Economia

Dólar cai 0,39% após leilão de swap e e fecha cotado em R$ 3,2767

Moeda americana vinha de três altas consecutivas, com as quais acumulou ganho de 1,75%

Moeda à vista terminou o dia cotado a R$ 3,2767
Moeda à vista terminou o dia cotado a R$ 3,2767 Foto : Marcos Santos / USP Imagens / CP
O dólar firmou tendência de baixa ante o real na tarde desta terça-feira depois de um início de dia marcado pela alternância de sinais. A retomada dos leilões de rolagem de swap cambial do Banco Central foi um dos primeiros fatores a refrear a pressão altista sobre a moeda americana, ainda pela manhã. À tarde, uma redução da percepção de risco do País contribuiu para consolidar o viés de baixa, apesar de a cautela com o cenário político ainda predominar nos negócios.

O dólar à vista terminou o dia cotado a R$ 3,2767, em baixa de 0,39%, depois de ter oscilado entre a mínima de R$ 3,2729 (-0,50%) e a máxima de R$ 3,3019 (+0,38%). A moeda americana vinha de três altas consecutivas, com as quais acumulou ganho de 1,75%.

A expectativa era de manutenção da pressão de compra, dada a proximidade dos dois grandes eventos esperados para o dia: a votação da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e o julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Apesar da cautela com o cenário político e as incertezas sobre o avanço das reformas, houve espaço para algum um alívio da pressão compradora. Profissionais do mercado, no entanto, afirmam que o dólar segue sem tendência definida, até que se conheça os desfechos para as questões que seguem pendentes e que podem interferir nas reformas.

"O real se valorizou mais que a maioria das moedas de outros países emergentes, mas não podemos falar em uma direção para o câmbio, uma vez que neste momento é difícil olhar para outra questão que não seja o cenário político", disse Ignácio Crespo, economista da Guide Investimentos.

Outro fator apontado como reforço do viés de baixa das cotações foi o risco Brasil medido pelo contrato de swap de default de crédito (CDS, na sigla em inglês). Às 17h, o CDS de cinco anos caía 0,24%, para 237,380 pontos-base. Pela manhã, o indicador chegou a subir 0,8%. Pela manhã, o Banco Central vendeu 8.200 contratos de swap cambial tradicional, o que corresponde a US$ 410 milhões. A venda inicia a rolagem dos contratos de swap que vencem em 3 de julho (US$ 6,9 bilhões) e que, segundo estima o mercado, deverá ser novamente integral.

Bovespa

Uma aceleração puxada pelos estrangeiros na ponta de compra na segunda etapa do pregão desta terça-feira, 6, fez com que o Ibovespa firmasse a alta e retornasse ao suporte dos 63 mil pontos, em mais um dia de fluxo abaixo da média de maio. No entanto, no fechamento, houve leve recuo da pontuação para 62.954,69 com alta de 0,81%. O giro financeiro ficou em R$ 6,65 bilhões.

De acordo com operadores, o interesse dos investidores não-residentes está baseado em um novo momento de otimismo, que está se descolando do destino que será dado ao presidente Michel Temer. "A leitura mais otimista de muitos profissionais estrangeiros se baseia na confiança passada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e em dados concretos da economia brasileira, como a redução da inflação e da taxa Selic, além do crescimento do PIB e da recuperação da Petrobras com uma gestão mais profissional", ressaltou Marco Tulli Siqueira, gestor de renda variável da corretora Coinvalores.

Hoje o Comitê de Política Monetária (Copom) divulgou a ata na qual indica que prosseguirá com o processo de afrouxamento monetário, ainda que tenha de reduzir o ritmo de corte da Selic por causa das incertezas causadas pela crise política.

