Economia

Auxílios emergenciais estão entre os pedidos da Fiergs no caso de confirmação do tarifaço de Trump

Presidente da entidade falou em evento sobre a reunião que teve com o governo federal e o pedido de medidas semelhantes às disponibilizadas na pandemia

Presidente da Fiergs, Claudio Bier, falou em evento promovido pela entidade
Presidente da Fiergs, Claudio Bier, falou em evento promovido pela entidade Foto : Pedro Piegas

A Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) realizou na terça-feira (22), a segunda edição do INDX, um encontro com a indústria que tem o intuito de promover discussões estratégicas voltadas ao fortalecimento do setor no Estado. O encontro reuniu lideranças empresariais, autoridades e representantes de sindicatos no Salão de Convenções da Fiergs, em Porto Alegre.

O tema central do evento foram os investimentos bilionários que prometem impulsionar a economia gaúcha, entretanto, o alerta sobre os impactos do chamado "tarifaço" imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros também recebeu destaque. Na segunda-feira, uma comitiva da Fiergs se reuniu com o presidente em exercício, Geraldo Alckmin.

Da reunião, já considerando a possibilidade de que a medida anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, entre em vigor no dia 1º de agosto, a Fiergs levou alternativas para que o impacto seja minimizado. “Um dos pedidos que nós fizemos é que, se por ventura vier a acontecer (o tarifaço), que nós tenhamos o que tivemos na pandemia, quando empresas receberam alguns benefícios do governo federal para amenizar a crise. Mas isso só vai amenizar um pouquinho da crise, porque ela é grande e o governo federal ficou consciente disso”, relatou o presidente da Fiergs, Claudio Bier.

Bier alertou para os efeitos do aumento de tarifas por parte dos EUA sobre produtos brasileiros, em especial as indústrias com forte presença no Rio Grande do Sul. “Nós levamos diversos setores da nossa indústria para conversar pessoalmente e mostrar os dramas que já estão acontecendo aqui no Estado. Levamos, também, o nosso economista-chefe que fez uma demonstração das dificuldades que o Rio Grande do Sul vai enfrentar se nós não chegarmos a um denominador comum com”, relatou Bier.

Segundo ele, o impacto ainda era subestimado pelo governo federal e pode gerar a perda de até 22 mil empregos. “Eles não tinham essa noção, por isso foi importante a nossa ida lá. Já temos hotéis vazios em Novo Hamburgo, que antes recebiam compradores americanos. Já temos mpresas dando férias coletivas e outras sem saber se continuam produzindo”, alertou.

Embora tenha saído da reunião otimista quanto ao diálogo, Bier lamentou a falta de iniciativa do governo federal para antecipar uma prorrogação ou revisão das tarifas. “O vice-presidente Alckmin disse que antes do dia 1º de agosto não há como negociar ou pedir prorrogação. Nós notamos que o governo brasileiro não quis ceder nesse ponto”, disse.

Evento abordou investimentos no Estado

Entre os destaques da programação do INDX, estiveram as apresentações do presidente da Cotrijal, Nei César Manica, e dodiretor-geral de Celulose da CMPC no Brasil, Antonio Lacerda, responsáveis por projetos que somam quase R$ 30 bilhões em investimentos no Estado.

A CMPC projeta R$ 24 bilhões em uma nova planta industrial em Barra do Ribeiro, com capacidade de produção anual de 2,5 milhões de toneladas de celulose branqueada de eucalipto, enquanto a Soli3 – associação entre Cotrijal, Cotripal e Cotrisal – investirá R$ 1,25 bilhão em uma indústria para processamento de soja e produção de biodiesel em Cruz Alta.

O presidente da Fiergs também destacou o empenho da entidade em garantir que parte significativa dos investimentos anunciados seja aplicada em fornecedores e serviços locais. “Na expansão anterior da CMPC, com nosso trabalho conseguimos aumentar de R$ 700 milhões para R$ 2 bilhões o conteúdo gaúcho. Esperamos que, agora, a maioria desses R$ 27 bilhões também fique no Estado”, afirmou.

O INDX marcou, também, o primeiro ano de gestão do presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier. Ao fazer um balanço de seu primeiro ano à frente da Fiergs, ele mencionou mudanças na estrutura interna. “A Fiergs saiu do seu castelo. Fizemos a interiorização porque o interior do Estado clamava por isso. Ainda não chegamos em todas as regiões, mas vamos chegar”, concluiu.

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