O dólar recuou quase 1% nesta segunda-feira para o nível de R$ 3,24 no mercado à vista, em meio à percepção no mercado de câmbio de que o aperto monetário nos Estados Unidos não deve ocorrer tão cedo. Cerca de uma semana antes da próxima reunião do Federal Reserve )Fed), a diretora do BC norte-americano Lael Brainard manteve sua defesa dos juros baixos, eliminando os riscos de endurecimento do discurso embutidos no mercado. A reação ao último pronunciamento oficial antes do encontro do Fed, em 20 e 21 de setembro, foi imediata e os ativos considerados mais arriscados, como divisas de mercados emergentes, logo se apreciaram.
No mercado à vista, o dólar negociado no balcão fechou aos R$ 3,2488, em queda de 0,96%, próximo da mínima no dia, de R$ 3,2421 (-1,13%). De acordo com dados registrados na BM&F Bovespa, o volume de negociações chegou a US$ 872,004 milhões. Já no segmento futuro, o contrato de dólar para outubro recuou 0,81%, aos R$ 3,2635, enquanto na mínima tocou R$ 3,2605 (-0,90%). O giro financeiro somou US$ 17,476 bilhões.
A diretora do Fed defendeu "prudência" na retirada da política de acomodação monetária. Como o impacto sobre a inflação de uma melhoria no mercado de trabalho deve ser moderado e gradual, "o argumento para apertar a política de maneira preventiva é menos convincente", afirmou Brainard. "Na presença de incerteza e na ausência de pressões inflacionárias que aceleram, não seria inteligente para a política descartar a possibilidade de obter mais ganhos no mercado de trabalho", argumentou a dirigente.
A expectativa em torno do discurso de Brainard era elevada desde o começo do dia, principalmente depois que o presidente do distrital de Boston, Eric Rosengren, sinalizou na sexta-feira uma postura mais favorável ao aperto monetário. Os dois dirigentes estão entre os principais defensores de juros baixos e, por isso, uma mudança de discurso poderia pavimentar as apostas para elevação de juros agora em setembro.
Bovespa
A Bovespa recuperou nesta segunda-feira parte das fortes perdas da última sexta-feira e avançou 1,01%, aos 58.586,11 pontos. A principal justificativa para a melhora foi o discurso "dovish" (suave) de Brainard.
Brainard é conhecida por sua postura "dovish" e a tensão em torno de seu discurso era justamente o temor de que ela adotasse um viés diferente do habitual - em favor da elevação de juros, como fez Rosengren. Mas ela confirmou o tom suave e defendeu "prudência na retirada da política acomodatícia".
Os preços do petróleo se mantiveram em alta, assim como as ações da Petrobras. Os papéis da estatal brasileira também refletiram a informação de que a empresa apresentará o novo plano estratégico e o plano de negócios e gestão 2017-2021 ao conselho de administração no próximo dia 21.
A informação, oficializada hoje, já havia sido dada pelo presidente da companhia, Pedro Parente, em entrevista exclusiva ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, na última sexta-feira. Ao final dos negócios, Petrobras ON e PN tiveram altas de 3,42% (a R$ 16,03) e de 3,26% (a R$ 13,95), respectivamente. Com o mercado de aço chinês fechado, as ações da Vale subiram 3,74% (ON) e 2,48% (PNA), influenciadas pela melhora na recomendação feita pelo JP Morgan.
O cenário político brasileiro foi acompanhado de perto, mas não chegou a fazer preço na bolsa. Em análise publicada hoje, a consultoria de risco política Eurasia previu que o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) será cassado e a possibilidade de o ex-presidente da Câmara negociar uma delação premiada com os investigadores da Operação Lava Jato representa um "grande risco" para o governo de Michel Temer. No entanto, a consultoria considera esse risco como "gerenciável".
Taxas de juros
Os juros futuros fecharam em baixa ao longo de toda a curva, mais firme nos vencimentos de médio e longo prazos, justamente os que mais haviam subido na sessão anterior. O alívio nesta segunda-feira, 12, foi proporcionado por Brainard.
Ao término da negociação regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2018 projetava 12,55%, de 12,58% no último ajuste, com 157.010 contratos. O DI janeiro de 2019 fechou em 11,99% (181.840 contratos), de 12,06% no ajuste da sexta-feira. O DI janeiro de 2021, terminou na mínima de 11,98%, de 12,09%, com 184.035 contratos. O DI janeiro de 2023 (112.710 contratos) também encerrou na mínima, de 12,16%, ante 12,26% no ajuste anterior.
Após passarem a manhã em banho-maria, com um leve viés de alta, as taxas passaram a recuar e renovar mínimas após a fala de Brainard e também com a aceleração da queda do dólar ante o real para mais de 1%.
Na sexta-feira, os contratos haviam acumulado prêmio justamente em razão do tom conservador das declarações de Rosengren, que disse haver "argumento razoável" para elevar a taxa de juros a fim de evitar um excessivo aquecimento da economia. Rosengren e Brainard são considerados "dovish" (menos inclinado ao aperto de juros) e têm direito a voto nas decisões do Comitê de Mercado Aberto do Fed (Fomc), cujo próximo encontro está marcado para os dias 20 e 21. Nos cálculos do CME Group, os contratos de Fed funds futuros precificavam 15% de chance de alta de juro nesta reunião, ante 24% na sexta-feira.
A divergência entre os dirigentes sugere que o colegiado está dividido sobre o momento ideal para aumentar as taxas.
As atenções do mercado estiveram concentradas hoje no exterior, mesmo porque o principal evento doméstico da segunda-feira, a sessão de votação da cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), só começaria às 19h. Levantamento realizado pelo Grupo Estado mostrava no início da noite desta segunda-feira que os votos a favor da cassação de Cunha subiam para 283 - bem acima do mínimo necessário para aprovação da perda do mandato, que é de 257, a maioria absoluta dos 513 deputados. Os votos contra a cassação estavam em 3.
Dólar cai com redução de apostas de aperto monetário nos EUA; bolsa sobe 1,01%
Moeda negociada no balcão fechou aos R$ 3,2488, em queda de 0,96%