Os investidores da área de câmbio, em especial os estrangeiros, deram continuidade nesta sexta-feira ao movimento mais recente de redução de posições compradas em dólar no mercado futuro brasileiro. O gatilho para isso foram os dados decepcionantes do mercado de trabalho norte-americano, divulgados mais cedo, que pesaram sobre a moeda americana em todo o mundo. No Brasil, o dólar recuou de forma consistente ante o real, pela quarta sessão consecutiva.
O dólar à vista de balcão cedeu 1,39%, a R$ 2,9820. Esta é a menor cotação para o dólar desde 29 de abril deste ano. Em quatro dias, a moeda acumulou baixa de 3,40% e, na semana, cedeu 0,93%. No mercado futuro, que encerra apenas às 18 horas, o dólar para junho - o mais líquido e que serve de referência para as cotações no balcão - cedia há pouco 1,57%, a R$ 3,0015.
Pela manhã, o dólar até chegou a subir ante o real, em linha com a valorização da moeda americana também no exterior, antes da divulgação do relatório de emprego nos EUA (payroll). Às 9h30, a moeda à vista chegou a marcar a máxima de R$ 3,0390 (+0,50%).
Mas quando os números do payroll saíram, o cenário mudou. Os EUA criaram 223 mil vagas de emprego em abril, pouco abaixo dos 228 mil esperados. No entanto, o total de março foi revisado de 126 mil para 85 mil vagas, o que foi mal visto pelo mercado. A avaliação é de que a economia americana ainda está em fase de recuperação e, por isso, a alta de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) pode ocorrer mais tarde.
Isso fez o dólar migrar para o território negativo ao redor do mundo e, no Brasil, passar a cair mais de 1%. Os estrangeiros, que haviam assumido posições compradas no mercado futuro mais altas recentemente, continuaram a reduzir esta exposição, como visto nos últimos dias. Tudo porque, com a perspectiva de manutenção de juros baixos nos EUA e a expectativa de uma Selic cada vez mais alta, o fluxo de recursos para o Brasil tende a continuar forte.
Às 16h50min de desta sexta-feira, o dólar à vista marcou a mínima de R$ 2,9760 (-1,59%) no balcão, para depois encerrar em patamares mais acomodados, mas ainda assim abaixo dos R$ 3,00. No exterior, perto das 16h30, o dólar cedia 0,10% ante o dólar australiano, tinha baixa de 0,13% ante o canadense, cedia 0,28% ante o neozelandês, caía 0,63% ante o rand sul-africano, perdia 0,67% ante o peso chileno e recuava 1,11% ante o peso mexicano.
Bovespa
A Bovespa fechou em alta, recuperando-se de dois dias seguidos de perdas e ajudada pelo avanço das bolsas internacionais, após o relatório de empregos dos Estados Unidos alimentar expectativas de que o Federal Reserve (Fed) poderá adiar o aumento de juros no país. No fim do dia, o Ibovespa indicou alta de 0,40%, aos 57.149,33 pontos. O volume de negócios totalizou R$ 7,07 bilhões, segundo dados preliminares.
No início do dia, o Departamento do Trabalho dos EUA informou que foram criados 223 mil empregos em abril no país, abaixo da abertura de 228 mil vagas projetada por analistas. Além disso, o resultado de março foi revisado para 85 mil vagas, de 126 mil.
A taxa de desemprego nos EUA caiu para 5,4% em abril, de 5,5% em março, em linha com a previsão. O relatório provocou avaliações mistas no mercado, com alguns analistas afirmando que os dados reforçam as apostas de alta de juros em setembro, enquanto outros ressaltaram que a revisão do resultado em março não anula hipótese de aperto monetário em junho.
Os papéis ON e PN da Petrobras fecharam com baixas de 1,02% e 1,31%, respectivamente. Segundo o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), que visitou as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), na manhã desta sexta-feira, a estatal informou que deverá apresentar seu novo Plano de Negócios no dia 10 de junho.
Taxas de juros
O firme recuo do dólar ante o real foi um dos principais fatores para a baixa das taxas dos contratos futuros de juros com prazos mais longos. Do exterior, houve ainda a contribuição dos Treasuries.
"Os yields dos Treasuries voltaram bastante da máxima de quinta até agora. Na quinta também o T-Note de 10 anos chegou a marcar 2,32% e, à tarde, ele estava em 2,11%. É muita coisa", destacou o trader de renda fixa Klaus Nery Teixeira, da Quantitas Asset. "O mercado também bate forte no dólar hoje e há o raciocínio de que, se o Banco Central elevar a Selic tanto agora (nos próximos meses), em algum momento a inflação vai ceder e, lá na frente, a taxa básica poderá cair", acrescentou o profissional.
Entre os contratos de prazos curtos, os movimentos das taxas foram mais contidos, com os investidores visualizando a tendência de o Copom, de fato, continuar elevando a Selic nos próximos dois encontros, em junho e julho, já que a inflação segue alta. Os números desta sexta-feira, no entanto, não são necessariamente ruins. No fim da sessão regular da BM&FBovespa, a taxa do DI para julho marcava 13,341%, ante 13,339% do ajuste de quinta, enquanto o contrato para janeiro de 2016 tinha taxa de 13,77%, ante 13,79%.
Entre os intermediários e longos, o DI para janeiro de 2017 marcava 13,52%, na mínima, ante 13,63%, e o contrato para janeiro de 2021 indicou 12,68%, também na mínima, ante 12,86%. Em Nova York, o T-Note de 10 anos tinha há pouco taxa de 2,1399%, ante 2,181%.
Dólar fecha a R$ 2,98, menor cotação desde 29 de abril
A Bovespa fechou em alta, recuperando-se de dois dias seguidos de perdas