Economia

Crise política sustenta alta do dólar nesta sexta-feira

No maior valor da sessão, a ativo chegou aos R$ 3,4730

No maior valor da sessão, a ativo chegou aos R$ 3,4730
No maior valor da sessão, a ativo chegou aos R$ 3,4730 Foto : Wang Jun-Young / AFP / CP Memória
O dólar avançou pela quarta sessão consecutiva frente ao real nesta sexta-feira, diante de preocupações sobre o impacto da crise política nas propostas econômicas no País. O novo capítulo da turbulenta política brasileira já
resultou na saída de dois ministros e acusações contra o presidente Michel Temer, levando a divisa norte-americana aos R$ 3,4663 (+2,14%) na máxima do dia do segmento à vista. Ao longo da sessão, o estresse do mercado foi atenuado, com movimentos técnicos, enquanto a crise em Brasília era digerida, o que não significou, entretanto, que a confusão tenha chegado ao fim. Com isso, o valor de fechamento foi de R$ 3,4074 (0,40%). O giro, elevado para uma emenda de feriado nos EUA, foi de US$ 1,201 bilhão.

No segmento futuro, o contrato de dólar para dezembro encerrou em alta de 0,62%, aos R$ 3,4190, com movimentação de US$ 13,338 bilhões. No maior valor da sessão, a ativo chegou aos R$ 3,4730 (+2,21%).

O início do dia foi de estresse, com o dólar nas máximas. Os ativos nacionais reagiram à notícia de que o presidente Michel Temer teria sido acusado de tráfico de influência pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero. Em depoimento à Polícia Federal, Calero teria dito que foi "enquadrado" pelo presidente depois de ser pressionado pelo então ministro-chefe da Secretaria de Governo, Geddel Viera Lima, para liberar o desenvolvimento de um projeto imobiliário na Bahia.

Intensificada a crise em Brasília, Geddel pediu demissão do cargo, trazendo alguma amenização na alta do dólar. A leitura entre especialistas é que o pedido de demissão de Geddel alivia, mas não encerra a crise política em Brasília. A demora do Planalto em tomar uma decisão mais definitiva alimentou preocupações sobre a capacidade do governo em lidar com temas delicados, como poderá ser o caso da reforma previdenciária.

A turbulência na capital pode ser amplificada pelo ambiente de tensão, trazido pelas discussões de parlamentares sobre anistia à prática de Caixa 2 e pelo acordo de delação premiada da Odebrecht.

Hoje, mesmo diante da crise política, o Banco Central se manteve ausente do mercado de câmbio. Parte do mercado acreditava que a autarquia poderia anunciar leilão de swap tradicional hoje de modo a aliviar a pressão; no entanto, com a atenuação do movimento no câmbio, essa expectativa foi perdendo força.

Bovespa 

Apesar de os índices acionários em Nova York terem renovado sua pontuação histórica nesta volta do feriado de Ação de Graças, em sessão reduzida em razão da Black Friday, no Brasil, a Bovespa teve um dia de volatilidade. O anúncio da demissão de Geddel chegou a colocar a bolsa no positivo no começo da tarde, mas o sinal negativo prevaleceu a partir da aceleração da queda dos preços do petróleo e da constatação de que, a despeito da saída do ministro, o "episódio Geddel" ainda pode ter consequências negativas para o governo Temer.

Quando parecia que a bolsa fecharia perto da estabilidade, nos ajustes finais do pregão o sinal positivo se impôs e o Ibovespa acabou o dia na máxima de 61.559,07 pontos (+0,27%), com a migração de parte das ações da Petrobras para o azul, o que, contudo, não refletiu o tom que prevaleceu ao longo da sexta-feira.

O volume esteve mais baixo do que o padrão em função do "meio feriado" nos EUA e somou R$ 5,598 bilhões. Na mínima, o Ibovespa marcou 60.573 pontos (-1,34%). Em novembro, acumula desvalorização de 5,18%. Em 2016, há avanço de 42,01%. Nesta semana, acumulou alta de 2,66%.

O mercado abriu em queda firme, reagindo à notícia de que o ex-ministro Marcelo Calero teria dito, em depoimento à Polícia Federal, que o presidente Michel Temer o "enquadrou" para tentar buscar uma saída para o impasse na liberação do empreendimento imobiliário onde o ministro comprou um apartamento.

Mais tarde, veio o anúncio do pedido de demissão de Geddel, aceito por Temer, e a Bovespa respirou, migrando para o azul, quando atingiu as máximas. Durante a etapa vespertina, contudo, passou a alternar altas e baixas, sem firmar tendência.

Enquanto as bolsas norte-americanas fincavam pé no terreno positivo, marcando novas máximas, o petróleo, de outro lado, aprofundou as perdas. As cotações na Nymex e na ICE Futures fecharam com perdas próximas a 4% no contrato que vence em janeiro. Aqui, as ações da Petrobras sentiram o baque, com a PN em baixa de 1,80%. A ON virou para o positivo nos ajustes e terminou em leve alta de 0,11%.

Além do desempenho do petróleo, o cenário político teve papel relevante nos negócios desta sexta-feira, contribuindo em boa medida para o descompasso entre Brasil e NY. "Agora já temos o envolvimento do próprio Temer, da AGU e do Padilha. Não se sabe quanto aos desdobramentos, o que poderemos ter no fim de semana, se houve ou não gravação e, se houve, qual o teor. Não tem nada resolvido", disse o operador da mesa institucional da Renascença, Luiz Roberto Monteiro.

O que o investidor mais teme é o risco para a aprovação das reformas, às vésperas da votação da PEC do teto dos gastos públicos em primeiro turno no Senado, prevista para o dia 29, e a da Previdência, considerada a batalha mais difícil.

Enquanto a Petrobras acusava o golpe do recuo do petróleo, de outro lado, Vale e siderúrgicas tiveram bom desempenho, embaladas por mais um dia de avanço, de 3%, nos preços do minério de ferro. Vale PNA subiu 4,53% e Vale ON, +4,75%, liderando o ranking das maiores altas do índice.

Taxas de juros 

As notícias de que a conta de luz voltará a ter bandeira tarifária verde, ou fim da cobrança adicional, em dezembro, e de que o Governo Central teve um superávit primário de R$ 40,814 bilhões em outubro, acima do teto do intervalo de estimativas, trouxeram algum alívio à tarde ao avanço dos juros futuros na tarde desta sexta-feira, 25. Ainda assim, as taxas fecharam em alta expressiva, sustentada pelo cenário político conturbado.

O dia começou com disparada dos juros, em meio à repercussão da informação de que o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero disse à Polícia Federal que o presidente Michel Temer o "enquadrou" para tentar buscar uma saída para o impasse na liberação de um empreendimento imobiliário em Salvador, onde Geddel comprou um apartamento. A conversa com Temer teria sido gravada por Calero. No fim da manhã, a renúncia de Geddel ao cargo reduziu a pressão no mercado.

"O mercado melhorou com a saída de Geddel, voltou a piorar e depois, com a bandeira verde e superávit, voltou a melhorar. Mas o cenário político ficou bastante conturbado", disse um operador. Segundo ele, a percepção é de que a insatisfação com o governo já está crescendo e representa risco ao ajuste fiscal. "E ainda tem o risco de Trump (presidente dos EUA) fazer anúncios a qualquer momento."

Ao término da sessão regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2018 tinha taxa de 12,16%, na mínima, ante 12,14% no ajuste de quinta-feira. O DI para janeiro de 2019, de 11,76%, ante 11,67%. No trecho longo, o DI para janeiro de 2021 indicava 12,06%, de 11,88% no ajuste anterior.

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