Política

Banco Master: O que se sabe sobre o caso

Instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central após a descoberta de operações fraudulentas que inflavam a sua captação de recursos

Ministro é citado em celulares apreendidos de Daniel Vorcaro
Ministro é citado em celulares apreendidos de Daniel Vorcaro Foto : Rosinei Coutinho/STF/CP

A investigação envolvendo as possíveis fraudes do Banco Master segue tendo desdobramentos. O episódio mais recente se deu nesta quinta-feira, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator do caso, Dias Toffoli, rejeitou a possibilidade de se afastar da função.

A recusa ocorre após a Polícia Federal (PF) encontrar menções ao ministro nos celulares apreendidos de Daniel Vorcaro, dono da instituição que está preso desde novembro de 2025. De acordo com o material da PF, um resort no qual o magistrado é sócio teria recebido pagamentos de empresa ligada ao banco.

Entenda o caso

Novembro de 2025

  • O Banco Central decretou a liquidação do Banco Master em novembro de 2025. Sob o controle de Daniel Vorcaro, a instituição cresceu rapidamente ao oferecer rendimentos muito acima da média do mercado. A prática era viabilizada por operações fraudulentas que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro. Enquanto isso, a liquidez real – dinheiro disponível para pagar os investidores – se deteriorava.
  • Em busca de captar recursos, a empresa atraía clientes com taxas insustentáveis. O problema é que esses juros exorbitantes precisariam ser pagos no futuro. Quando o banco se viu na obrigação de pagá-los, enfrentou dificuldades em ter dinheiro disponível para isso. Em outras palavras: sofreu uma crise de liquidez.
Investigações apontam para desvio de dinheiro e esquema de pirâmide | Foto: WERTHER SANTANA / ESTADÃO CONTEÚDO / CP
  • A investigação se concentra na solução encontrada para o problema. Para adiar a inadimplência, a instituição concedia empréstimos com carência de até cinco anos. Desse modo, utilizava os Certificados de Depósito Bancário (CDB) novos para pagar investidores antigos. Tudo isso ocorria sem lastro em valor real, o que configura um esquema de pirâmide.

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  • A Reag Investimentos – liquidada pelo Banco Central – também teve papel crucial no caso, segundo PF. A gestora vendia ativos de baixo (ou nenhum) valor real por preços inflados. Quem comprava eram empresas-laranja que pegavam dinheiro emprestado do Banco Master. Assim, os recursos circulavam em fundos ligados às mesmas companhias. Entre 2023 e 2024, o Master teria desviado cerca de R$ 11,5 bilhões fictícios por meio dessas triangulações.
  • As primeiras suspeitas quanto à credibilidade da instituição surgiram em 2024. A desconfiança fez a captação diminuir e, em virtude disso, o Master entrou em colapso. Em busca de diluir a fraude em um banco público, buscou-se vender parte da empresa para o BRB. Não funcionou. Em setembro de 2025, o Banco Central barrou a operação.

Fraudes transbordam na política

Novembro de 2025

  • O esquema veio à tona a partir da Operação Compliance Zero. Em pouco tempo, foram descobertas ligações entre o banco fraudulento e importantes figuras da política nacional, sobretudo, no Judiciário.
Esposa de Moraes mantinha contrato milionário com banco | Foto: Rosinei Coutinho/STF/CP
  • Um dos casos tem proximidade com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Foram descobertos contratos milionários entre o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane de Moraes, com a instituição. Os valores fogem do preço praticado no mercado e apontam para possível compra de influência.
  • A situação que mais tem gerado repercussão, entretanto, envolve o ministro Dias Toffoli. O magistrado foi designado como relator do processo na Corte no dia 28 de novembro de 2025. Um dia depois, ele viajou para a Final da Libertadores no mesmo jatinho em que estava um dos advogados de defesa do banco.

Dezembro de 2025

  • O ministro optou por manter a investigação em sigilo. Nos últimos dias do ano, ele ainda foi responsável por, durante a condução dos trabalhos, marcar acareações consideradas prematuras.

Janeiro de 2026

  • Já em 2026, ele determinou que o material apreendido pela Polícia Federal (PF) fosse lacrado e enviado para a sede do Supremo. Normalmente, as provas obtidas ficariam em posse da PF. Posteriormente, Toffoli recuou e autorizou o acesso aos documentos, mas designou agentes por conta própria para acompanhar a perícia.
PF pediu suspeição de Toffoli no caso | Foto: PF / Divulgação / CP
  • Nesta quarta-feira, a PF terminou de inquerir os celulares apreendidos de Daniel Vorcaro. Nos aparelhos, foram encontradas uma série de menções ao ministro. O material periciado, inclusive, revelou pagamentos feitos por empresa relacionada ao banco para o Tayayá Resort, empreendimento do qual Toffoli e seus familiares são sócios

12 de fevereiro de 2026

  • O jurista, em nota, reconheceu sua ligação com o resort nesta quinta-feira, porém afirmou que não exerce nenhuma função de gestão. De acordo com ele, a companhia é administrada por seus irmãos. Dada a circunstância, a PF pediu o afastamento do ministro da relatoria. Por enquanto, ele nega essa possibilidade.
  • O presidente do STF, Edson Fachin, marcou para a noite desta quinta-feira uma reunião com os demais integrantes da Corte para falar sobre o assunto.