Economia

Coalização pode ajudar projeto-piloto de 100 milhões de dólares em energia eólica offshore a sair do papel no Sul do RS

Projeto Aura Sul Wind foi incluído em pacote junto a outras duas propostas de energia eólica offshore do RJ e RN para receber apoio ministerial

Representante do projeto Aura Sul Wind, Rodolfo Gonçalves apresentou detalhes do projeto em congresso em SP
Representante do projeto Aura Sul Wind, Rodolfo Gonçalves apresentou detalhes do projeto em congresso em SP Foto : Thomaz Xavier/Divulgação/CP

O projeto-piloto Aura Sul Wind, da empresa japonesa JB Energy, foi incluído nesta semana em uma coalização de propostas de energia eólica offshore com o objetivo de facilitar o andamento dos projetos e receber apoio governamental no Brasil. Com investimento previsto de 100 milhões de dólares, o Aura Sul Wind prevê a instalação de torres eólicas com bases flutuantes, algo inédito na América do Sul, nos arredores do Porto de Rio Grande, na região Sul do RS.

A coalização, proposta pela Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (Abeeólica), conta ainda com outros dois projetos: um de torre com plataforma fixa (base de gravidade) no Porto de Areia Branca, no Rio Grande do Norte; e outro de plataforma fixa (monopile) no Porto do Açu, no Rio de Janeiro. A associação destaca que cada proposta possui tecnologia distinta e relevante para o desenvolvimento de energia eólica offshore no Brasil.

A inclusão dos três projetos em um mesmo pacote busca facilitar o apoio de ministérios como o de Minas e Energia (MME) e o de Pesca e Aquicultura (MPA), além do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no encaminhamento de estudos e liberações, além de acelerar e fortalecer a indústria brasileira. A carta de coalização, que ainda será assinada por representantes dos projetos, destaca ainda o apoio mútuo entre as propostas.

“A coalizão reconhece a importância do uso de tecnologias avançadas para a implementação segura, eficiente e ambientalmente responsável dos projetos-piloto de energia eólica offshore. O emprego de soluções tecnológicas de ponta contribui diretamente para a redução de riscos operacionais e ambientais, ao mesmo tempo em que promove maior confiabilidade e desempenho nos sistemas envolvidos”, aponta a carta redigida pela Abeeólica.

Quem está à frente do projeto Aura Sul Wind no Brasil é o CEO da JB Energy e ex-professor da Universidade de Tóquio no Japão, Rodolfo Gonçalves. De acordo com o especialista em energia eólica offshore, a coalização entre os três projetos é essencial para o desenvolvimento da tecnologia no território nacional. “O Brasil tem muito a aprender e criará um conhecimento imenso para levar não somente a segurança para o investidor, mar também confiança do governo em investir em projetos que trarão benefícios para a indústria e criação de empregos”, afirmou.

Além do apoio da União, o Gonçalves entende que o suporte do governo do Estado e da prefeitura de Rio Grande também são essenciais para que o projeto saia do papel. Desde que foi lançada a proposta, já houve aproximação entre esses entes. “O RS tem todos os elementos necessários para o desenvolvimento do offshore wind no Estado”, completou.

A presidente do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do RS (Sindienergia-RS), Daniela Cardeal, também participou do ato. Além dela, representantes de órgãos governamentais e de empresas privadas que fazem parte do consórcio do projeto Aura Sul Wind acompanharam o evento na capital paulista.

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Projeto Aura Sul Wind

Baseado em tecnologia japonesa, o projeto-piloto tem previsão de ser instalado até 2030 em Rio Grande. O objetivo é testar a tecnologia, estimular a cadeia local de suprimentos e preparar o terreno para implantações em escala, tanto no Brasil como no Japão. O país asiático busca nas energias renováveis uma forma de atender a demanda energética local após a desativação de usinas nucleares, em função do acidente na usina de Fukushima, na década passada.

O projeto prevê que cada torre, com cerca de 200 metros de altura, terá capacidade de geração de 18MW fornecida pela Chinesa Ming Yang Smart Energy, que seria utilizada inicialmente para fornecer energia para o Porto de Rio Grande. Já base flutuante (veja projeto abaixo) terá uma estrutura de 900 metros quadrados, com ancoragem em peso e empuxo semelhante à das plataformas de petróleo da Petrobras.

Além disso, diferentemente das torres eólicas offshore fixas, que demandam construção de plataformas em áreas com profundidade menor de 50 metros, o projeto flutuante prevê a construção da estrutura no Porto de Rio Grande e, após, o transporte da mesma por rebocadores até o local onde a torre será ancorada, longe da costa.

Desta forma, Gonçalves entende que o projeto também fomentará toda uma cadeira gaúcha de suprimentos para a montagem da tecnologia. Ele reforça ainda que o uso de base flutuante ainda tem benefícios em termos ambientais se comparada com a fixa, por não impactar em interferências estruturais nas regiões costeiras. “O RS, por conta da sua condição de batimetria, com região boa em ventos, tornou-se muito atrativo para a plataforma flutuante”, citou.

O projeto tem o apoio de um consórcio formado por Sindienergia-RS, Portos RS, JB Energy, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e empresas de engenharia e de monitoramento ambiental e operações. Nos próximos dias, o representante do projeto no Brasil participará de uma reunião no Consulado Geral do Japão para apresentar detalhes do Aura Sul Wind e protocolar apoio forma do país no projeto.

Projeto prevê torres com cerca de 200 metros de altura, com base flutuante | Foto: Technomar Engenharia/Reprodução/CP

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