Economia

Cooperativas recicladoras podem ser extintas se “ineficiência” dos rejeitos for atribuída a elas, diz promotora do MPSP em Porto Alegre

Seminário Resíduos Sólidos, Economia Circular e Descarbonização, do MPRS e Abrampa, ocorre nesta sexta-feira na Capital

Promotora de justiça do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Alexandra Facciolli Martins, palestrou no evento
Promotora de justiça do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Alexandra Facciolli Martins, palestrou no evento Foto : Camila Cunha

Para a descarbonização, o caminho possível é a integração entre entidades, evitar atalhos e cumprir firmemente a legislação, disse nesta sexta-feira a promotora de justiça do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Alexandra Facciolli Martins, durante o Seminário Resíduos Sólidos, Economia Circular e Descarbonização, promovido na sede do Ministério Público gaúcho (MPRS), em Porto Alegre.

O evento, promovido pela Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa), reúne também cooperativas e demais entidades, para discutir a importância da coleta seletiva e da logística reversa. Ela alertou ainda que as instituições cooperadas estão fadadas à extinção.

Relatou também casos em que a coleta seletiva é feita com caminhões compactadores, que entregam os resíduos misturados e danificados às cooperativas. Isso resulta em uma alta taxa de rejeitos, sendo que o ônus desta alegada ineficiência da coleta é erroneamente atribuído a elas. “É inviável compactuarmos com uma situação que alimenta condições sanitárias absolutamente inadequadas. Há um risco à saúde destes trabalhadores e não estamos olhando para toda esta cadeia, para este mercado e economia”, salientou Alexandra.

A promotora destacou ainda que o Ministério Público do Trabalho (MPT) tem sido parceiro nos desafios relacionados às contratações. Ainda conforme ela, a preocupação muitas vezes se concentra apenas na etapa final, a exemplo da criação de aterros sanitários para erradicar os lixões, enquanto as etapas preliminares e essenciais, como coleta, transbordo, transporte e triagem, são negligenciadas.

Existe ainda um “jogo de empurra”, segundo ela, em que o o poder público muitas vezes deixa de implementar a coleta seletiva, esperando que o setor privado cumpra a logística reversa, embora a legislação determine que as duas ações devem ocorrer de forma concomitante. É preciso ainda abordar a gestão de resíduos em um cenário onde sete dos nove limites naturais planetários já foram ultrapassados.

“Precisamos pensar o papel dos resíduos em relação à necessidade de mitigação dos gases de efeito estufa e a importância de já desde o início participarmos dessa discussão e pensarmos em caminhos. Conseguimos avanços, mas também retrocessos, nestes 30 anos em que trabalho com isso”, comentou ela.

Além de Alexandra, o painel de abertura, intitulado Logística Reversa e Reciclagem como estratégia de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva, teve a participação de Ana Paula Medeiros, da Unidade de Triagem Vila Pinto; Joelson Gonçalves (Programa Sustentare); Rogério Uzun Sanfelici Fleischmann (MPT-RS) e André Guedes (Faculdade Estácio Porto Alegre).

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