Economia

Dólar contraria exterior e fecha a R$ 3,57 nesta segunda-feira

Moeda operou sob pressão de baixa dos investidores vendidos em contratos cambiais

Dólar contraria exterior e fecha a R$ 3,57 nesta segunda-feira
Dólar contraria exterior e fecha a R$ 3,57 nesta segunda-feira Foto : Antonio Sobral / Especial / CP Memória
O dólar fechou nesta segunda-feira, em queda, na contramão do exterior. A moeda operou sob pressão de baixa dos investidores vendidos em contratos cambiais nesta véspera de definição da última taxa Ptax de maio. Por isso, apesar da ausência de alguns players em função do feriado nos Estados Unidos e em Londres, a liquidez no mercado cambial não foi tão baixa. Somava cerca de US$ 1,029 bilhão por volta das 17 horas. Além disso, após oscilar nos primeiros negócios, a moeda passou a cair e ampliou o ajuste negativo ao longo da sessão. A alta do petróleo contribuiu para o recuo de preço.

O dólar à vista fechou em queda de 0,89%, a R$ 3,5783. A mínima foi de R$ 3,5742 (-1,01%) e a máxima, a R$ 3,6156 (+0,14%). No mercado futuro, por volta das 17h15min, o dólar futuro para junho caía 0,69%, a R$ 3,5810. O giro total movimentado com esse contrato somava cerca de US$ 8,264 bilhões. A mínima intraday foi de R$ 3,5750 (-0,86%) e a máxima, a R$ 3,6170 (+0,31%).

"Os vendidos em câmbio estão mais fortes e já brigam por um dólar mais fraco em um dia de liquidez menor com os feriados de NY e Londres", disse Jefferson Rugik, diretor da Correparti. Lá fora, segundo ele, o dólar continuou forte em relação à maioria de seus pares principais, representado por um Dollar Índex em alta de 0,54% às 17h15min, e também das divisas emergentes e ligadas às commodities. O mercado externo ainda ecoa a mensagem deixada pela presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, na sexta-feira, quando sinalizou chances de alta de juros em breve nos Estados Unidos, afirmou.

Investidores "vendidos" em câmbio defendem a queda do dólar à vista e os comprados, a alta. A intenção é influenciar a formação da taxa Ptax de amanhã. Ela será usada na quarta-feira para a liquidação do contrato de dólar futuro de junho e também para balizar os ajustes dos contratos de derivativos cambiais e de swap cambial com vencimentos em meses subsequentes. Ambos os investidores têm o objetivo, nessa disputa, de maximizar o retorno financeiro na liquidação de suas posições cambiais no mercado futuro. Hoje, a taxa Ptax já fechou em queda de 0,47%, a R$ 3,5997.

Para um gerente de derivativos, o mercado minimizou hoje o áudio com conversas entre o ministro da Transparência, Fabiano Silveira, e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado porque não houve nenhuma movimentação em Brasília que pudesse gerar compra mais forte de dólares", comentou. Durante à tarde, o presidente em exercício, Michel Temer, decidiu manter o ministro no cargo "por enquanto".

Bovespa

O feriado americano do Memorial Day reduziu drasticamente o volume de negócios no mercado brasileiro de ações nesta segunda-feira. A Bovespa alternou pequenas altas e baixas e terminou o dia em queda de 0,18%, aos 48.964,34 pontos. Os negócios na bolsa brasileira totalizaram R$ 2,107 bilhões no horário regular, o mais baixo volume desde 17 fevereiro de 2005 (R$ 2,104 bilhões). A alta dos preços do petróleo no mercado internacional garantiu a valorização das ações da Petrobras, que por sua vez limitaram a baixa do Ibovespa.

A cautela do cenário político foi reforçada pela divulgação de novo áudio gravado pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, divulgado ontem pelo Fantástico. Desta vez, o ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, aparece em conversas com o Sérgio Machado e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), orientando como eles deveriam agir em relação às investigações da Operação Lava Jato.

Por outro lado, causaram repercussão positiva as declarações feitas hoje pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Entre outros pontos, o ministro disse que, apesar da queda no potencial de crescimento do Brasil, um país que registra dois anos de recessão possui muita capacidade ociosa e pode ter uma recuperação mais rápida que o previsto. Meirelles disse ainda não ter pressa de vender os ativos do Fundo Soberano Brasileiro (FSB). A declaração teve impacto direto sobre as ações ordinárias do Banco do Brasil, que subiram 1,74%.

As ações da Petrobras acompanharam os preços do petróleo e terminaram o dia em alta de 0,86% (ON) e de 1,82% (PN). Os contratos futuros de petróleo tiveram leve alta, às vésperas da reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), na quinta-feira. No pregão eletrônico da New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo para julho subiu 0,54%. Na Intercontinental Exchange (ICE), o contrato para agosto fechou em alta de 0,82%.

Com o resultado de hoje, o Ibovespa passa a contabilizar queda de 9,17% em maio e alta de 12,95% em 2016.

Taxas de juros

Os juros futuros confirmaram no fechamento o sinal de queda que prevaleceu durante toda a sessão desta segunda-feira, mas sem respaldo de liquidez em razão do feriado norte-americano e em Londres, que tirou investidores estrangeiros do mercado doméstico nesta segunda-feira. Segundo operadores, os prêmios acumulados na curva a termo nos últimos dias
atraíram fluxo vendedor de players locais, principalmente no período da tarde, quando o dólar bateu as mínimas e o Tesouro divulgou um resultado primário do Governo Central em abril que surpreendeu boa parte do mercado.

Ao término da negociação regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2017 tinha taxa de 13,635%, de 13,685% no ajuste da sexta-feira. O DI janeiro de 2018 caiu de 12,99% para 12,81%. O contrato com vencimento em janeiro de 2019 fechou em 12,70%, de 12,87% no ajuste anterior. O DI janeiro de 2021 terminou com taxa de 12,74%, de 12,91%.

Profissionais na área de renda fixa destacaram o aspecto mais técnico da sessão de hoje e o fraco volume negociado. "Dia difícil de encontrar explicações com os mercados americanos fechados e a liquidez mais baixa. A pressão de baixa na curva esteve em linha com o dólar", disse Ignácio Rey, economista da Guide Investimentos.

As taxas estiveram em queda desde o período da manhã, com mínimas atingidas à tarde, em linha com o que se via no dólar e também em razão do resultado do Governo Central (Previdência Social, Banco Central e Tesouro Nacional). Houve superávit de R$ 9,751 bilhões em abril, número perto do teto do intervalo das estimativas coletadas pelo AE Projeções, que ia de déficit de R$ 6,200 bilhões a superávit de R$ 13 bilhões, com mediana positiva de R$ 200 milhões.

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