Depois de ter recuado 3,63% na semana passada, o dólar voltou a sofrer pressão de compra e fechou em alta de 1,68% nesta segunda-feira, cotado a R$ 3,4952 no mercado à vista. O avanço foi atribuído principalmente ao leilão de contratos de swap cambial reverso promovido pelo Banco Central pela manhã, cujo efeito equivale à compra de dólares no mercado futuro. Profissionais também citaram algumas especulações em torno do cenário político, em especial sobre a possibilidade de um governo comandado por Michel Temer tentar evitar uma desvalorização maior da moeda americana.
Pela manhã, os mercados foram surpreendidos pela notícia da alteração do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 0,38% para 1,10% na compra de moeda estrangeira em espécie. As dúvidas quanto ao alcance do decreto publicado no Diário Oficial da União teriam ajudado a pressionar as cotações pela manhã, embora pontualmente. Com a medida, assinada pela presidente Dilma Rousseff e pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, a expectativa seria de arrecadar R$ 2,377 bilhões por ano. Ontem, Dilma anunciou aumento médio de 9% nos valores do Bolsa Família.
Conforme anunciado na sexta-feira, o Banco Central ofertou hoje 40 mil contratos de swap cambial reverso, em três vencimentos. A instituição vendeu o lote integral, apenas para o vencimento de 1º de agosto, totalizando US$ 2 bilhões. A moeda reagiu com alta e chegou à máxima de R$ 3,5085 (+2,07%).
Bovespa
Depois de ter enfrentado alguma volatilidade pela manhã, o Índice Bovespa teve uma tarde de oscilações contidas e fechou em baixa de 0,65%, aos 53.561,53 pontos, nesta segunda-feira. O volume de negócios totalizou R$ 5,85 bilhões, bem abaixo da média diária de abril (R$ 8,33 bilhões).
Os negócios com ações foram influenciados principalmente pelo desempenho negativo do setor financeiro. Com forte participação na carteira do Ibovespa, as ações de grandes bancos recuaram durante todo o dia, influenciadas principalmente pela notícia do pedido de recuperação judicial da Sete Brasil, que fez surgir o temor da necessidade de um aumento de provisões.
O setor bancário já vinha sofrendo desde a semana passada, quando o resultado trimestral do Bradesco mostrou aumento de provisões por conta de créditos com risco de default. As quedas foram lideradas por Itaú Unibanco PN, que recuou 2,77%, seguida por Banco do Brasil ON (-2,53%) e Bradesco PN (-1,97%).
Com o feriado na China, não houve negociação com o minério de ferro. Ainda assim, as ações da Vale oscilaram intensamente, ao sabor da volatilidade dos índices de metais e das ações de outras empresas mineradoras pelo mundo. Ao final dos negócios, Vale ON subiu 0,91%, enquanto Vale PNA recuou 0,70%. Com os contratos futuros de petróleo em forte queda, as ações da Petrobras operaram sem tendência definidadurante todo o dia. No fechamento, as preferenciais terminaram em baixa de 0,59%, enquanto as ordinárias ficaram estáveis.
Taxas de juros
Os juros futuros de curto prazo fecharam em ligeira alta e os longos ficaram estáveis nesta segunda-feira de liquidez bastante fraca no segmento de renda fixa e sem destaques no noticiário político. A ponta curta reagiu ao avanço do dólar e à inflação pressionada nas pesquisas de ponta do monitor da Fundação Getulio Vargas (FGV). Além disso, profissionais ainda citavam as especulações de que opróximo presidente do Banco Central, num eventual governo de Michel Temer, será de linha ortodoxa. Com isso, houve correção das apostas de queda da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de junho.
A pressão nos curtos manteve um viés de queda para as taxas longas durante boa parte do pregão, já que os analistas seguem confiantes de que as medidas a serem tomadas por Temer, principalmente na área fiscal, se assumir a Presidência, deverão abrir caminho para o crescimento do País. Entre elas, estariam a aprovação de teto para as despesas públicas e a desvinculação de gastos sociais, que podem permitir melhora na trajetória da dívida de médio prazo. No fim, porém, as taxas longas estavam próximas dos ajustes.
Ao término da sessão regular, o volume de contratos negociados era bastante reduzido, refletindo, em parte, feriados em alguns mercados internacionais. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 encerrou em 13,66%, de 13,60% no ajuste de sexta-feira. O DI para janeiro de 2018 fechou em 12,75%, de 12,71%. E o DI janeiro de 2021 terminou estável em 12,41%.
Dólar fecha em alta de 1,68%, cotado a R$ 3,49
Avanço foi atribuído principalmente ao leilão de contratos de swap cambial reverso promovido pelo BC