Economia

BC cogitar vender dólares das reservas internacionais para conter alta da moeda

Divisa norte-americana chegou a ser cotada a R$ 4,24 nesta quinta

Tombini não descarta venda de dólares das reservas internacionais
Tombini não descarta venda de dólares das reservas internacionais Foto : Antônio Cruz / Agência Brasil / CP
O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, não descartou a possibilidade de venda de dólares das reservas internacionais. O dólar está em forte alta, nos últimos dias. Nesta quinta-feira, a moeda chegou a ser cotada a R$ 4,2479, às 10h29, e às 12h09, estava em R$ 4,2026. Na quarta-feira, o dólar comercial fechou cotado para venda em R$ 4,146.

“Todos os instrumentos estão no raio de ação do Banco Central caso seja necessário”, disse Tombini, que participou, pela primeira vez, do início da coletiva de imprensa sobre o Relatório Trimestral de Inflação, divulgado nesta quinta pelo BC.

Nessa quarta-feira, o Banco Central fez leilões de venda de dólares das reservas internacionais com compromisso de recompra futura e de novos contratos de swap (operação equivalente à venda de dólares no mercado futuro), o que não era feito desde abril. O órgão vinha fazendo apenas operação de rolagem (renovação) de swaps cambiais. Tombini destacou que a atuação do BC tem o objetivo de fazer com que o mercado de câmbio funcione e para diminuir as volatilidades (fortes oscilações).

O presidente do BC não descartou mudanças nos depósitos compulsórios, recursos que os bancos são obrigados a deixar depositados. Ele disse que está monitorando as condições de liquidez (recursos disponíveis) na economia. Ao reduzir compulsórios, o BC libera mais recursos para circulação no mercado. “Temos todos os instrumentos à disposição no nosso raio de ação para tratar em período de maior estresse da economia brasileira”, disse.

Tombini também afirmou que a estratégia de política monetária é de manutenção da atual taxa básica de juros, a Selic, em 14,25%, “por período suficientemente prolongado”. Segundo o presidente do BC, as elevações de juros no mercado, maiores nos últimos dias, “não devem ser entendidas como expectativa para a trajetória futura para a taxa Selic. Não servirá de guia para a condução da política monetária nos próximos meses”, enfatizou.

Tombini acrescentou que o BC trabalha em conjunto com o Tesouro Nacional para reduzir as fortes oscilações nos mercados financeiros, em momento de “maior estresse financeiro”.

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