Economia

Dólar cai ante o real com volta do apetite global por risco

Moeda americana encerra a sexta-feira cotada a R$ 3,52

Dólar encerrou a sexta-feira cotada a R$ 3,52
Dólar encerrou a sexta-feira cotada a R$ 3,52 Foto : Marcelo Camargo / Agência Brasil / CP Memória
O dólar fechou em queda nesta sexta-feira, ante o real. O ganho de 2,23% do dólar acumulado nas duas últimas sessões, quando a moeda reagiu à indicação da ata do Federal Reserve (Fed, banco central americano), na quarta-feira, estimulou as vendas. No mundo, o apetite por risco se recuperou, trazendo altas às bolsas americanas e queda do dólar frente às moedas de países emergentes. Segundo operadores, o "efeito Fed" acabou sendo amenizado.

Assim, a moeda americana encerrou o dia cotada a R$ 3,5234, com queda de 1,23%, no mercado à vista. A moeda americana já iniciou o dia em queda, com os investidores realizando os lucros recentes, e aprofundou a tendência ao longo do dia, em um movimento mais técnico.

Além do movimento de realização de lucros, operadores relataram ingresso de recursos externos pela manhã, via comércio exterior. Segundo profissionais ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência EStado, os recursos provenientes da captação externa de US$ 6,75 bilhões da Petrobras também estariam ingressando, via segmento financeiro, mas em pequenas doses. Além disso, o Banco Central não promoveu leilões de swap cambial reverso, o que também favoreceu a queda das cotações.

Bovespa

Pelo quarto dia seguido, a Bovespa encerrou o pregão em queda. Nesta sexta-feira mais fraca de negócios em relação à média do mês, o Ibovespa fechou na mínima, aos 49.722,74 pontos (-0,82%). Na semana, o Ibovespa recuou 4,02%. Segundo analistas, passado o turbilhão político que conduziu os negócios nos últimos meses, os agentes econômicos aguardam por novidades do novo governo.

A sexta-feira de fraca agenda macroeconômica e paciência à espera das medidas fiscais, que estão sendo cautelosamente formuladas pela equipe econômica do ministro Henrique Meirelles, acabaram contribuindo para o fraco giro financeiro. O giro totalizou R$ 5,246 bilhões. A média do mês até ontem era de R$ 7,263 bilhões, segundo a BM&FBovespa.

A instabilidade do petróleo - que sofre com as notícias ora boas, ora ruins, sobre a produção global - influenciou os preços no mercado brasileiro, especialmente no turno da tarde. Depois de migrar entre altas e baixas, a ON da Petrobras fechou em queda de 1,56%, na cotação mínima de R$ 11,33.

A PN encerrou em queda de 0,67%, a R$ 8,90. As ações da Vale pressionaram o Ibovespa negativamente. A PNA fechou em queda de 3,80%, e a ON, em -5,10% nesta sexta-feira em que o minério de ferro ficou cotado em US$ 55,7, ou seja, estável em relação a ontem, de acordo com dados do The Steel Index.

Taxas de juros

Os juros futuros de curto prazo terminaram o dia praticamente estáveis enquanto os longos fecharam em baixa nesta sexta-feira. O cenário externo mais tranquilo, o dólar em queda ante o real e a expectativa com o cenário fiscal foram os principais condutores do mercado nesta sexta-feira, além do IPCA-15 de maio.

Em sessão de volume moderado, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 fechou a etapa regular em 13,675%, de 13,685% no ajuste de ontem. O DI janeiro de 2018 recuou de 12,86% para 12,72%. O DI janeiro de 2019 terminou em 12,46%, de 12,64%, e o DI janeiro de 2021 passou de 12,62% para 12,36%.

O mercado deu sequência ao movimento visto na sessão anterior, em que prevaleceu a tendência vendedora, mas as taxas curtas não acompanharam esse viés em razão do IPCA-15 de maio. O indicador mostrou inflação de 0,86%, acima do teto das estimativas coletadas pelo AE Projeções, de 0,81%, e também do IPCA-15 de abril, de 0,51%. Na leitura do mercado, o resultado reduz ainda mais a possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciar o ciclo de cortes da Selic em sua reunião dos dias 7 e 8 de junho.

Enquanto isso, nos trechos intermediário e longo o investidor se apoiou no clima externo, com alta das bolsas norte-americanas e na Europa, superando a reação negativa à sinalização recente do Fed de que uma elevação das taxas dos Fed Funds no curto prazo está no radar. Também favoreceu o alívio na curva a termo o recuo do dólar ante o real.

As mínimas dos juros futuros foram registradas na última meia hora da sessão regular, após a informação de que de que o anúncio da nova meta fiscal de 2016 seria feito ainda hoje, e não mais na segunda-feira, pelos ministros Henrique Meirelles (Fazenda) e Romero Jucá (Planejamento). O mercado aguarda o número com certa ansiedade, porque entende que, por pior que seja, será crível e também o ponto de partida para a definição das medidas fiscais.

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