Segundo Tombini, o Banco Central está atento à deterioração do cenário externo. "Temos visto muita volatilidade. Temos instrumentos e estamos prontos para intervir e garantir que o mercado funcione apropriadamente", afirmou o presidente do BC na 2011 Brazil Economic Conference, promovida pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, em Washington.
Tombini voltou a mostrar tranquilidade em relação à alta do dólar ante o real e disse que o BC irá agir sempre que julgar necessário. "Temos que ver aonde esse novo padrão do cambio internacional vai se estabilizar nos próximos dias, semanas, e nós temos capacidade, no caso do Brasil, de fazer com que o mercado de câmbio continue funcionando de forma adequada, com liquidez", disse a jornalistas, após conferência promovida pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, em Washington.
Ele não disse, no entanto, se a instituição irá intensificar os leilões de swap cambial para estabilizar o mercado de câmbio. "Toda vez que nós sentirmos a necessidade de entrar no mercado, o Banco Central estará lá para assegurar a tranquilidade do mercado de câmbio no Brasil", disse. "Mas temos um regime flutuante e tem que admitir que câmbio pode ir nas duas direções."
O presidente do BC foi mais vago ao responder se está preocupado com a situação de empresas brasileiras com maior exposição em dólar. "Se virmos alguma dsifuncionalidade, temos instrumentos para agir." Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, também mostrou tranquilidade em relação ao câmbio, dizendo que trata-se de um movimento normal em momentos de maior aversão a risco.
Dólar abre em alta
Nesta sexta, o dólar comercial abriu em alta, mas passou a ser negociado em baixa nos minutos seguintes. Às 10h5min9, a moeda norte-americana estava cotada em R$ 1,8720, baixa de 1,99%. Ontem, ela havia subido 3,52%, para R$ 1,9100, a maior cotação desde 17 de julho de 2009.
A variação do dólar hoje reflete, por um lado, as tensões externas, e de outro a expectativa de que o Banco Central (BC) continue agindo para conter a alta excessiva da moeda, inclusive com a retirando a cobrança do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) sobre os derivativos.
Atuação no mercado
O chefe do departamento econômico do Banco Central, Túlio Maciel, afirmou que a autoridade monetária poderá voltar ao mercado de câmbio para adequar a liquidez no sistema. Ontem o diretor de política monetária do Banco Central, Aldo Luiz Mendes, já havia dito que a instituição atuará no mercado cambial futuro enquanto entender ser necessário. Disse ainda que, se for preciso, o BC também poderá agir com a moeda norte-americana no segmento à vista, ou seja, vendendo dólares no mercado. "O Banco Central vai continuar no mercado futuro enquanto entender que é necessário", disse.
Segundo ele, a decisão de atuar ou não nos negócios é determinada pelas condições de liquidez observada no mercado. "Entramos enquanto acharmos que a liquidez do mercado não é adequada", disse.
Por enquanto, explicou Aldo Luiz Mendes, o Banco Central não encontrou problemas nos negócios do mercado à vista. "Não identificamos liquidez apertada no mercado spot. Mas se encontrarmos liquidez apertada nesse mercado, também podemos agir", disse.
As afirmações do diretor aconteceram horas depois de o BC mostrar suas armas ao mercado ao oferecer mais de 112 mil contratos de swap cambial tradicional - que correspondem à venda de dólares no mercado futuro. A operação anunciada após os primeiros negócios na abertura do mercado na quinta-feira correspondia à oferta de mais de US$ 5,5 bilhões no mercado futuro. Da oferta total, foram vendidos pouco 55 mil contratos em uma operação que alcançou US$ 2,7 bilhões e conseguiu interromper a escalada das cotações.
Nessa sexta-feira, o dólar opera em queda. Às 10h56, a moeda americana é vendida a R$ 1,8700, em baixa de 2,09%.
Inflação
Tombini garantiu que a inflação no País está sob controle e que deve cair até abril e maio de 2012, convergindo para o centro da meta, de 4,5%, até o fim do próximo ano. Tombini disse que o BC irá avaliar o impacto da alta do dólar ante o real sobre a inflação.
"O impacto das variações do câmbio sobre os preços internos tem diminuído ao longo do tempo no Brasil, e nós vamos avaliar sempre essas condições no trabalho do Banco Central de fazer com que a inflação se estabilize e convirja para nossa meta de inflação", afirmou.