Economia

Dólar cai 0,50% durante a semana

Moeda americana está sendo vendida R$ 3,41

Moeda americana está sendo vendida R$ 3,41
Moeda americana está sendo vendida R$ 3,41 Foto : Marcos Santos / USP Imagens / CP
O Ibovespa fechou a sexta-feira, em leve queda, mas com ganhos acumulados acima de 1% na semana e defendendo a marca dos 85 mil pontos. Após uma abertura com desvalorização um pouco mais forte, o índice à vista passou a segunda etapa do pregão em queda amena, mostrando resiliência frente ao cenário internacional, com o mau humor dominando desde as commodities até os seus pares nos principais mercados acionários do exterior. O pregão encerrou com o Ibovespa em baixa de 0,32%, aos 85.550,08 pontos. Na semana, a valorização foi de 1,44%.

Na visão de analistas de renda variável, sem notícias relevantes no front doméstico para impulsionar os negócios, a bolsa teve como tendência uma leve realização hoje. Nesse sentido, o volume financeiro foi fraco, de R$ 8,7 bilhões, e novamente abaixo da média do ano. "Tivemos uma resiliência forte em commodities neste mês, que agora devolve um pouco. O setor financeiro também ajusta.

Diante dos ganhos acumulados no ano eles têm tido uma realização até modesta", disse Marco Saravalle, analista XP Investimentos. Entre as blue chips, os papéis da Petrobras foram os únicos a encerrar a sessão de negócios em alta de 0,25% (ON) e 0,72% (PN). Lá fora, os contratos futuros do petróleo passaram o dia levemente no negativo. Vale ON, teve queda de 0,42%.

Já no setor financeiro, Bradesco liderou as quedas com recuo de 1,41%, seguido pelas units do Santander (-1,12%) e o Banco do Brasil (-1,10%). Itaú Unibanco PN recuou 0,22%. Dólar - Na meia hora final do pregão do câmbio nesta sexta-feira, a T-Note de 10 anos renovava máximas e chegou a alcançar maior taxa em quatro anos, o que manteve a alta do dólar à vista no fechamento.

A moeda fechou a R$ 3,4090, com valorização de 0,54%. Nesta semana, no entanto, o dólar acumulou queda, de 0,50%. No segmento à vista, o câmbio movimentou US$ 1,25 bilhão e, no futuro, negociava US$ 16 bilhões perto das 17h20. O dólar registrou fortes ganhos globalmente por conta da alta verificada com mais intensidade dos treasuries desde a última quinta-feira, o que reforça as apostas em alta dos juros americanos.

O T-Bond de 30 anos também renovou máximas durante todo o dia. Segundo um gestor, o mercado operou hoje com muita apreensão em relação ao cenário externo. "A T-Note de 10 anos já desde mais cedo se mostrava pronta para alcançar a taxa mais alta dos últimos anos. Várias moedas acabaram passando por uma reprecificação por conta disso", ele disse. Nos Estados Unidos, a economia se mantém sólida lá, com muitos estímulos fiscais - a principal questão é a inflação futura.

O dia também foi alta do petróleo, com sinalizações de um acordo de cortes da produção global da commodity que inclui membros e aliados da Opep; e de declarações do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, em coletiva durante reunião do FMI. Goldfajn voltou a afirmar que o papel do BC é dar tranquilidade e evitar volatilidade além da conta, sem ligação com fundamentos", ao referir-se sobre o câmbio. Ele citou "alguma volatilidade incipiente no mercado financeiro, que começou com o temor de alta da inflação nos EUA e depois veio com disputas comerciais", apontou o presidente do BC, referindo-se a tensões envolvendo os governos de Washington e Pequim.

Goldfajn repetiu que o Brasil está preparado para enfrentar um processo mais forte de incertezas nos mercados internacionais, pois tem muitos "amortecedores" para conter volatilidade. "Temos reservas elevadas, swaps cambiais baixos e pequeno déficit de contas correntes", destacou.

Taxas de juros

Os juros futuros encerraram a sessão regular desta sexta-feira, 20, em queda, sobretudo nos vencimentos intermediários. O principal condutor dos negócios foi o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de abril (0,21%), que ficou abaixo da mediana (0,25%) das projeções do mercado financeiro. O saldo do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) em março, ainda que positivo e dentro das estimativas, confirmou a tese de que a recuperação econômica transcorre muito lentamente, o que permite mais uma redução na Selic. A maioria dos economistas espera um último corte na taxa básica na reunião de maio do Comitê de Política Monetária (Copom).

Perto do encerramento da negociação regular dos contratos de Depósito Interfinanceiro, houve uma reaceleração global da alta do dólar - inclusive ante a moeda brasileira. O fortalecimento da divisa dos EUA perante o real, entretanto, não foi relevante a ponto de mudar a tendência dos DIs. Apenas os vencimentos mais longos, como os contratos para janeiro de 2025 e 2027, mudaram o sentido visto ao longo do dia e fecharam 0,01 ponto porcentual para cima. Nesse contexto, o DI para janeiro de 2019 encerrou a sessão regular a 6,215% ante 6,239% no ajuste de quinta-feira.

O DI para janeiro de 2020 fechou a 6,89% ante 6,941% na quinta-feira. O vencimento para janeiro de 2021 fechou a 7,87% ante 7,912% no ajuste anterior. Já o DI para janeiro de 2023 encerrou a 9,07% ante 9,072% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2025 fechou a 9,61% ante 9,602% no ajuste da quinta-feira.

Perto das 16 horas, os juros dos Treasuries bateram máximas, ainda na esteira do entendimento de que pode prevalecer a tendência mais "hawkish" (mais rígida) entre os dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Todos os dirigentes do Fed que discursaram nesta sexta reforçaram a visão de que a economia está se acelerando, o que os investidores entenderam como uma sinalização da necessidade de juros mais altos no futuro.

Ainda sobre a inflação, vale observar que o IPCA-15 de abril (0,21%) "surpreendeu novamente para baixo", como escreveram os analistas do Bradesco. "A abertura continuou indicando núcleos de inflação comportados, com alta anualizada de 2,1% nos últimos seis meses depois de descontado os efeitos sazonais."

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