Economia

Dólar fecha cotado a R$ 3,79, alta de 1,26%

Repercussão da decisão da agência Moody's de colocar em revisão negativa o rating brasileiro afetou o mercado

Moeda americana fechou o dia em R$ 3,799
Moeda americana fechou o dia em R$ 3,799 Foto : Juan Barreto / AFP / CP
O mercado de câmbio interrompeu o otimismo da véspera e voltou a pressionar as cotações do dólar nesta quinta-feira com a repercussão da decisão da agência Moody's de colocar em revisão negativa o rating brasileiro. A moeda americana negociada no mercado à vista terminou o dia valendo R$ 3,799, com alta de 1,26% frente ao real.

Os investidores vinham reagindo positivamente à aposta de que um impeachment da presidente Dilma é cada vez mais provável - e que colocaria fim na instabilidade política e econômica. Mas o anúncio da Moody's trouxe o mercado de volta à realidade ao indicar "rápida e material deterioração macroeconômica e das tendências fiscais" e também pela reduzida probabilidade de uma reversão da tendência nos próximos dois a três anos.

O cenário político acabou ficando em segundo plano e não trouxe novidade significativa, a não ser pelo aceno do vice-presidente, Michel Temer, de reconciliação com a presidente Dilma Rousseff. Contrariando a tese de que a carta enviada a Dilma na noite de segunda-feira sinalizava um rompimento com o governo, Temer disse que ele e a presidente se acertaram e que ela entendeu os motivos da carta. Temer voltou a falar em "harmonia" e "reunificação do País".

Já os pronunciamentos do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foram o ponto alto do dia, uma vez que o cenário político acabou em segundo plano. Em almoço de fim de ano na Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Tombini disse que o BC "não limitará as suas decisões pelos possíveis impactos fiscais de suas decisões". Tombini reforçou que o BC tem conduzido sua política monetária de forma autônoma e continuará a fazê-lo para trazer a inflação de volta à meta em 2016.

A sinalização de Tombini de que o BC não hesitará em elevar os juros para conduzir a inflação à meta, independentemente de eventuais efeitos no campo fiscal, levaram a uma disparada dos juros, o que acabou influenciando o câmbio. O dólar, que pela manhã chegou a ensaiar rapidamente uma baixa, ao atingir a mínima de R$ 3,7494 (-0,06%), acelerou o ritmo e marcou máximas durante a tarde. No mercado futuro, o dólar para liquidação em janeiro fechou com alta de 1,76%, cotado a R$ 3,837.

Taxa de juros 

As taxas de juros negociadas no mercado futuro dispararam nesta quinta-feira, movidas pela combinação explosiva de Moody's e Tombini. O volume de negócios ficou bem acima da média dos últimos dias, num sinal claro de que investidores vendidos em taxa de juros tiveram de zerar posições para interromper as perdas. A partir da sinalização de que o BC não hesitará em elevar os juros para conter a inflação, em meio a um ambiente de provável rebaixamento de rating, as taxas futuras subiram em toda a curva de juros.

Com isso, o mercado, que já precificava um aumento de 0,50 ponto porcentual na taxa Selic (hoje em 14,25% ao ano), já mostra apostas em um aumento de 0,75 ponto na reunião do Copom de janeiro. Nos negócios na BM&F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho de 2016 encerrou o horário regular de negócios com taxa de 15,19%, na máxima, contra 15,09% do ajuste de ontem. O vencimento de janeiro de 2017, o mais negociado, terminou com taxa de 15,98%, também na máxima, ante 15,71% do ajuste anterior. Na ponta mais longa da curva, o DI para janeiro de 2021 fechou com taxa de 15,88%, de 15,68%.

Bovespa 

O otimismo com que o mercado de ações operou na quarta-feira, 9, azedou nesta quinta-feira, com a repercussão da decisão da agência Moody's de colocar em revisão negativa o rating brasileiro. A Bovespa fechou em queda de 1,04%, aos 45.630,70 pontos, contando com forte contribuição das ações da Petrobras. As ações da Petrobras foram destaque de queda, influenciadas pelo recuo dos preços do petróleo e também pelo rebaixamento da estatal promovido pela Moody's. Ao final dos negócios, Petrobras ON e PN recuaram 2,75% e 2,61%, respectivamente. Na ponta contrária estiveram os papéis da Vale, que subiram 4,88% (ON) e 3,83% (PN), acompanhando seus pares no mercado internacional, mesmo em um dia de nova queda dos preços do minério de ferro.

O pronunciamento de Tombini, embora tenha influenciado os mercados de juros e dólar pela sinalização de alta da taxa Selic, praticamente não teve influência sobre os negócios na bolsa.

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