Economia

Após recorde histórico, dólar fecha em R$ 4,11

Queda foi de 1,30% em relação a cotação de quinta-feira

Dólar fechou o dia valendo R$ 4,11, após alta histórica da quinta-feira
Dólar fechou o dia valendo R$ 4,11, após alta histórica da quinta-feira Foto : Marcello Casal Jr / Agência Brasil / CP Memória
* Com informações da Agência Brasil


Depois fechar a quinta-feira cotado a R$ 4,1655, maior valor desde a criação do Plano Real, em 1994, o dólar fechou em R$ 4,11 nesta sexta-feira. O que representa uma queda de 1,30% em relação a ontem.  A divisa acumula alta de 1,6% na semana e de 4,12% em 2016.

A moeda iniciou valendo R$ 4,155, máxima do dia. Dezessete minutos depois, caiu para R$ 4,1162 e só voltou a subir às 11h40min quando chegou a R$ 4,1247. Depois disso, só caiu e encerrou o dia  em R$ 4,11.

Os papéis preferenciais, que dão preferência à distribuição de dividendos, fecharam em R$ 4,42, com alta de 1,78%. As ações ordinárias, que dão direito a voto na assembleia de acionistas, encerraram em R$ 6,24, com queda de 0,79%.

Diferentemente dos últimos dias, o mercado financeiro hoje foi beneficiado pelos fatores externos. Os preços do petróleo do tipo Brent tiveram forte alta e voltaram a fechar acima de US$ 30 por causa das ondas de frio nos Estados Unidos e na Europa, que deverão elevar o consumo de combustíveis no hemisfério norte.

Também contribuiu para melhoria dos mercados internacionais a declaração do presidente do Banco Central Europeu Mario Draghi, de que a instituição revisará a política em março. A declaração foi interpretada como indicação de que o órgão pode conceder novas injeções monetárias, depois de ter mantido os juros da zona do euro no menor nível da história.

Nas últimas semanas, o mercado global foi afetado pela desaceleração da economia chinesa, apesar de o governo do país ter anunciado a injeção de 600 bilhões de yuans na segunda maior economia do planeta. No ano passado, o país asiático cresceu 6,9%, a menor expansão dos últimos 25 anos.

A instabilidade na economia chinesa afeta países exportadores de commodities – matérias-primas com cotação internacional – como o Brasil. A redução da demanda por produtos como ferro e soja barateia as exportações brasileiras. Com menos dólares do comércio internacional entrando no país, a cotação sobe.

Por que o dólar subiu?

O fortalecimento da economia dos Estados Unidos e a crise política e financeira da Europa são problemas externos que estão pressionando o câmbio. Posteriormente, em dezembro, o Banco Central norte-americano (FED) aumentou suas taxas de juros. Com isso, fica mais interessante para investidores colocar dinheiro naquele mercado, em detrimento dos emergentes – que é o caso do Brasil e que oferece maiores riscos. Também do mercado externo, a desaceleração da China se refletiu em queda nos preços das commodities. Com exportações mais baratas, menos dólares entram na economia brasileira, empurrando para cima a cotação da moeda norte-americana.

Dentro do cenário interno, a instabilidade política e econômica também afeta a cotação das moedas. Os dois elementos são utilizados para as análises das agências financeiras internacionais na definição de notas do “risco-país”. É um conceito utilizado para tentar definir o grau de instabilidade econômica, mostrando aos investidores qual é o perigo de se investir. Quanto menor o índice de risco de um país, maior é o número de investidores estrangeiros, consequentemente mais dólares circulando no mercado.

O governo também pode exercer influência, quando interfere no mercado para estabilizar o dólar e deixar o real desvalorizado. Essa medida torna os produtos brasileiros mais competitivos no mercado internacional e aumenta as exportações e investimentos, importantes para o país.

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