Os reflexos do conflito no Oriente Médio, entre EUA e Irã, além da entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia (UE), foram os temas da palestra do economista sênior do Itaú BBA, André Matcin, na reunião-almoço da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha no Rio Grande do Sul (AHKRS). No encontro, Matcin ainda apresentou projeções do banco sobre o futuro da economia brasileira, alertando para o impacto de desafios fiscais e das eleições nos números.
A palestra teve como tema “Tabuleiro Global, onde Economia, Política e Guerra se Encontram”, na qual o economista apontou o acordo entre Mercosul e UE como uma oportunidade estratégica para o Brasil, que se tornou um país atrativo para investimentos em meio ao cenário internacional. Geopoliticamente, Matcin ressaltou que o Brasil tem se beneficiado com o conflito por ser abundante em recursos naturais, principalmente alimento, minerais e energia.
“Temos oportunidades na infraestrutura, no agronegócio e na indústria. O acordo vem para catalisar esses benefícios, pois traz previsibilidade regulatória, abre espaço o comércio entre os blocos e ainda aumenta o acesso das empresas brasileiras a novas tecnologias importadas. Isso abre espaço para que empresas europeias, especialmente alemãs, façam investimentos a longo prazo, trazendo um ganho duradouro para a economia do Brasil”, explicou.
Apesar disso, o economista alerta que esse cenário nacional precisa ser analisado com cautela, principalmente em função dos impactos dos desafios fiscais e do processo eleitoral que ocorrerá ainda em 2026. Ele também falou sobre o cenário econômico atual das famílias brasileiras. “O poder de compra não é o problema, pois o salário tem reajuste acima da inflação. O problema é que 30% da renda das famílias está sendo destinada na amortização de juros”, completou.
Sobre projeções e desafios, Matcin divulgou que a expectativa do Itaú para a economia brasileira é de que, em 2026, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) fique 1,9%, com uma taxa de desemprego de 5,7%. Já em 2027, o crescimento do PIB seja de 1,7%, com a taxa desemprego podendo atingir 6%.
Sobre o conflito entre Irã e EUA, a expectativa é de normalização no Estreito de Ormuz em maio, com o preço do barril de petróleo podendo cair para a casa dos 80 dólares até o final do ano. Para isso, soluções precisam ser encontradas entre ambas as partes. Para ele, o principal reflexo dessa crise no Brasil é a influência no preço do diesel para o agronegócio e para a indústria.
Ele alerta ainda que, no setor do agro, poderão haver impactos na importação de fertilizantes, no qual o Irã é um dos principais exportadores, repercutindo nos custos das próximas safras. No setor industrial brasileiro, o economista citou que o principal desafio do momento está no aumento da produtividade nas indústrias de transformação.
- Fechamento de Ormuz asfixia economia mundial, alerta ONU
- Não me importo que Powell continue ou não no Fed, diz Trump
- Salário médio do trabalhador amplia recorde e chega a R$ 3.722
- Tomada de decisão em cenários complexos é tema de encontro em Porto Alegre
Participação gaúcha na Feira de Hannover
Na abertura do encontro, um dos vice-presidentes da AHKRS, o advogado Guilherme Mallann Lippert, destacou a participação gaúcha na Feira de Hannover, na Alemanha. “Dos 140 expositores brasileiros, 38 eram gaúchos. Quase 40% da delegação brasileira era de formada por gaúchos. Marcamos uma boa presença na feira. Fomos capazes de mostrar que não somos apenas fornecedor de commodities, mas também de tecnologia”, destacou Lippert.