Economia

Assinado protocolo de intenções entre empresa japonesa, Furg e cidade de Rio Grande

A primeira subsidiária da empresa JB Energy será residente do Parque Tecnológico da Universidade

O documento foi assinado durante evento realizado na Universidade Federal do Rio Grande (Furg)
O documento foi assinado durante evento realizado na Universidade Federal do Rio Grande (Furg) Foto : Hiago Reisdoerfer/ Furg / CP

A Universidade Federal do Rio Grande (FURG), por meio do Parque Tecnológico Oceantec, realizou o lançamento oficial do Projeto Aura Sul Wind. A iniciativa é voltada ao desenvolvimento da energia eólica offshore no Brasil. O projeto é coordenado pela empresa japonesa JB Energy. O evento reuniu autoridades da universidade, representantes do poder público e pesquisadores envolvidos na iniciativa. Durante a programação, foi apresentada a proposta técnica do projeto, abordando seus objetivos, a estrutura da eólica offshore flutuante e os impactos para a cadeia industrial brasileira.
Na ocasião, houve a assinatura do Acordo de Cooperação entre a FURG, a JB Energy e a Prefeitura do Rio Grande, além do Termo de Intenções associado ao Parque Tecnológico Oceantec. O documento foi assinado pelo CEO da empresa japonesa Rodolfo Gonçalves. Os termos são referentes à instalação da primeira subsidiária da empresa no Brasil, cuja sede ficará dentro do Oceantec, e também ao início do projeto-piloto Aura Sul Wind, para a construção de uma plataforma eólica offshore na costa da cidade, o primeiro da América Latina.

Durante o evento, estiveram presentes diversas autoridades, entre elas, o secretário da Embaixada do Japão no Brasil, Tomoki Mitsuya, a prefeita de Rio Grande, Darlene Pereira, o diretor da Portos RS, Henrique Ilha, a pró-reitora de Inovação e Tecnologia da Informação, Silvia Botelho, o diretor do Oceantec, Samuel Bonato, e o representante dos pesquisadores envolvidos no projeto, Osmar Möller.

De acordo com o CEO, a escolha da cidade para sediar tanto a primeira subsidiária da empresa no país quanto o primeiro projeto-piloto na América Latina, se dá em razão do grande potencial dos ventos no litoral. A iniciativa, que agora inicia os seus primeiros passos estruturantes, tem como objetivo a geração de energia renovável, agregando valor para a região, e, ao mesmo tempo, promover oportunidades para gerar conhecimento acadêmico que, por sua vez, será aplicado para suprir demandas reais do processo de geração de energia limpa.

Segundo ele a empresa tem três objetivos, o desenvolvimento regional, para fortalecer a economia local, estimular oportunidades, atrair investimento e consolidar Rio Grande e região como referência em energia e inovação internacionalmente; a sustentabilidade, para contribuir para uma transição energética com uma solução alinhada com as demandas ambientais do nosso tempo; e a parceria e o aprendizado contínuo.

Desenvolvido em concreto protendido, o principal componente tecnológico do projeto é a plataforma flutuante Raijin Float. Essa alternativa de construção, que consiste em um tipo de concreto reforçado com cabos de aço tensionados, aumenta a resistência, permitindo a elaboração de estruturas mais duráveis, leves e capazes de suportar grandes cargas e esforços.

Segundo a empresa, a escolha foi adotada de forma estratégica, pois viabiliza a mobilização da cadeia produtiva do Estado e contribui para a retomada de competências da indústria naval local. Além da FURG, o projeto conta entre os parceiros estratégicos como a Portos RS, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e a Sindienergia-RS. A instalação da estrutura está prevista para ocorrer a aproximadamente 60 km da costa de Rio Grande, em uma área com 45 metros de profundidade.

A escolha do local considerou o equilíbrio entre alto potencial eólico e a redução de impactos ambientais e operacionais, e está sendo acompanhada por uma série de pesquisadores, dos quais o professor da FURG, Osmar Möller, é representante. "Este é um dos projetos mais importantes que tive a oportunidade de participar. Além de poder contribuir com o desenvolvimento econômico da região, o Aura Sul Wind também vai ampliar horizontes nos cursos de graduação e pós-graduação das universidades envolvidas", destacou Müller, cuja carreira na pesquisa oceanográfica se estende por mais de 50 anos.

Para o diretor do parque, outro fator importante que o projeto agrega para a região, e mais especificamente para a FURG, dada a instalação da subsidiária no Oceantec, é o seu papel na melhoria contínua da formação de recursos humanos. "Quando a gente percebe a potência no caráter formativo agregado à presença das empresas residentes no Oceantec, começamos também a notar o potencial que existe no desenvolvimento de recursos humanos, de conhecimento e de tecnologia, a partir de projetos como esse", comentou

A prefeita destacou a importância de enxergar o potencial de Rio Grande alinhado com a sua capacidade de desenvolvimento. "Eu tenho muito orgulho de hoje poder assinar este termo, validando e ampliando o compromisso do município com a sustentabilidade e com o desenvolvimento da nossa região. Nós precisamos estar unidos e construir coletivamente para atingir o objetivo final de beneficiar a nossa sociedade.

O projeto possui outra particularidade: aproxima ainda mais as relações frutíferas entre o Brasil e o Japão, conforme ressaltou o secretário da embaixada do Japão no Brasil durante a sua fala no evento. "Nossos países desenvolvem uma série de ações em conjunto, e o Aura Sul Wind, em especial, congrega esforços conjuntos para o setor de energias renováveis. Além disso, o fato de o CEO de uma empresa japonesa ser brasileiro reforça o caráter simbólico dessa iniciativa como um exemplo concreto da cooperação bilateral", comentou.

Ainda durante a sua fala, Mitsuya comentou sobre a confiança do Japão no sucesso do projeto, ao envolver o conhecimento de importantes stakeholders japoneses e brasileiros, unindo experiências e capacidade instalada, além de uma colaboração sólida entre os setores públicos e privados. "Expresso meus votos para que o projeto possa ser um exemplo para o desenvolvimento sustentável do Japão e do Brasil, bem como para que o seu progresso contribua para a comunidade do Rio Grande, gerando benefícios duradouros para futuras gerações", completou.

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