Economia

Dólar cai 1,54% e fecha o dia cotado a R$ 3,6244

Expectativa em torno da reunião do PMDB desta terça movimento o mercado financeiro

Moeda americana encerrou o dia cotada a R$ 3,6244
Moeda americana encerrou o dia cotada a R$ 3,6244 Foto : AFP / CP
A expectativa em torno da reunião desta terça-feira, do diretório PMDB, da qual se espera a decisão pelo rompimento do partido com o governo, deu o tom dos negócios com câmbio e ações nesta segunda-feira. O possível desembarque do partido resultaria na saída de outras siglas da base aliada do governo, tornando o impeachment da presidente Dilma Rousseff inevitável. Essa leitura fez o dólar à vista cair 1,54% frente ao real, cotado a R$ 3,6244.

A valorização do real reflete a visão dos investidores de que a possível saída de Dilma poderia colocar fim à crise política e dar início efetivo ao combate de problemas fiscais do País.

Em meio ao clima de antecipação de uma ruptura no governo, o dólar já iniciou o dia em baixa e marcou a máxima de R$ 3,6728 (-0,22%) às 9h15, para depois renovar mínimas tanto pela manhã quanto à tarde.

A menor cotação do dia, de R$ 3,6226, foi marcada às 15h31. Naquele momento, as cotações também já eram em parte influenciadas pelos dados mais recentes da balança comercial brasileira. Houve superávit comercial de US$ 1,277 bilhão na quarta semana de março. No mês, o saldo líquido é positivo em US$ 3,982 bilhões e, no ano, positivo em US$ 7,946 bilhões.

Bovespa 


A proximidade da reunião do diretório PMDB, da qual se espera a decisão pelo rompimento do partido com o governo, também deu o tom dos negócios com ações nesta segunda-feira e fez o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) fechar em alta de 2,38%, aos 50.838,23 pontos. Papéis das estatais Banco do Brasil e Petrobras foram destaque na lista de maiores altas. Ao final do pregão, Petrobras PN e ON subiram 8,07% e 6,41%, respectivamente. Já BB ON avançou 5,85%.

Os papéis caíram com a notícia de que o PMDB prepara uma ampliação do "Uma Ponte para o Futuro", documento lançado no final do ano passado com propostas para a retomada do crescimento econômico. Há sinalizações de mudanças na área educacional, que geram temores com relação aos programas de financiamento estudantil.

Já a queda expressiva do dólar derrubou ações de empresas exportadoras, como Fibria ON (-6,65%), Suzano PNA (-2,63%) e JBS ON (-1,19%).

Taxas de juros 

A semana começou com juros futuros em queda e, como tem sido a tônica das últimas sessões, o movimento foi mais expressivo nos contratos de longo prazo. O principal vetor a comandar os negócios continuou sendo o cenário político.

Como normalmente ocorre às segundas-feiras, a liquidez foi bastante reduzida. No fechamento da etapa regular, o DI com vencimento em janeiro de 2017 projetava 13,74%, de 13,83% no ajuste da quinta-feira, e o DI janeiro de 2018 caiu de 13,62% para 13,37%. O DI para janeiro de 2021 encerrou em 13,71%, de 14,07%.

Desde a abertura dos negócios, a expectativa com relação à decisão do PMDB determinou a queda dos juros. Nesta tarde, o ex-ministro de Aviação Civil Eliseu Padilha afirmou "que o PMDB está muito próximo da unanimidade para rompimento com governo". "Numa escala de zero a dez, a chance de sair é dez", disse.

Além disso, para o investidor, outro sinal forte de que é certa a saída do PMDB é o fato de que o vice-presidente da República e presidente nacional do partido, Michel Temer, decidiu não presidir a reunião amanhã. De acordo com interlocutores do vice-presidente, o peemedebista não quer passar a imagem de que comandou o processo de rompimento.

Com a decisão de Temer, o senador Romero Jucá (RO), primeiro vice-presidente do PMDB, presidirá os trabalhos. Jucá é a favor do desembarque. No fim da tarde, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE),
subiu o tom e acusou Temer de estar no "comando do golpe".

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