A porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, fez críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, depois que o americano anunciou taxas de 50% sobre produtos brasileiros e desencadeou uma crise diplomática com o Brasil.
Em entrevista coletiva, publicada nesta sexta-feira no Estadão, Ning destacou que a não interferência de países em assuntos internos de outras nações faz parte dos princípios fundamentais da Carta da ONU.
Mao Ning manifestou-se a partir de um questionamento de um jornalista sobre o assunto. “A igualdade soberana e a não interferência nos assuntos internos são normas básicas nas relações internacionais. As tarifas não devem ser um instrumento de coerção, intimidação ou interferência”, disse.
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Já nesta sexta-feira, Trump sinalizou que pode conversar com Lula sobre as altas tarifas. "Em algum momento posso falar com Lula, mas não agora", afirmou, ao ser questionado sobre o tema por repórteres em frente à Casa Branca.
O “tarifaço” de Trump, anunciado também pela insatisfação do chefe de estado americano com a suposta perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro, teve repercussão internacional. Internamente, diversas entidades do Brasil se manifestaram com preocupação.
Resposta de Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, nesta quinta-feira, que criará um comitê emergencial com empresários para acompanhar a situação entre Brasil e Estados Unidos.
Lula classificou a medida como “desrespeitosa”. “A primeira coisa que o povo brasileiro precisa saber é que quem tem que respeitar o Brasil e gostar do Brasil são os brasileiros. E, ao mesmo tempo, exigir que os outros nos respeitem”, afirmou Lula.
Ele também acusou Trump de desconhecer a realidade comercial entre os dois países. “Se ele conhecesse um pouco do Brasil, teria mais respeito. O Brasil tem 201 anos de relação diplomática com os Estados Unidos, uma relação virtuosa, de benefício mútuo. Eu me dei bem com todos os presidentes americanos, porque o Brasil é um país de diálogo.”