contudo, parlamentares da oposição passaram a questionar a votação sem passar antes pela CMO.

Entre as principais medidas fiscais anunciadas por Meirelles, estão a aplicação de um teto para o crescimento das despesas em 2017 limitado pela inflação de 2016, via proposta de emenda à Constituição (PEC). O governo também pediu a antecipação de R$ 100 bilhões do BNDES ao Tesouro Nacional dos empréstimos feitos ao longo dos últimos anos, que pode reforçar em R$ 7 bilhões os cofres públicos, nas estimativas do governo. Ainda, deve ser extinto o Fundo Soberano do Brasil (FSB), que conta atualmente com R$ 2 bilhões de patrimônio.

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