Economia

Banco Pleno: entenda a relação com o Master e o caminho até a liquidação pelo BC

Instituição foi vendida a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro; ambos foram presos na Operação Compliance Zero

Banco Pleno foi liquidado pelo Banco Central nesta quarta-feira
Banco Pleno foi liquidado pelo Banco Central nesta quarta-feira Foto : Banco Pleno/Divulgação

Liquidado nesta quarta-feira, 18, pelo Banco Central, o Banco Pleno acumulava um histórico de reestruturações, trocas de controle e ligação direta com o conglomerado do Banco Master.

A instituição, que já se chamou Indusval e depois Voiter, foi incorporada pelo Master em 2024 e, no ano seguinte, vendida a um ex-sócio do próprio grupo, passando a operar sob o nome de Banco Pleno.

O atual dono, Augusto Lima, deixou a sociedade com Daniel Vorcaro em julho de 2025. Ambos foram presos no âmbito da Operação Compliance Zero, sendo posteriormente liberados sob uso de tornozeleira eletrônica.

A seguir, veja os principais pontos sobre a trajetória e as conexões do banco.

Indusval, Voiter e Pleno

O banco teve origem no antigo Indusval, tradicional instituição voltada ao financiamento de empresas e do agronegócio. Após anos de prejuízos e tentativas de reestruturação, passou por um processo de transformação e, em 2019, adotou o nome Voiter, dentro de uma estratégia de digitalização.

Em 2023, chegou a receber proposta de aquisição da Capital Consig, que não avançou. No início de 2024, acabou incorporado ao conglomerado do Master.

Passagem pelo Master

Sob o guarda-chuva do Master, o então Voiter integrou a estratégia de expansão do grupo. Meses depois, em julho de 2025, o banco foi vendido a Augusto Lima, ex-sócio do Master.

A operação foi aprovada pelo Banco Central com uma série de condicionantes, entre elas reforço de capital e restrições à emissão de CDBs, para limitar a exposição ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A transferência ocorreu em meio às negociações de venda do Master para o Banco Regional de Brasília (BRB). Pouco depois, vieram à tona investigações que atingiram o conglomerado.

Embora o Pleno não integrasse mais formalmente o grupo no momento da liquidação, sua trajetória recente esteve diretamente ligada ao Master e a seus antigos controladores.

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Quem é Augusto Lima

Augusto Lima construiu carreira no crédito consignado, com a criação do Credcesta, e ganhou projeção no mercado financeiro nos últimos anos.

Ele e Daniel Vorcaro, dono do Master, foram presos em 2025 no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes em carteiras de crédito vendidas ao BRB.

Lima também teve negócios ligados a fundos geridos pela Reag, instituição que acabou liquidada pelo Banco Central após ser alvo de investigação.

Estrutura financeira pressionada

Dados mais recentes disponíveis no BC, referentes a junho de 2025, indicavam que o então Voiter tinha patrimônio líquido de R$ 672,6 milhões e lucro líquido acumulado de R$ 169,3 milhões. Em contrapartida, o passivo totalizava R$ 6,68 bilhões, sendo R$ 5,4 bilhões em CDBs.

A forte dependência desses títulos elevava a exposição ao FGC. No mercado secundário, os papéis chegaram a ser negociados a 165% do CDI no fim de 2025, sinalizando aumento do risco percebido pelos investidores.

Sem poder emitir novos CDBs por determinação do BC, o banco enfrentou dificuldades crescentes para rolar dívidas e honrar vencimentos, cenário que culminou na liquidação extrajudicial anunciada hoje.

Sequência de liquidações

A liquidação do Pleno ocorre após medidas semelhantes envolvendo instituições do mesmo entorno societário. Em novembro, foram liquidados o Banco Master, o Master de Investimento, a Master Corretora e o Letsbank.

Em janeiro, o BC também decretou a liquidação da Reag e do Will Bank, este último igualmente ligado ao conglomerado do Master.

Segundo o Banco Central, o conglomerado do Pleno representava 0,04% dos ativos e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional, o que indica impacto sistêmico limitado — mas reforça a dimensão da crise envolvendo o antigo grupo.

Impacto no Fundo Garantidor de Créditos

Com a liquidação do Banco Pleno, o volume de recursos mobilizados pelo FGC para ressarcir investidores deve superar R$ 50 bilhões, somando-se aos pagamentos ligados ao Banco Master e ao Will Bank.

Segundo o Banco Central, o Pleno tinha cerca de 160 mil credores elegíveis à garantia, totalizando aproximadamente R$ 4,9 bilhões.

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