Dólar fecha em alta de 0,18%, a R$ 5,61, sob expectativa com exterior

Dólar fecha em alta de 0,18%, a R$ 5,61, sob expectativa com exterior

Bolsa resistiu à desaceleração em Nova Iorque e terminou o dia em alta, aos 100.539,83 pontos

AE

Moeda norte-americana chegou a cair a R$ 5,54 durante a tarde, mas movimento perdeu fôlego

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O dólar operou boa parte da tarde em queda, por causa da expectativa pelo pacote de estímulo dos Estados Unidos. Nesta terça-feira, a moeda norte-americana chegou a cair a R$ 5,54, mas o movimento perdeu fôlego perto do fechamento e a divisa passou a subir, com o clima de cautela quando começou o encontro entre a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, pouco depois das 16h, para tentar acertar os detalhes finais do pacote trilionário. Também ajudou a retirar pressão do câmbio mais cedo a nova rodada de declarações de compromisso fiscal do ministro da Economia, Paulo Guedes, que prometeu privatizações e não aumentar a carga tributária do Brasil, além de respeitar o teto de gastos.

No fechamento, o dólar à vista terminou com ganho de 0,18%, cotado em R$ 5,6133. No mercado futuro, o dólar com liquidação em novembro era negociado praticamente estável às 17h, aos R$ 5,6110.

A expectativa de um acerto para o pacote de estímulo fiscal, alimentada no começo da tarde pelo otimismo mostrado por Pelosi em uma entrevista, fez o dólar cair nas mínimas em uma semana ante moedas como o euro e o dólar canadense, além de ampliar a queda ante divisas emergentes.

"Os investidores permaneceram otimistas com a perspectiva de algum tipo de acordo entre a Casa Branca e Pelosi, que force o Senado a aprová-lo", avalia o diretor de moedas da gestora americana BK Asset Management, Boris Schlossberg. O Senado, de maioria republicana, tem se mostrado relutante em um acordo muito maior que o proposto pelo partido, com estímulos da ordem de US$ 1,8 trilhão. Mas na tarde de hoje, a imprensa internacional noticiou que o líder da maioria do Partido Republicano no Senado, Mitch McConnell, afirmou que a casa pode considerar um pacote fiscal mais elevado, se houver um acordo sobre os dois.

No noticiário doméstico, Guedes falou da possibilidade de privatizar a Caixa, além de afirmar que o governo não vai abandonar o teto. Apesar de Guedes não anunciar novas medidas ou planos concretos, as declarações desde ontem ajudaram a fortalecer o real, ressaltam os estrategistas em Nova Iorque do Citigroup. "Em linhas gerais, o fluxo de notícias de Brasília tem sido mais leve recentemente", observam os analistas do banco americano, ressaltando que o presidente Jair Bolsonaro também tem dado declarações apoiando a responsabilidade fiscal. A dúvida, ressalta o Citi, é se esse ambiente mais calmo vai durar, sobretudo quando se leva em conta que o governo prometeu anunciar depois das eleições como vai financiar o novo programa social, o Renda Cidadã.

Ibovespa

O Ibovespa tocou nesta terça-feira o maior nível intradia desde 15 de setembro, então a 100.949,43 pontos, e sustentou a linha de 100 mil no fechamento pela primeira vez desde 17 do mês passado. Ao final, o índice de referência da B3 apontava ganho de 1,91%, aos 100.539,83 pontos, saindo de mínima a 98.663,89 pontos na abertura para atingir, na máxima do dia, os 100.721,83 pontos (+2,09%). No encerramento, foi o melhor desempenho em porcentual para o Ibovespa desde 8 de outubro (+2,51%) e o nível de fechamento, o maior desde 9 de setembro, quando o índice foi a 101.292,05 pontos.

O giro da sessão totalizou R$ 25,3 bilhões e, na semana, o índice avança 2,27%, elevando os ganhos do mês a 6,28% e limitando as perdas de 2020 a 13,06%. Hoje, o Ibovespa ganhou fôlego em paralelo à acentuação da alta em Nova Iorque pouco depois das 13h30, com novas declarações da presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, que mantiveram acesa a expectativa por novos estímulos fiscais na maior economia do mundo.

"Se quisermos isso pronto até o dia da eleição, temos de avançar nesta semana", afirmou Pelosi em entrevista à Bloomberg TV. "Até o fim do dia, devemos saber como estamos na questão dos estímulos", observou. "Precisamos colocar mais dinheiro no bolso dos americanos, e trabalho por isso". Ao final da sessão, os índices de Nova Iorque mostraram ganhos bem mais moderados do que no começo da tarde, entre 0,31% (Nasdaq) e 0,49% (S&P 500) no início de ligação telefônica entre Pelosi e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin - no encerramento em Nova Iorque, a alta ficou em faixa próxima, de 0,33% (Nasdaq) a 0,47%. (S&P 500).

