Uma nova onda de preocupações com o ritmo da economia global, em especial a chinesa, voltou a aumentar a aversão ao risco, com os investidores estrangeiros dando preferência a ativos considerados seguros. O mercado brasileiro de câmbio foi afetado pela aversão a risco nesta terça-feira, embora outros fatores também tenham contribuído para a alta de 2% do dólar, que fechou cotado a R$ 3,5650 no mercado à vista.
O avanço da moeda americana no exterior, em meio às preocupações com a economia global, e o leilão de swap cambial reverso feito pelo Banco Central foram dois dos principais motivos para o movimento. Mas profissionais citaram ainda a possibilidade de novas medidas de tributação serem adotadas na área de câmbio, seja no governo Dilma Rousseff, seja na administração Michel Temer.
O dólar já abriu o dia em alta superior a 1%, sob influência do exterior e com investidores à espera da operação com swaps reversos do BC. Lá fora, as divisas de emergentes e exportadores de commodities eram penalizados pela China, cujo PMI industrial teve a 14ª queda consecutiva, passando de 49,7 em março para 49,4 em abril. No Brasil, o BC acabou vendendo 9.800 dos 20.000 contratos de swap cambial reverso. A operação, cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro, representou a retirada de US$ 490 milhões do sistema.
Bovespa
A aversão ao risco no mercado internacional derrubou as bolsas de valores em todo o mundo e foi determinante para levar a Bovespa a fechar em queda de 2,43% nesta terça-feira, 3, bos 52.260,18 pontos. O volume de negócios totalizou R$ 6,80 bilhões, abaixo da média das últimas semanas. A preocupação dos investidores com dados do balanço trimestral do Itaú Unibanco derrubou as ações de todo o setor financeiro, o que reforçou o ímpeto vendedor na bolsa brasileira.
Uma nova onda de preocupações com o ritmo da economia global, em especial a chinesa, voltou a aumentar a aversão ao risco, com os investidores estrangeiros dando preferência a ativos considerados seguros.
As commodities reagiram com baixa expressiva. O minério de ferro teve queda de 4,1%, refletindo o temor da desaceleração industrial na segunda maior economia do mundo. O petróleo recuou 2,52% na Nymex e 1,88% na ICE, influenciado pelo temor de persistência do excesso de oferta em relação à demanda. Afetadas pelas quedas dessas commodities, as ações da Vale perderam 6,09% (ON) e 6,53% (PNA), e as da Petrobras recuaram 3,39% (ON) e 3,83% (PN).
As ações do Itaú Unibanco mergulharam em forte desvalorização e contaminaram outros papéis do setor bancário. Itaú Unibanco PN, ação de maior peso na composição do Ibovespa, terminou o dia em queda de 5,76%. Além da queda de 9,58% no lucro do banco entre janeiro e março, divulgado pela manhã, pesou nas ações o aumento de 31% das provisões para créditos duvidosos. Diante do temor de maior risco de calotes no sistema financeiro, também fecharam em baixa Banco do Brasil ON (-5,15%), Bradesco PN (-2,09%) e Santander Unit (-1,42%).
Taxas de juros
Os juros futuros encerraram a sessão em alta nos vencimentos longos e estáveis, mas com viés de queda em alguns contratos, no trecho curto da curva a termo. Os negócios foram marcados pela cautela com a economia global reforçada por um dado fraco da atividade na China, que também pesou nas bolsas e moedas de mercados emergentes. No âmbito doméstico, os investidores seguiram acompanhando o noticiário sobre o perfil da equipe econômica em um eventual governo Michel Temer, se houver o impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Ao término da etapa regular da sessão na BM&FBovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 tinha taxa de 13,655%, de 13,660% no ajuste anterior. O DI janeiro de 2018 fechou estável em 12,75%. O DI janeiro de 2021 subiu de 12,41% para 12,49%.
Os juros longos já começaram o dia em alta, alinhados ao estresse visto no exterior. O dado ruim da China alimentou a percepção de que o país pode entrar numa trajetória mais acentuada de desaceleração, o que traria consequências negativas para vários países. Adicionalmente, a União Europeia reduziu suas projeções de crescimento para diversas economias e o Banco Central da Austrália inesperadamente cortou sua principal taxa básica de juros, de 2,00% para 1,75%, pela primeira vez em um ano, numa tentativa de combater a ameaça de deflação e a valorização da moeda local.
O trecho mais curto oscilou perto da estabilidade, com viés de queda em alguns contratos, embutido por mais especulações em torno dos nomes que podem assumir o Banco Central em caso de impeachment de Dilma. "Houve um fortalecimento de aposta de que Alexandre Tombini pode permanecer no Banco Central numa eventual gestão de Henrique Meirelles na Fazenda", disse o analista de renda fixa da Eleven Financial, Getulio Ost. Tombini é considerado menos ortodoxo do que os nomes que estão sendo cogitados nas mesas de operações, como o dos ex-diretores Mário Mesquista e Afonso Bevilaqua, e que vinham imprimindo um viés de alta para os DIs curtos nos últimos dias.
O resultado da produção industrial brasileira em março, que subiu 1,4% ante fevereiro, ficou dentro do esperado pelo mercado e não chegou a mexer com os negócios. As estimativas eram de crescimento entre 0,30% e 3,60%, com mediana de 1,50%.
Dólar à vista fecha em alta de 2%, cotado a R$ 3,56
Aversão ao risco no mercado internacional derrubou as bolsas de valores em todo o mundo