Economia

Dólar fecha o dia em R$ 6,12, após leilões de mais de R$ 8 bilhões do Banco Central

Moeda recuou 2,32%, um dia após pico histórico

Banco Central leiloou US$ 8 bilhões para frear alta da moeda norteamericana
Banco Central leiloou US$ 8 bilhões para frear alta da moeda norteamericana Foto : Marcello Casal jr/Agência Brasil

O dólar fechou o dia cotado a R$ 6,12 nesta quinta-feira, 19. A baixa de 2,32% ocorre um dia depois de a moeda norteamericana atingir pico histórico. Já na manhã desta quinta, a moeda chegou a R$ 6,30.

A baixa é atribuída à intervenção do Banco Central, que realizou dois leilões de dólares, um total de US$ 8 bilhões.

O primeiro leilão, ocorreu por volta das 9h30. Foram ofertados US$ 3 bilhões. Cerca de uma hora depois, foi realizado o segundo leilão, de US$ 5 bilhões. Com as operações desta quinta-feira, o BC já injetou US$ 20,760 bilhões no mercado de câmbio desde o último dia 12.

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Em sua última aparição pública como presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o câmbio é flutuante no Brasil e que a instituição age quando avalia alguma disfuncionalidade no mercado financeiro. Segundo Campos Neto, foi registrada uma saída acima da média dos últimos anos, com pagamentos de dividendos acima da média.

O gestor de macro da AZ Quest, Gustavo Menezes, avalia que o BC, após um mapeamento da necessidades do mercado, cumpriu seu papel com intervenção pesada no câmbio em um momento do ano já marcado por saída mais forte de recurso do país.

"O mercado deve ter demandado hoje uma atuação mais firme. O BC consegue cumprir seu papel. Mas a solução do problema não passa por ele, mas por uma vontade política de reverter essa situação fiscal. Por enquanto, o governo não tem dado o peso e a importância necessária para isso", afirma Menezes.

No início da tarde, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), disse que a Casa terminaria a votação das medidas de ajuste fiscal hoje. Ontem, ele havia adiado a apreciação do pacote pretextando que faltavam votos para aprovação.

A Câmara aprovou em dois turnos o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição do pacote fiscal, que traz alterações no abono salário e no Fundeb. A PEC também impõe limites aos supersalários e prorroga a Desvinculação de Receitas da União (DRU), além de autorizar o ajuste orçamentário em subsídios e subvenções. Após o fechamento, houve a votação da PEC em segundo turno.

Como esperado, há pontos que levam a uma desidratação das medidas, já vistas como insuficientes. Economistas trabalham com uma economia entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões, muito aquém dos R$ 71 bilhões estimados pelo Ministério da Fazenda. Há expectativa é que o governo traga novas ações no campo fiscal em 2025, como já sinalizado pelo ministro Fernando Haddad.

Para Menezes, da AZ Quest, além de o pacote fiscal frustrar as expectativas do mercado, houve uma quebra de confiança com a falta de um trabalho de coordenação de expectativas pelo governo em meio a uma realidade global "mais desafiadora".

"O mercado jogou a tolha com um esforço fiscal pequeno e ainda por cima desprezou todas as críticas que foram feitas. O problema fiscal não está sendo tratado com a devida seriedade", diz o gestor.

*Com informações Estadão Conteúdo

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