Economia

Dólar cai 1,11% e bolsa recua 1,95%¨com incerteza política

Moeda americana fechou o dia em R$ 3,6404

Moeda americana fechou o dia em  R$ 3,6404
Moeda americana fechou o dia em R$ 3,6404 Foto : Marcello Cassal Jr / Agência Brasil / CP
O recuo do dólar ante o real nesta quarta-feira foi justificado por uma série de fatores, tanto internos quanto externos. Um movimento de realização dos lucros recentes, um fluxo de entrada de recursos no País no período da manhã, a alta do petróleo no exterior e a expectativa de que o impeachment possa voltar a ganhar força eram citados nas mesas. O resultado foi uma queda de 1,11% da moeda americana à vista, aos R$ 3,6404.

No início do dia, o dólar até chegou a subir ante o real, dando continuidade ao movimento de segunda e terça-feira, quando as incertezas políticas fizeram os investidores reduzirem as apostas no impeachment da presidente Dilma Rousseff. Às 9h19, o dólar à vista marcou a máxima de R$ 3,7093 (+0,76%). Depois disso, porém, a moeda americana começou a perder força. Profissionais ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, citaram um fluxo de entrada de recursos no País, que favoreceu a queda das cotações. Além disso, alguns players aproveitaram para realizar os lucros mais recentes, vendendo moeda.

No exterior, pela manhã o dólar mostrava ganhos ante várias divisas, mas, à medida que o petróleo foi ampliando os ganhos tanto em Londres quanto em Nova York, a moeda americana começou a perder força. Havia ainda muita expectativa para a divulgação da ata do último encontro do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), marcada para as 15 horas.

Quando o documento saiu, a reação no câmbio acabou sendo pontual no Brasil - assim como no exterior. No documento, os dirigentes do Fed expressaram "várias divisões" sobre ajustes nos juros na próxima reunião, marcada para abril. Ao mesmo tempo, vários deles acreditam que uma elevação nos juros em abril é "um sinal de urgência impróprio" e que uma abordagem cautelosa para a taxa seria "prudente".

No Brasil, o dólar renovou mínimas mais para o fim da tarde, mas o movimento teve pouco a ver com o Fed. Foi mais uma continuação da venda de moeda vista mais cedo. Às 16h05, o dólar à vista marcou a mínima de R$ 3,6394 (-1,14%). Depois, encerrou nos R$ 3,6404.

Bovespa 

A Bovespa viu nesta quarta-feira investidores venderem ações para embolsar parte dos fortes ganhos acumulados em março em meio à contínua incerteza sobre a política. Assim, o Ibovespa terminou em queda de 1,95%, aos 48.096,24 pontos. O recuo de hoje confirmou a alternância diária entre altas e baixas, vista desde 30 de março.

Houve forte queda das ações do setor elétrico. No mercado, há o receio de uma mudança no comando do Ministério de Minas e Energia e, consequentemente, da política do setor. No ranking das maiores baixas da carteira Ibovespa, figuraram três companhias de energia: Cesp PNB (-6,30%), Cemig PN (-5,83% e CPFL On (-4,26%).

As blue chips também fecharam em queda, sendo que a Petrobras chamou atenção para a aderência zero de seus papéis à forte alta do petróleo. A ON recuou 0,92%. E a PN, -3,19%. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio fechou em alta de 5,18% (US$ 1,86), a US$ 37,75 por barril. Na IntercontinentalExchange (ICE), em Londres, o Brent para junho subiu 5,20% (US$ 1,97), para US$ 39,84 por barril. Os contratos futuros de petróleo foram influenciados pelo recuo inesperado dos estoques da commodity bruta nos Estados Unidos na semana passada.

Na mínima, o Ibovespa marcou 47.874 pontos em queda de 2,41%. Na máxima, ficou no mesmo patamar (47.874 pontos) de ontem (0%). O total de negócios, calculado pelo giro financeiro da bolsa, totalizou R$ 5,987 bilhões. O valor é menor que a média diária do ano de R$ 6,905 bilhões, calculada pela BM&FBovespa.

Taxas de juros 

Os juros futuros encerraram a sessão regular desta quarta-feira em alta, embora o dólar tenha engatado trajetória de queda consistente no período da tarde. As expectativas com o cenário político, mais especificamente com o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff que está em discussão na comissão especial da Câmara, continuaram ditando o rumo dos negócios. Com isso, a divulgação da ata do Fed, que confirmou a percepção de que os juros norte-americanos não devem subir este mês, não chegou a fazer preço na curva a termo.

O DI janeiro de 2017 fechou com taxa de 13,84%, de 13,80% no ajuste de ontem. O DI janeiro de 2018 subiu de 13,62% para 13,67% e o DI janeiro de 2021, de 13,99% para 14,12%.

O deputado Jovair Arantes (PTB-GO), relator do processo do impeachment na comissão especial, apresentou seu parecer nesta tarde, mas havia adiantado a deputados da bancada que a avaliação seria pelo impeachment, o que também já era esperado pelo mercado. No parecer, favorável à admissibilidade jurídica e política do pedido, o relator afirmou "haver indício de que Dilma cometeu crime de responsabilidade".

Portanto, a maior expectativa dos analistas agora é como será a votação em plenário, que deve ocorrer entre 15 e 17 de abril. Atualização do levantamento realizado pelo Grupo Estado mostra que o número de votos a favor do impeachment da presidente subiu para 245 e contra estão em 110.

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