Segundo Siqueira, aliado aos motivos acima, o entendimento é o de que, seja pela substituição do presidente ou pela continuidade dele no cargo, a economia continuará andando e as reformas necessárias para a economia dos gastos públicos e consequente redução da dívida serão aprovadas. "Hoje, as corretoras que operam em nome de estrangeiros tiveram bastante atuação, com lotes expressivos nas pontas compradoras." O impulso no Ibovespa, que renovou seguidas máximas, aconteceu na segunda etapa do pregão. Primeiro, com a inversão de sentido das cotações do petróleo e de metais no mercado exterior, os papéis da Petrobras - única blue chip a cair - passaram a subir. As ações da estatal encerraram o pregão bem na estabilidade 0,07% (ON) e 0,00% (PN).

Depois, uma valorização do bloco financeiro, com destaque para as ações do Banco do Brasil. De acordo com operadores, as ações do BB, mais sensíveis às crises envolvendo o governo federal - seu acionista controlador -, estão mais voláteis. Assim como recuaram ontem, hoje foram as que mais subiram no bloco do setor financeiro. BBAS3, preferida por estrangeiros, fechou com ganhos de 2,86%, mas está com perdas de 13,81% no acumulado dos últimos 30 dias.

"O importante para o mercado não é mais o julgamento do Michel Temer, mas passar as reformas no Congresso. O sentimento à tarde era que havia mais probabilidade de aprovação de mais uma etapa da reforma trabalhista", notou o operador da mesa institucional da Renascença Corretora Luiz Roberto Monteiro.

Por volta de 15 horas, o relator da reforma trabalhista na CAE, Ricardo Ferraço (PSDB-ES), previu a aprovação do relatório com placar de 15 a 10 ou 14 a 11. O senador reconheceu que a vantagem não é muito grande, mas é suficiente para avançar com o texto.

Taxas de juros

Os juros futuros ampliaram a queda na reta final da sessão regular e os principais contratos fecharam nas mínimas nesta terça-feira, 6. Segundo profissionais da área de renda fixa, perto do fechamento dos negócios houve um aumento da percepção de que o governo Temer deve ganhar uma sobrevida que possa normalizar o ritmo de andamento das reformas e também da perspectiva de aprovação da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o que de fato ocorreu à noite. No entanto, o principal vetor a conduzir a trajetória de queda das taxas desde a abertura foi a ata da última reunião do Copom.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2018 (204.540 contratos) fechou a 9,315% (mínima), de 9,420% no ajuste de ontem. A taxa do contrato DI para janeiro de 2019 (237.395 contratos) caiu de 9,56% para 9,39% (mínima) e a do DI janeiro de 2021 (168.045 contratos) recuou de 10,61% para 10,45% (mínima).

O cenário político ganhou mais atenção durante a tarde em relação à manhã, quando o foco era mais a ata do Copom. O julgamento do TSE começaria as 19 horas e, enquanto isso, o mercado acompanhou o noticiário sobre o tema para tentar se posicionar, levemente otimista num desfecho pró-Temer, cenário que, na visão dos profissionais pode recolocar o andamento das reformas nos trilhos. Nesta tarde, o presidente da Corte, ministro Gilmar Mendes, limitou-se a dizer que o julgamento será "bom".

Além disso, o mercado vê com bons olhos uma possível troca na relatoria da delação ao Grupo J&F no Supremo Tribunal Federal (STF), que pode dar mais tempo ao governo. O debate sobre se o ministro Edson Fachin deve ser o relator será travado pelos 11 ministros. Caso o plenário decida que não há prevenção para Fachin, poderá ser determinada uma nova distribuição, por sorteio.

Quanto à ata, profissionais afirmaram que o tom foi mais ameno do que o comunicado, o que colocou os juros para baixo desde a abertura. Embora não tenha alterado a percepção da maioria de que o ritmo de corte da Selic será reduzido para 0,75 porcentual no encontro de julho, o documento deixou a impressão de que outras opções não podem ser descartadas. "Há elementos na ata onde o BC mostra que há muita incerteza e temos de acompanhar os próximos eventos", disse o economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall.

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