O mercado de câmbio operou com giro pequeno e tendência de alta na maior parte da sessão desta segunda-feira. A demanda pelo dólar foi estimulada pelo forte recuo do petróleo, a queda de moedas emergentes e preocupações com o quadro fiscal do país, segundo operadores de câmbio. No fechamento, o dólar subiu 0,91%, chegando a R$ 3,2885.
A fraca agenda diária também deixou os investidores em compasso de espera por eventos importantes da semana. Internamente, estão no radar a divulgação da ata da reunião do Copom da semana passada, os dados fiscais do setor público consolidado (dia 29) e de arrecadação federal, ainda sem data marcada. Entre balanços, Vale, Natura, Santander, Bradesco divulgam seus resultados do segundo trimestre nesta semana. Lá fora, os destaques são os encontros de política monetária do Federal Reserve na quarta-feira e do Banco do Japão (BoJ) na quinta e sexta, e ainda o PIB dos Estados Unidos, na sexta-feira, além de balanços da Apple, Facebook, Caterpillar, McDonald's, entre outros.
O economista Ignácio Crespo Rey, da Guide Investimentos, disse que os mercados operaram com volumes fracos internamente e em Nova York. Há muita expectativa pela reunião do Fed na quarta e do BoJ na sexta-feira, disse ele. Sua percepção é de que os investidores trabalham com a possibilidade de alta de juro até o final do ano nos Estados Unidos. Por lá, alguns bancos não descartam que o Fed vai deixar as portas abertas para uma elevação em setembro, embora as previsões são de uma elevação no mínimo a partir de dezembro.
Em relação ao ambiente fiscal, Crespo Rey acredita que, com a definição sobre o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff em agosto, o governo interino vai começar a discutir de forma mais intensa as reformas e a necessidade do ajuste fiscal. "Tirando o impeachment da frente, o tom poderá ficar mais duro e a entrevista hoje do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, vai nesse sentido", comentou.
Em evento na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Fijran), o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que as "despesas vinculadas tornam o ajuste fiscal quase impossível". Além desse impasse, os agentes econômicos observam a possibilidade de Meirelles vir a anunciar um aumento de tributos. Ele avisou aos parlamentares hoje que, caso não seja aprovada a criação de um teto para gastos públicos, o País terá alta de impostos e juros elevados por longo tempo.
Dólar abre semana em alta, cotado a R$ 3,28
Demanda pela moeda norte-americana foi estimulada por preocupações com quadro fiscal do país