Economia

Dólar fecha desvalorizado pela segunda sessão consecutiva

Moeda americana está sendo vendida por R$ 3,63

Moeda americana está sendo vendida por R$ 3,63
Moeda americana está sendo vendida por R$ 3,63 Foto : Marcos Santos / USP Imagens / CP
O dólar caiu pela segunda sessão consecutiva e fechou nesta terça-feira, 22, valendo R$ 3,6441 (-1,09%). Assim como ontem, a moeda operou em baixa durante todo o pregão - oscilou da mínima de R$ 3,6296 (-1,48%) à máxima de R$ 3,6670 (-0,46%). O giro ficou em US$ 797 milhões. O dólar para junho, perto das 17h20, caía 0,91%, a R$ 3,6470, e movimentava US$ 19,4 bilhões.

Em duas sessões que contaram com a mão mais pesada do Banco Central, com três vezes mais contratos de swap cambial ofertados, a moeda americana acumula queda de 2,5%. O cenário externo também favoreceu a nova queda do dólar, o título americano de 10 anos caía 0,06% perto das 17h, a 3,056%. E a divisa dos EUA caía em relação a outras moedas emergentes: rublo (-0,44%); rand (-0,81%); peso mexicano (-0,28%) e o peso chileno (- 1,94%).

Como o mercado nunca está satisfeito e precisa encontrar eventos para negociar, nesta terça-feira houve conversas entre os operadores de câmbio se questionando se o Banco Central continuará ofertando os 15 mil contratos de swap (US$ 750 milhões) diariamente, como fez nos últimos dois dias, uma vez que também avisou que vai atuar de maneira discricionária. "O dólar nesses dois dias caiu com mais força do que seus pares. Algumas pessoas já avaliam que o BC vai reduzir a munição amanhã", resumiu um gestor, lembrando ao mesmo tempo que quem faz essa análise se esqueceu que nos últimos dias de forte apreciação do dólar em relação ao real, essa alta também foi em ritmo mais acelerado do que a relacionada a outras moedas.

A opinião desse gestor é que o BC deve manter os US$ 750 milhões, para evitar que os negócios tenham mais volatilidade. O dia hoje foi de noticiário cheio, com a especulação sobre mudanças no reajuste dos combustíveis. Pela manhã saiu a ata da reunião da semana passada do Copom, que surpreendeu o mercado ao deixar a Selic inalterada. O BC falou num cenário internacional "mais desafiador" e que há expectativa de normalização da política monetária nas economias centrais.

O BC ressaltou, ainda, que "a ausência de relação mecânica entre exterior e política monetária será evidente ao longo do tempo" e destacou a capacidade que a economia brasileira tem de "absorver revés no cenário internacional". Essa resiliência, diz o texto, é gerada pela "situação robusta de seu balanço de pagamentos e ao ambiente com inflação baixa, expectativas ancoradas e perspectiva de recuperação econômica. No início da tarde, ao participar de evento do Pátria Investimentos, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, reforçou a mensagem da ata.

Bovespa

A terça-feira foi de recuperação do Índice Bovespa, que fechou em alta de 1,13%, aos 82.738,88 pontos, após ter acumulado perdas de 5,5% nos três pregões anteriores. A alta firme se sustentou mesmo com o desempenho negativo das ações da Petrobras e Vale, papéis de relevante participação na carteira do índice. Na ponta positiva estiveram as ações dos bancos, que vinham sendo castigadas por correções nos últimos dias.

Os negócios somaram R$ 14,3 bilhões. "Foi um movimento bastante técnico, de recuperação das quedas dos últimos dias, em que também se observou uma grande saída de recursos externos da bolsa. O câmbio mais tranquilo, com as ações do Banco Central, também contribuiu para isso", disse Helena Veronese, economista da Azimut Brasil Wealth Management.

No pano de fundo dessa recuperação, no entanto, a economista afirma que seguem no radar fatores como o ritmo da economia mais lento que o esperado, a indefinição do quadro eleitoral e a possibilidade de um aperto monetário mais agressivo nos Estados Unidos. No pregão da segunda-feira, o Ibovespa havia fechado abaixo do piso psicológico dos 82 mil pontos, no qual não operava desde o início de fevereiro. Parte da recuperação desta terça pode ter sido deflagrada pela resistência a esse patamar, concordou Helena e outros analistas ouvidos pelo Broadcast.

Carlos Soares, analista da Magliano corretora, ressaltou o alívio nas relações entre Estados Unidos e China, que trouxe melhora do humor dos investidores, o que favoreceu a recuperação da Bolsa ao longo de praticamente todo o pregão. Os bancos, que detiveram as altas mais significativas, tiveram entre os destaques Itaú Unibanco (+2,42%), Banco do Brasil ON (+2,11%) e Bradesco PN (+2,87%). As ações da Petrobras tiveram uma sessão de intensa volatilidade, reflexo do noticiário desencontrado e das especulações em torno das discussões do governo em busca de reduzir os preços dos combustíveis.

Ao final do dia, em mensagens desencontradas no Twitter, foi anunciada zeragem da Cide incidente sobre o óleo diesel. "Durante todo o dia, o temor do mercado foi de que houvesse ingerência do governo na Petrobras", disse Soares, da Magliano. Segundo ele, apesar da questão da volatilidade e das correções recentes, as ações da petroleira ainda têm espaço para voltar a subir. "A questão da cessão onerosa ainda está em aberto e pode ser um novo 'trigger' para as ações", disse. Ao final do dia, Petrobras ON e PN recuaram 2,34% e 1,20%, respectivamente.

Taxas de juros

Os juros futuros fecharam a sessão regular desta terça-feira em baixa, refletindo, mais uma vez, o desempenho positivo do câmbio doméstico. Boa parte dos principais contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) bateu mínimas na última hora da sessão, em linha justamente com a aceleração do recuo do dólar, que também atingia os menores patamares do dia, na casa dos R$ 3,63. Nas mesas de operação, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) ficou em segundo plano, por ser considerada "sem novidades".

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 fechou em 6,585%, de 6,637% no ajuste de ontem. A taxa do DI para janeiro de 2020 caiu de 7,66% para 7,52% e a do DI para janeiro de 2021, de 8,79% para 8,66%. A taxa do DI para janeiro de 2023 encerrou a 10,00%, de 10,07%. A sessão desta terça-feira no mercado de juros foi considerada mais "técnica", apesar de a agenda ter a ata como destaque.

O dólar em queda e a melhora do apetite pelo risco no exterior ajudaram a atrair fluxo para o mercado, com retomada de algumas posições vendidas que haviam sido zeradas na semana passada após a decisão do Copom de manter a Selic em 6,50%, contrariando a sinalização de corte dada pelo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. "Houve uma descompressão após a finalização da zeragem das posições, o que conferiu ao mercado um posicionamento técnico mais tranquilo, com o câmbio e Treasuries em níveis bem comportados ajudando", disse o trader da Quantitas Asset, Matheus Gallina.

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