Economia

Dólar avança e fecha em R$ 3,29

Mercado acelerou as compras após a divulgação do déficit primário nas contas do governo central

Dólar avança e fecha em R$ 3,29 nesta quinta-feira
Dólar avança e fecha em R$ 3,29 nesta quinta-feira Foto : Mark Wilson / AFP / CP Memória
O dólar ampliou a alta frente o real durante a tarde desta quinta-feira, mas ficou ainda abaixo do patamar de R$ 3,30. O mercado acelerou as compras após a divulgação do déficit primário nas contas do governo central, de R$ 8,801 bilhões em junho - o pior resultado para o mês em 19 anos, desde o início da série histórica em 1997. Com isso, o resultado primário no primeiro semestre foi deficitário em R$ 32,521 bilhões, também o pior resultado desde o início da série. Nos seis primeiros meses do ano passado o primário acumulava déficit de R$ 1,706 bilhão.

Houve compras de investidores estrangeiros e uma movimentação especulativa visando a preparação do terreno para a disputa em torno da formação da taxa Ptax de amanhã, a última de julho, de acordo com os profissionais do mercado.

A nova queda do petróleo também pesou, uma vez que a commodity passou a acumular perdas em julho ao redor de 14% em Londres e de 16% em Nova York. Além disso, há desconforto pela espera há mais de 15 dias por eventual anúncio de estímulos em economias desenvolvidas, além de medidas concretas de ajuste fiscal do governo brasileiro.

No mercado à vista, o dólar fechou em alta de 0,83%, aos R$ 3,2943. O volume financeiro negociado somou cerca de US$1,446 bilhão. Na BM&FBovespa, o dólar para agosto encerrou aos R$ 3,290 (+0,72%) e com giro de negócios de US$ 14,199 bilhões.

"O dólar ganhou impulso após a divulgação das contas do governo pelo Tesouro, que foram as piores da série histórica para o mês de junho", disse João Corrêa, superintendente regional da SLW corretora. Segundo ele, teve player já trabalhando também para a formação da Ptax de amanhã e há nas mesas de operação uma certa insatisfação com a equipe econômica, já que nada mudou em relação ao ajuste fiscal.

O operador Durval Corrêa, da Multimoney Corretora, disse que pode ter ocorrido saída de estrangeiro da bolsa e compras de dólares. "Agosto, que começa na próxima segunda-feira, será um mês parado em razão das férias no Hemisfério Norte e alguns investidores também podem já estar fazendo reforço de caixa em dólar", afirmou.

Para o economista-chefe da Guide Investimentos, Ignácio Crespo, a alta do dólar expressa desconforto diante da espera por medidas capazes de sinalizar alguma reversão no horizonte para o déficit fiscal do governo. Já do lado externo, na avaliação de Crespo, há certa frustração porque o recente ciclo de alta das bolsas se apoiou na aposta em novos estímulos, que até o momento não foram anunciados, disse ele.

Amanhã, o Banco Central do Japão encerra sua reunião de política monetária em uma ambiente de grande expectativa por novidades. Desde o começo do mês, o governo japonês vem cogitando a possibilidade de adoção de medidas fiscais, mas por enquanto nada foi confirmado.

Bovespa

Depois de ter caído até 1,51% pela manhã, no auge da correção de preços, o Índice Bovespa terminou esta quinta-feira, em baixa de 0,33%, aos 56.667,11 pontos. O volume de negócios totalizou R$ 7,13 bilhões, acima da média de julho, de R$ 6,69 bilhões. Com o resultado de hoje, o Ibovespa acumula alta de 9,98% no mês e de 30,72% no acumulado de 2016.

