A B3 acionou o circuit breaker nesta segunda-feira (26) pela primeira vez desde a pandemia de covid-19, em 2020. A Bolsa suspendeu as negociações no mercado à vista por 30 minutos após o Ibovespa cair 10%, no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). É a 24ª paralisação desde a criação do mecanismo.
A queda reflete temores do mercado financeiro com a política fiscal do país no novo mandato. Lula venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, neste domingo (25), com 51,8% dos votos válidos. Antes mesmo da abertura, o dólar já disparava mais de 12% e chegava a R$ 5,60, enquanto o Ibovespa futuro afundava 17%. A B3 precisou ampliar os limites de oscilação dos contratos futuros para conter a volatilidade.
O circuit breaker interrompe os negócios quando o principal índice da Bolsa registra quedas bruscas. A pausa dura 30 minutos com perda de 10%, sobe para 1 hora com 15% e pode se estender por prazo indefinido com 20%.
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Histórico
Em março de 2020, o mecanismo foi acionado seis vezes em oito dias, nos dias 9, 11, 12, 16 e 18. Os mercados globais reagiam às incertezas iniciais da pandemia e às medidas extraordinárias dos governos para conter os efeitos econômicos da doença.
Antes disso, a interrupção mais recente havia ocorrido em 2017, depois que a delação premiada da JBS quase derrubou o governo do então presidente Michel Temer.
A crise financeira de 2008 provocou seis paralisações. Após o pedido de concordata do banco Lehman Brothers, nos Estados Unidos, o pregão parou em 29 de setembro e outras cinco vezes em outubro: duas no dia 6 e as demais nos dias 10, 15 e 22.
Os primeiros acionamentos vieram em sequência, entre 1997 e 1999. A crise asiática interrompeu os negócios em 7 e 12 de novembro de 1997. No ano seguinte, a crise russa levou a cinco paralisações, em 21 de agosto e em 4, 10 (duas vezes) e 17 de setembro. Em janeiro de 1999, a crise cambial brasileira acionou o mecanismo nos dias 13 e 14, quando o Ibovespa chegou a mínimas de 5.277 e 5.050 pontos.