O dólar fechou em baixa pela quarta sessão consecutiva nesta quinta-feira. O recuo da divisa norte-americana foi direcionado, principalmente no mercado à vista, pela expectativa de que as medidas de ajuste fiscal tramitarão no
Congresso com mais tranquilidade, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter Renan Calheiros na presidência do Senado. Os contratos futuros de dólar, por sua vez, tiveram um recuo mais tímido, uma vez que já haviam reagido ontem à decisão do Supremo e passaram hoje por realização de lucros.
O dólar à vista encerrou em baixa de 0,68%, aos R$ 3,3798, somando perda de 2,65% em quatro sessões. Ao longo do dia a divisa variou entre a máxima de R$ 3,4173 (+0,43%) e a mínima de R$ 3,3717 (-0,91%), com movimentação mais intensa pela manhã. De acordo com dados registrados na clearing da BM&FBovespa, o volume de negócios somou US$ 1,376 bilhão.
O recuo do dólar no mercado futuro, entretanto, foi mais contido. O dólar à vista fechou ontem antes da conclusão do julgamento do STF, não dando tempo de precificar totalmente a decisão final, enquanto o segmento futuro já registrou na própria sessão de ontem uma queda mais acentuada decorrente do posicionamento favorável a Renan Calheiros no STF. Com isso, os contratos futuros passaram por alguma realização de lucros, principalmente, de manhã.
O contrato de dólar para janeiro de 2017 fechou em baixa de 0,31%, aos R$ 3,3970, com giro de US$ 13,679 bilhões. Na máxima, o ativo chegou aos R$ 3,4400 (+0,95%), enquanto a mínima ficou em R$ 3,3930 (-0,43).
Cabe ressaltar que, mais cedo, o mercado como um todo também enfrentou a volatilidade trazida pela decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), o que afastou investidores de moedas de economias emergentes. A instituição estendeu seu programa de relaxamento quantitativo (QE) até fim de 2017. Originalmente, o programa venceria em março. Porém, a partir de abril, as compras mensais serão de 60 bilhões de euros, e não 80 bilhões de euros como vinha sendo feito.
Bovespa
A bolsa partiu para uma realização de lucros na etapa vespertina desta quinta-feira, 8, após ter fechado em alta nas duas sessões anteriores e também durante a manhã. Não houve nada específico no noticiário a ter provocado a virada para o negativo no começo da tarde, mas, como salientou um operador, "notícia ruim tem para escolher".
Após os investidores terem antecipado ontem, em boa medida, a permanência de Renan Calheiros (PMDB-AL) à frente da presidência do Senado e, consequentemente, a manutenção do cronograma de votação da PEC do Teto dos Gastos, hoje as preocupações com a fraqueza da atividade em meio à Selic ainda elevada pesaram sobre o mercado. Desse modo, a Bovespa foi na contramão da alta de suas pares no exterior, que repercutiram a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de estender seu programa de recompra de bônus atébo final do ano que vem.
No fechamento, o Ibovespa tinha 60.676,56 pontos, queda de 1,20%, não muito distante da mínima de 60.499 pontos (-1,49%). Na máxima, chegou perto dos 62 mil pontos, aos 61.936 pontos (+0,85%). O volume foi novamente fraco, somando R$ 6,509 bilhões. Em dezembro, a Bovespa continua no negativo, com perdas de 1,99%. Em 2016, há ganho acumulado de 39,97%.
Ao longo da jornada vespertina, o Ibovespa atingiu as mínimas com a piora dos segmentos de mais peso na carteira teórica. No caso de Petrobras, as ações até tentaram por alguns momentos da tarde acompanhar o avanço dos preços do petróleo, mas falou mais alto a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), ontem, de proibir a empresa de vender ativos por tempo indeterminado, o que deve afetar o processo de desinvestimento considerado fundamental para reduzir a alavancagem da estatal. Petrobras ON ainda conseguiu fechar em alta, de 0,22%, e a PN caiu 1,01%. O petróleo com vencimento em janeiro encerrou com alta de 2,14%, a US$ 50,84, o barril do tipo WTI na Nymex.
As ações da Vale e de siderurgia devolveram parte da disparada recente e fecharam em baixa. Vale ON cedeu 2,90% e a PNA, -3,99%. CSN ON caiu 3,16%. A etapa inicial, no entanto, havia sido de ganhos para os papéis, respaldados por dados positivos do comércio exterior da China.
O sócio-diretor da Jive Asset, Leonardo Monoli, atribuiu o desempenho negativo da bolsa ao pessimismo sobre a economia, e, consequentemente, com a saúde das empresas, que estão endividadas e sem estímulos para investimento. "A economia está se dissolvendo e o juro segue num patamar muito alto. O Banco Central está mostrando que vai reagir aos dados e não se antecipar a eles. Ninguém vai querer investir com os juros nestes níveis", disse. A Selic foi reduzida na semana passada de 14% para 13,75%.
Taxas de juros
Os juros futuros fecharam a quinta-feira, 8, em baixa, em decorrência da permanência de Renan Calheiros na presidência do Senado. Na quarta-feira, 7, esse resultado já havia sido em parte antecipado, mas como a confirmação saiu após o encerramento, ainda havia ajustes a serem feitos. A decisão do Banco Central Europeu (BCE) de estender seu programa de recompra de bônus até o final de 2017 contribuiu para a queda das taxas.
Os profissionais atribuíram a direção, principalmente, à diminuição da tensão envolvendo o cenário político. Com Renan, o calendário da PEC do Teto, importante medida do ajuste fiscal, foi mantido. Além disso, o ruído político baixou. No pano de fundo, segundo profissionais de renda fixa, está a expectativa de corte da Selic em ritmo mais acelerado, como sinalizado pela comunicação recente do Banco Central.
"A percepção crescente é de que o ciclo de queda de juros deverá ser muito intenso", disse um gestor. "O mercado ainda não conseguiu precificar corretamente a ata do Copom devido à crise política que estourou ao mesmo tempo", acrescentou um operador.
A escolha, pelo presidente Michel Temer, do líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), para assumir uma turbinada Secretaria de Governo foi bem recebida pelo mercado. Uma leitura inicial nas mesas de operação é a de que essa presença tucana possa resultar melhor articulação política e base aliada mais unida.
Ao término da sessão regular, contrato de Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2018 tinha taxa de 11,90%, de 11,92% no ajuste de quarta. Para janeiro de 2019, a taxa projetada era de 11,48% (11,55% na véspera). O DI para janeiro de 2021 tinha taxa de 11,75% (11,95%).
Dólar fecha em baixa pela quarta sessão consecutiva
Moeda americana encerrou o dia em R$ 3,3798