As ações do Bradesco foram protagonistas do pregão, exercendo forte influência sobre papéis de outros bancos e sobre o resultado final do Ibovespa. Com quedas de 4,45% (PN) e de 2,88% (ON), os papéis refletiram desconforto dos investidores com alguns aspectos do resultado trimestral. Mais que o balanço, pesou sobre as ações a notícia de que o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília, aceitou denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, e mais três executivos do banco por suposto envolvimento em esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

Em nota, o banco disse que "reitera sua convicção de que nenhuma ilegalidade foi praticada por seus representantes e, em respeito ao rito processual, apresentará oportunamente seus argumentos ao Poder Judiciário". Ainda assim, todo o setor bancário teve queda no pregão de hoje. Banco do Brasil ON recuou 3,77%, seguido por Santander Unit (-1,24%) e Itaú Unibanco PN (-1,10%).

Entre as ações que fazem parte do Ibovespa, a maior queda acabou ficando com Pão de Açúcar PN, que tombou 10,41% depois de anunciar prejuízo líquido consolidado de R$ 583 milhões no segundo trimestre de 2016, ante perdas de R$ 13 milhões no mesmo período do ano anterior. Já Natura ON disparou 10,13% e foi a maior alta do índice, após balanço com lucro de R$ 90,9 milhões, com queda de 22% sobre o mesmo período do ano passado. Apesar da queda, analistas viram expectativa de melhora para as vendas da empresa no Brasil.

A queda dos preços do petróleo influenciou as ações da Petrobras, que terminaram o dia com perdas de 1,91% (ON) e 0,61% (PNA). As ações da Vale seguiram direções diferentes no dia em que a mineradora anunciou lucro líquido de R$ 3,596 bilhões no segundo trimestre, com queda de 30%, gerada principalmente pelo impacto do acidente com a barragem da Samarco, da qual é uma das sócias. Vale ON fechou em alta 0,63%, enquanto Vale PNA caiu 0,80%. O minério de ferro subiu 2,1% hoje no mercado à vista chinês.

Taxas de juros

Os juros futuros fecharam em alta moderada nesta quinta-feira, refletindo uma série de fatores negativos no noticiário e na agenda de indicadores do dia, além do leilão de papéis prefixados do Tesouro Nacional e a alta do dólar. Ao término da negociação regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 (68.550 contratos) fechou em 13,995%, de 13,980% no ajuste de ontem. O DI janeiro de 2018 (81.725 contratos) encerrou na máxima de 12,91%, de 12,84 no último ajuste. O DI janeiro de 2021 (100.897 contratos) subiu de 12,05% para 12,04%.

As taxas passaram boa parte do dia rondando a estabilidade, com viés de alta, principalmente na parte intermediária e fincaram pé no terreno positivo no final da etapa regular depois que o dólar passou a bater máximas, segundo fontes nas mesas de renda fixa.

A boa notícia do dia - queda da inflação medida pelo IGP-M - não conseguiu reduzir os prêmios de risco na curva a termo, uma vez que o investidor segue receoso sobre o cenário fiscal. Se os números da arrecadação, divulgados pela manhã, dentro do esperado, não chegaram a fazer preço, à tarde o dado do governo central (Previdência Social, Tesouro Nacional e Banco Central) provocou um alívio pontual na alta das taxas longas, mas que teve vida curta.

O déficit primário do governo central de R$ 8,801 bilhões em junho veio melhor do que apontava a mediana das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast, de déficit de R$ 13,550 bilhões, e perto do teto das previsões (déficit de R$ 7,900 bilhões). Porém, parte do resultado deveu-se a R$ 5,3 bilhões com receitas extraordinárias de concessões.

Pela manhã, a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que o IGP-M de julho ficou em 0,18%, ante 1,69% em junho, dentro do intervalo das estimativas dos analistas, entre 0,15% a 0,55%, e abaixo da mediana de 0,24%. Já a Receita Federal mostrou que a arrecadação federal em junho somou R$ 98,129 bilhões, também em linha com as expectativas, que iam de R$ 88,125 bilhões a R$ 102,00 bilhões, com mediana de R$ 97,357 bilhões.

O Tesouro Nacional vendeu integralmente a oferta de 7 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN), com giro total de R$ 5,3 bilhões, e também todo o lote de 3 milhões de Notas do Tesouro Nacional - Série F (NTN-F), com volume de R$ 2,7 bilhões.

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