Na B3, o Ibovespa renovou máxima perto do fechamento, resistindo à desaceleração em Nova Iorque na hora final, em avanço que se manteve bem distribuído por empresas e setores, com número relativamente restrito de ações da carteira teórica em baixa no encerramento, como Totvs (-1,07%), Rumo (-1,02%) e Gol (-0,95%). No lado oposto do índice, Eztec subiu 5,63%, à frente de BTG (+5,53%) e CSN (+5,19%). Destaque também para as ações de Petrobras (PN +3,38% e ON +3,43%), bem como para as de grandes bancos, em que os ganhos chegaram a 4,61% (BB ON) na sessão.

Parte dos analistas considera que, acima dos 100 mil pontos, a inclinação por compras tende a se acentuar na B3, apesar de fatores de incerteza que devem se estender ao próximo mês, como a definição da eleição nos EUA e, aqui, sobre o Renda Cidadã. Na falta de definições imediatas, o mercado foca o curto prazo, com a relativa moderação da percepção de risco refletindo ambiente político e fiscal um pouco mais calmo no Brasil, e a expectativa positiva, no exterior, quanto a avanço sobre novo pacote fiscal nos EUA.

"O mercado já está colocando no preço que o pacote vai sair - e, se não sair logo, pode ser que amanhã já venha alguma realização. Se vier mesmo o pacote, o Ibovespa deve buscar os 101,3 mil pontos e, depois, a resistência mais importante, de 102,4 mil, onde pode ocorrer realização mais forte, redirecionando o índice para os 99 mil", diz Rodrigo Barreto, analista gráfico na Necton. "Hoje, o Ibovespa estava bambeando na busca pelos 100 mil, até que veio a melhora em Nova Iorque, contando também aqui com ajuda das ações de bancos". "Para baixo, o primeiro suporte mais importante está aos 98,3 mil e, depois, aos 97 mil", acrescenta.

Juros

Uma conjunção de fatores positivos conspirou para que os juros futuros engatassem mais um dia de queda firme e encerrassem nas mínimas do dia. Desde o otimismo nos mercados internacionais em relação ao fechamento de um acordo sobre o pacote fiscal norte-americano até o considerado bem sucedido leilão de NTN-B 15/5/2023, com venda recorde em termos financeiros para um único vencimento deste tipo de papel. No meio da tarde, as taxas renovaram mínimas com a informação apurada pelo Broadcast de que o governo negocia com o BNDES a devolução de R$ 100 bilhões em 2021 para reforçar o colchão de liquidez do Tesouro. O alívio nos prêmios teve ainda como pano de fundo o reforço na defesa do teto dos gastos e da responsabilidade fiscal nos últimos dias em Brasília.

Exceto o contrato para janeiro de 2022, que caiu de 3,295% para 3,24%, as taxas dos principais contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram nas mínimas. A do DI para janeiro de 2023 encerrou a 4,54%, de 4,665% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2025 terminou em 6,33%, de 6,484% ontem no ajuste. O DI para janeiro de 2027 fechou com taxa em 7,23%, de 7,404% ontem.

As mínimas foram registradas na segunda etapa dos negócios, na medida em que foi crescendo ao longo da tarde a expectativa em torno do pacote fiscal nos EUA após a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, dizer que estava otimista sobre o fechamento de um acordo. Já perto do encerramento da sessão regular as taxas ampliaram a queda com a informação, apurada pelo Broadcast, de que a equipe econômica negocia com o BNDES a transferência de R$ 100 bilhões para o Tesouro no início de 2021, o que daria um reforço para o colchão de liquidez da instituição e maior conforto na rolagem da dívida. Somente entre janeiro de abril vencem R$ 643 bilhões em títulos.

"São fatores bastante positivos se pensarmos no fluxo de caixa para Tesouro para poder emitir menos ou com prêmios menores", comentou o diretor de Gestão de Renda Fixa e Multimercados da Quantitas Asset, Rogério Braga. Ele destaca ainda o alívio trazido pelo leilão de NTN-B hoje, que teve demanda elevada.

O Tesouro ousou na oferta de 3 milhões de títulos, vendida integralmente, com volume financeiro de R$ 11,5 bilhões, o mais elevado para um leilão de NTN-B de vencimento único, segundo o operador de renda fixa da Terra Investimentos Paulo Nepomuceno. "É um sinal de que há demanda por títulos em reais, tem tomador ainda que o prêmio seja mais alto. O resultado do leilão tira um pouco da pressão e da impressão negativa para a rolagem da dívida", disse Nepomuceno.

Em meio ao bom humor externo, Nepomuceno afirma que a curva tem experimentado alívio nos prêmios também na medida em que a "lua-de-mel" entre o ministro Paulo Guedes e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) vai se prolongando. "Aparentemente se conseguiu um consenso em torno da manutenção do teto", afirmou. Nesta terça, Guedes saiu novamente em defesa do mecanismo. Ele voltou a garantir que a regra não será abandonada e a enfatizar a necessidade de acelerar a agenda de privatizações.


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