O dólar fechou nesta terça-feira, no menor nível em quase 11 meses no balcão, após um movimento de desmonte de posições compradas no mercado futuro por investidores estrangeiros em reação à entrevista do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.
O novo chefe do BC prometeu reduzir mais a exposição da entidade em swaps cambiais quando encontrar a janela de oportunidade para continuar baixando o estoque, quando e se for possível. De acordo com ele, o BC poderá utilizar todas as ferramentas disponíveis, mas sempre com "parcimônia" e sem interferir no regime de câmbio flutuante.
O dólar à vista terminou aos R$ 3,3046 (-2,57%) no balcão, no valor mais baixo desde o fechamento em 23 de julho de 2015 (aos R$ 3,2910). O volume total negociado somou cerca de US$ 1,586 bilhão. Houve um volume considerável de estrangeiros vendendo dólar no mercado futuro (desmonte de posição comprada) após coletiva de Ilan, disse o superintendente regional da SLW corretora, João Corrêa.
"Hoje, porém, não consigo ver o BC usando leilão de swap reverso para apoiar uma alta do dólar, porque o controle da inflação parece ser prioridade e o dólar mais baixo pode ajudar na busca pela convergência dos preços ao centro da meta em 2017", afirmou Corrêa.
Com isso, o giro com o dólar para julho somou US$ 19,913 bilhões (398.275 contratos negociados), ante US$ 14,306 bilhões ontem. Esse contrato fechou com queda de 2,71%, aos R$ 3,3050. Além dos sinais do BC, o mercado também foi influenciado pelo ingresso de fluxo cambial no mercado à vista e pelo alívio externo, com a queda do Dollar Index, em meio à espera dos desdobramentos do processo de saída do Reino Unido da União Europeia e perspectiva de adiamento de alta de juros nos Estados Unidos, de acordo com os profissionais de câmbio. Nos últimos dois dias, a moeda americana havia subido 1,49% ante o real, reagindo à aversão ao risco desencadeada pelo Brexit.
Bovespa
Depois de dois dias de fortes perdas, os investidores do mercado de ações dedicaram esta terça-feira à busca por boas oportunidades de compra. Com isso, o dia foi de recuperação de preços no Brasil, que acompanhou o movimento das bolsas na Europa e nos Estados Unidos. O resultado foi uma alta de 1,55% do Índice Bovespa (50.006,56 pontos), que recompôs parte dos 4,49% perdidos nos dois pregões posteriores ao plebiscito que decidiu sobre a saída do Reino Unido da União Europeia.
"Hoje foi claramente um dia de repique, quando os preços chegam a um determinado nível que favorece uma recuperação, por terem caído demais. É uma busca por pechinchas", disse Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora. "Mas esse alívio está longe de apontar para uma solução, pois o Brexit é um evento inédito no mundo e o mercado ainda precisará de muito estudo para avaliar os efeitos", disse o analista.
A recuperação teve início nas bolsas da Europa, que haviam sofrido pesadas quedas desde sexta-feira, quando foi anunciado o resultado do plebiscito britânico. O índice pan-europeu Stoxx 600, subiu 2,57%. Em Londres, o índice FTSE 100 fechou em alta de 2,64%. Em Frankfurt, o índice DAX avançou 1,93%. A alta se estendeu ao mercado americano, que também havia sido penalizado nos últimos pregões, ainda que em proporções bem menores.
Assim como aconteceu no exterior, as ações que mais influenciaram a alta do Ibovespa foram justamente as que vinham conduzindo as quedas desde o Brexit. Assim, bancos, responsáveis por mais de 25% da composição do Ibovespa, voltaram a se destacar. Itaú Unibanco PN subiu 3,50%, Bradesco PN avançou 2,47% e Santander Unit ganhou 1,11%.
O alívio no mercado internacional também favoreceu a recuperação de preços das commodities, tendo o petróleo como destaque. Petrobras e Vale estiveram em destaque mais uma vez, mas agora em terreno positivo. O petróleo fechou em alta de 3,28% na bolsa de Nova York e de 3,01% na de Londres. Com isso, Petrobras ON e PN fecharam com ganhos de 4,17% e 4,78%, respectivamente. Vale ON (+4,46%) e Vale PNA (4,75%) acompanharam as altas do minério de ferro nos últimos dois dias, além da recuperação de outras mineradoras pelo mundo.
Taxas de juros
Os juros futuros tiveram um forte ajuste de taxas nesta terça-feira em reação ao Relatório Trimestral de Inflação (RTI) do segundo trimestre e a entrevista de Ilan. As taxas curtas dispararam e as longas fecharam em queda, refletindo a percepção de que o Comitê de Política Monetária (Copom) não deve iniciar o ciclo de queda da Selic já nos próximos meses,
como era esperado.
Na curva a termo, as apostas de corte do juro básico, hoje em 14,25%, no encontro de julho foram apagadas e a chance de baixa no encontro de agosto foi reduzida de cerca de 100% ontem para 70%, segundo fontes da área de renda fixa. Em sessão de forte volume de negócios, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 (364.685 contratos) fechou a etapa regular na máxima de 13,840%, de 13,650% no ajuste de segunda-feira.
O DI janeiro de 2018 (445.055 contratos) subiu de 12,53% para 12,68%. O DI janeiro de 2019, que girou 293.475 contratos, terminou em 12,22%, na mínima, ante 12,19%. O DI janeiro de 2021 fechou na mínima de 12,07%, ante 12,23% no ajuste anterior, com 234.485 contratos.
No relatório, o BC diz que "adotará as medidas necessárias de forma a assegurar a convergência da inflação para a meta de 4,5%, em 2017", esvaziando o debate sobre um possível ajuste no horizonte de convergência que permeou o mercado nas últimas semanas.
Para o fim de 2017, o RTI ainda prevê uma inflação de 4,7% no cenário de referência. Por isso, o documento manteve a avaliação de que "o cenário central não permite trabalhar com a hipótese de flexibilização das condições monetárias". Na entrevista, Ilan fez questão de enfatizar que o objetivo do BC é atingir os 4,5% em 2017, que ele classificou de "ambicioso e crível ao mesmo tempo", e descartou um possível ajuste de meta, como também o mercado vinha cogitando.
Dólar cai novamente e fecha o dia em R$ 3,30
Moeda americana tem valor mais baixo desde fechamento de julho de 2015