Economia

Dólar cai 11,09% em junho e e fecha em R$ 3,21

Moeda americana teve a maior queda mensal desde abril de 2003

Moeda americana cai pela terceira sessão seguida e fechou em R$ 3,16
Moeda americana cai pela terceira sessão seguida e fechou em R$ 3,16 Foto : Mauro Schaefer / CP Memória
O dólar caiu nesta quinta-feira, pela terceira sessão seguida ante o real, aos R$ 3,2105 (-0,83%) no mercado à vista, e encerrou o dia no menor nível desde 21 de julho de 2015. No período de três dias, a perda foi de 5,35%. Como resultado, houve baixa acumulada de 11,09% em junho, a maior queda mensal desde abril de 2003, quando cedeu 13,15%.

Declarações do secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Daniel Godinho, de que, por enquanto, a taxa de câmbio não está atrapalhando as exportações pesaram no dólar à vista. Além disso, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, enfatizou que compete ao BC definir a estratégia para a convergência da inflação à meta de 4,5% em 2017.

Em conjunto, os comentários das autoridades foram interpretados no mercado como sinais de manutenção da Selic por período prolongado e de que o dólar pode continuar fraco em razão da possibilidade de novos fluxos de recursos estrangeiros, o que favoreceria o objetivo da autoridade monetária.

O desempenho negativo do dia resultou ainda da pressão derivada da disputa técnica, pela manhã, em torno da formação da última taxa Ptax de junho, disse o operador José Roberto Carreira, da Fair Corretora. A Ptax de hoje, que fechou em R$ 3,2098 (-1,04%), será usada amanhã para a liquidação do dólar julho e os ajustes dos contratos cambiais com vencimento futuros assim como dos balanços corporativos trimestrais.

No exterior, a percepção é de liquidez elevada e possíveis estímulos monetários, em resposta ao Brexit, que podem ajudar na entrada de recursos em países emergentes, como o Brasil. Hoje, o presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Mark Carney, realimentou essa aposta ao declarar que poderá haver "algum relaxamento monetário" em agosto.

O dólar futuro para agosto recuou 0,23%, aos R$ 3,2405, com giro financeiro de cerca de US$ 23,752 bilhões. No mês de junho, a queda acumulada foi de 11,79%. 

Bovespa

A Bovespa avançou nesta quinta-feira pelo terceiro pregão consecutivo, novamente influenciada pelo mercado internacional, e terminou o dia aos 51.526,92 pontos, com ganho de 1,03%. O volume de negócios totalizou R$ 7,9 bilhões, acima dos R$ 6,4 bilhões da média diária de junho. Com o resultado de hoje, o Ibovespa acumulou alta de 6,30% em junho e de 18,87% no primeiro semestre de 2016. Em 12 meses, no entanto, o índice ainda registra perdas de 2,93%.

Em um dia de escassez de notícias de grande relevância, a alta das bolsas de valores no Brasil e no exterior foi determinada principalmente pelas declarações de Carney. "Os mercados passaram a considerar um corte de juros a partir das declarações do BoE, e isso levou as bolsas a acelerarem ganhos na Europa e Estados Unidos. Esse foi fundamentalmente o motivo da alta nos mercados de ações", disse Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da corretora Renascença.

Apesar da melhora do humor no mercado externo, os preços do petróleo seguiram em queda, em meio a preocupações com a oferta da commodity. Com isso, as ações da Petrobras operaram em queda durante todo o dia, o que limitou bastante a alta do Ibovespa. Ao final do pregão, Petrobras ON teve queda de 0,52%, enquanto Petrobras PN recuou 0,84%. No acumulado de junho,

Petro ON e PN tiveram alta de 13,06% e 17,16%, respectivamente. Na ponta contrária, a alta de 1,5% do minério de ferro no mercado chinês apoiou as altas das ações da Vale, que avançaram 3,56% (ON) e 1,24% (PNA) no dia. No mês, os papéis da mineradora contabilizaram valorização de 14,42% e 15,93%. As ações do setor bancário também foram destaque de alta no pregão desta quinta-feira, ainda no movimento de recuperação pós-Brexit. Nesse grupo, destaque para BM&FBovespa (+4,65%) e Banco do Brasil ON (+4,18%).

Taxas de juros

Os juros futuros de curto prazo mantiveram, no fechamento da sessão regular desta quinta-feira, o sinal de alta, enquanto os longos encerraram em queda. Os investidores, a exemplo de ontem, novamente buscaram se antecipar a uma possível redução da meta de inflação para 2018 para abaixo de 4,5%, que seria definida em reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), tendo ainda em conta o tom conservador do Relatório Trimestral de Inflação (RTI) e a entrevista do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, na terça-feira. (No início da noite o CMN estipulou a meta de inflação em 4,5% para 2018).

Ao término da negociação regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 encerrou com taxa de 13,925%, ante 13,885% no ajuste de ontem, e 187.255 contratos negociados. O DI janeiro de 2018 (479.305 contratos) subiu de 12,82% para 12,88%. O DI janeiro de 2019 (260.020 contratos) ficou quase estável, em 12,41%, de 12,40%. Com 246.810 contratos, o DI janeiro de 2021 encerrou a 12,15%, de 12,21% no último ajuste.

Nos longos, houve uma pressão de alta pela manhã em função de preocupações com o cenário fiscal e das operações relacionadas ao leilão de prefixados, mas que se dissipou à tarde. O trecho curto deu sequência ao movimento de ontem e esteve pressionado desde o início dos negócios, ainda alimentado pela aposta de uma meta de inflação para 2018 menor do que os atuais 4,5%. No raciocínio do mercado isso poderia levar o Banco Central a manter a Selic em 14,25% ao ano por um período maior do que o imaginado.

Os longos tiveram alguma pressão de alta pela manhã, com o mercado reagindo negativamente ao "pacote de bondades" do governo Temer de cerca de R$ 125 bilhões em gastos e renúncias fiscais, já incluindo o reajuste do funcionalismo público, renegociação da dívida dos Estados e ajuda ao Rio de Janeiro. Além disso, o leilão considerado grande de LTN e de NTN-F ajudou a puxar as taxas.

Após fechamento da sessão regular, em entrevista à TV Estadão e ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) afirmou que os gastos de R$ 125 bilhões foram analisados e pactuados com diversos setores e chamou atenção para o realismo das metas fixadas neste governo. "Meta realista é que a leva em contra ajuste de gasto e outras ações", disse.

À tarde, porém, as taxas longas zeraram o aumento e passaram a cair, tendo sido reforçada a percepção de que os principais bancos centrais ampliarão medidas de estímulo de liquidez após a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia.

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