Economia

Dólar fecha em baixa de 0,38%, cotado a R$ 3,9037

Divulgação de números sobre a meta fiscal deste ano influenciou na queda da moeda

Divulgação de números sobre a meta fiscal deste ano influenciou na queda da moeda
Divulgação de números sobre a meta fiscal deste ano influenciou na queda da moeda Foto : Marcello Casal / Agência Brasil / CP Memória
O mercado de câmbio se orientou por fatores internos e externos nos negócios desta terça-feira e o dólar à vista fechou em baixa de 0,38%, cotado a R$ 3,9037. No cenário internacional, as atenções se concentraram na política monetária dos Estados Unidos, a ser definida na quarta-feira, ao final da reunião do Federal Reserve. No Brasil, o foco foi a questão fiscal, com a divulgação de números sobre a meta fiscal deste ano.

O anúncio de que o governo revisou a meta de superávit primário para um déficit orçamentário de pouco menos de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 teve efeito pontual no mercado de câmbio. Isso porque, antes de conhecer os dados, o mercado já repercutia positivamente a avaliação da agência classificadora de risco Moody's, de que essa revisão não seria uma surpresa.

A divulgação do dado foi feita pelo relator do projeto de lei que altera a meta do superávit do Orçamento da União de 2015, deputado Hugo Leal (PROS-RJ). Segundo ele informou, o País terá um déficit de R$ 51,8 bilhões, sem contar com as chamadas pedaladas fiscais. A meta já foi alterada em julho pelo governo e passou de 1,1% do PIB para 0,15% do PIB antes desta nova mudança.

"A revisão não é uma surpresa, tendo em vista os ciclos político e econômico negativos que têm limitado dramaticamente a agenda de consolidação fiscal do governo", afirmou a Moody's em relatório, ponderando que já incorporava um déficit primário de 1% em suas projeções e que a revisão tem impacto "mínimo" na avaliação da força fiscal do Brasil.

O relatório da Moody's foi interpretado como um sinal de que o risco de um rebaixamento do rating brasileiro por conta da revisão da meta de 2015 está afastado. Com isso, o impacto da notícia sobre as cotações foi marginal. Apesar da tendência predominante de alta da moeda americana frente a outras divisas, a cotação frente ao real recuou 0,38%, aos R$ 3,9037, reagindo a fluxos pontuais, à expectativa de manutenção dos juros nos EUA e ao relatório da Moody's.

Taxas de juros

O mercado futuro de juros voltou a ajustar as taxas para baixo nesta terça-feira, sem deixar de lado a cautela com indefinições dos cenários interno e externo. Os investidores mantiveram as atenções voltadas à política monetária dos EUA - a aposta de manutenção dos juros é praticamente unânime, o que manteve os yields dos Tresauries em baixa - e à política fiscal do Brasil.

Segundo profissionais do mercado, outro fator que favoreceu o ajuste das taxas para baixo foi a decisão do Tesouro Nacional de limitar a oferta de títulos de longo prazo atrelados à inflação e emitir menos títulos prefixados, anunciada ontem. Nos negócios na BM&FBovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2016 terminou o horário regular com taxa de 14,25%, ante 14,26% no ajuste de sexta-feira. O DI para janeiro de 2017 fechou em 15,22%, de 15,32%. O contrato com vencimento em janeiro de 2021 teve taxa de 15,73%, ante 15,92% no ajuste anterior.

Bovespa

O mau humor dos investidores internacionais foi determinante para a queda de 0,35% da Bovespa nesta terça-feira - a terceira consecutiva. O Índice Bovespa terminou o dia aos 47.042,94 pontos, acumulando perda de 1,40% em três dias. O volume financeiro total na bolsa brasileira foi de R$ 5,868 bilhões. As ações chegaram a ensaiar uma alta pela manhã, quando o Índice Bovespa atingiu a máxima de 47.338 pontos (+0,27%), mas não tiveram fôlego diante do desempenho negativo das bolsas na Europa e nos Estados Unidos. Lá fora, os investidores operaram com cautela diante da proximidade da decisão do Federal Reserve sobre os juros básicos da economia, mas repercutiram negativamente a queda dos preços do petróleo e alguns resultados corporativos aquém do esperado. No ambiente doméstico, o destaque foi a divulgação da revisão da meta fiscal de 2015, que não fugiu às estimativas do mercado e teve ainda como anteparo o relatório divulgado mais cedo pela Moody's afirmando que o dado não era surpresa para a agência.

Entre as ações que compõem a carteira teórica do Índice Bovespa, as da Petrobras exerceram forte pressão de baixa sobre o índice. Os papéis refletiram a queda dos preços do petróleo no mercado internacional, diante da redução da demanda mundial pela commodity, num sinal de desaceleração econômica. Ao final dos negócios, Petrobras ON teve queda de 3,85% e Petrobras PN, de 3,18%. As ações da Vale também recuaram significativamente, seguindo a queda dos preços das commodities. Vale ON e PNA fecharam em baixa de 4,65% e 2,58%, respectivamente.

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