Economia

Auditores-fiscais fazem operação padrão que causa atrasos no Aeroporto Salgado Filho

Mobilização da categoria faz com que 100% dos passageiros tenham que passar por revistas pessoais na Receita Federal

Operação impcatou ao menos 500 passageiros de voo internacional
Operação impcatou ao menos 500 passageiros de voo internacional Foto : Juan Link/Sindifisco Nacional/CP

Cerca de 500 passageiros sofreram os impactos da operação padrão realizada pelos auditores fiscais da Receita Federal, na noite de terça-feira, no Aeroporto Internacional de Porto Alegre. A ação promovida pelo Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Tesouro Nacional (Sindifisco Nacional) gerou atrasos de até três horas no processo de desembarque e fiscalização de bagagens em voos que chegaram de Portugal e da Argentina.

Esta foi a segunda operação padrão no terminal do aeroporto da Capital em menos de 20 dias - a anterior ocorreu em 8 de maio - e integra a mobilização nacional da categoria, que reivindica a recomposição salarial e a revogação de medidas recentes do governo federal que reduziram a remuneração dos auditores.

Primeira proposta negada pela categoria

De acordo com o Sindifisco Nacional, pela primeira vez desde o começo da greve, há mais de seis meses, o governo federal iniciou uma rodada de negociação com a categoria. A proposta de reposição de 7% oferecida pelo Ministério de Gestão e Inovação (pasta responsável pela negociação) foi recusada em assembleia nacional realizada no dia 26 de maio.

Na oportunidade, 95% dos auditores se opuseram à oferta. De acordo com o auditor-fiscal Diogo Loureiro, diretor do Sindifisco Nacional, as perdas inflacionárias da categoria acumulam mais de 40% desde 2016, enquanto a solicitação do órgão representativo corresponde a menos da metade. “A oferta está longe de atender a demanda da categoria. Estamos há anos sofrendo os impactos da inflação e, mesmo assim, pleiteamos uma reposição razoável para chegarmos a um acordo que atenda ambas as partes. O resultado da assembleia mostra o quão insuficiente é a proposta do Ministério da Gestão e Inovação”, comenta.

Greve seguirá em todo o Brasil

Diante a recusa da proposta, o Sindifisco Nacional afirma que a greve, que perdura por mais de meio ano, seguirá em curso em todo o território nacional, assim como as operações padrão em aeroportos, que ocorrem eventualmente. Segundo o diretor do órgão representativo, os profissionais têm ciência dos impactos das operações, mas garante que a medida é necessária diante da falta de diálogo e do retorno insuficiente do governo federal.

Diogo Loureiro, auditor da Receita Federal | Foto: Fabiano do Amaral

Loureiro reforça que a operação padrão é sempre a última alternativa da categoria. Segundo ele, a instituição conhece os impactos aos usuários e empresas aéreas e complementa. “Apesar de tudo isso, a operação padrão é uma das principais formas de darmos luz à nossa luta, fazendo com que governo possa olhar para a nossa demanda com a atenção devida”, finaliza.

A operação padrão ocorreu em aeroportos internacionais de Salvador, Belo Horizonte, Campinas, Rio de Janeiro, Guarulhos, Brasília e Porto Alegre. Na capital gaúcha a ação prosseguiu até às 23h. O protesto alterou a dinâmica usual da fiscalização de passageiros internacionais. Normalmente, cerca de 30% dos viajantes são submetidos à inspeção física, conforme critérios de um sistema de gerenciamento de risco. No entanto, durante a mobilização, os auditores elevam essa taxa para até 100%.

“Com esse aumento da seleção, inevitavelmente há formação de filas e atrasos para que os passageiros possam concluir o desembarque e sair da área alfandegada”, explica Loureiro. Além disso, a ação amplia a possibilidade de identificação de irregularidades, segundo os fiscais.

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